Paraguai - Grupo D

A Albirroja volta a rugir: Paraguai, do cimento defensivo ao sonho grande

🇵🇾🔥 A Albirroja volta a rugir: Paraguai, do cimento defensivo ao sonho grande

Uma campanha de poucas concessões e vitórias cirúrgicas recoloca o Paraguai no mapa e o leva a um Grupo D com roteiro de tensão e oportunidade.

Introdução

Há seleções que se anunciam com fogos de artifício; outras chegam como quem fecha portas e apaga as luzes do rival. O Paraguai voltou a competir com essa cara: jogo de poucas brechas, placares magros e a sensação constante de que, se o adversário piscar, a Albirroja encontra um caminho curto até o gol. Não é o futebol da abundância. É o futebol da precisão.

As Eliminatórias viraram um romance de capítulos apertados, daqueles em que o herói avança mais pelo que evita do que pelo que exibe. Um 0 a 0 aqui, um 1 a 0 ali, e de repente a tabela começa a fazer sentido: o Paraguai se sentiu confortável no terreno do controle emocional, onde cada bola parada vale ouro e cada minuto sem sofrer gol é uma moeda guardada no bolso.

E houve momentos que funcionaram como dobradiças — partidas que mudaram o clima, o tom, a conversa. Em 10 de setembro de 2024, em Assunção, o 1 a 0 sobre o Brasil (gol de D. Gómez aos 20') soou como um carimbo de legitimidade: “estamos vivos, e não é por acaso”. Um mês depois, em 15 de outubro de 2024, o 2 a 1 sobre a Venezuela, com dois gols de Sanabria (59' e 74'), mostrou que o Paraguai também sabe virar a chave e ganhar quando o jogo exige agressividade. E em 14 de novembro de 2024, o 2 a 1 sobre a Argentina — com Sanabria e Alderete — não foi só resultado: foi manifesto.

Quando a poeira baixou, os números explicaram a narrativa sem matar o encanto. O Paraguai terminou em 6º lugar, com 28 pontos em 18 jogos: 7 vitórias, 7 empates e 4 derrotas. Marcou 14 gols e sofreu 10, com saldo de +4. Não é uma máquina de ataque; é uma equipe que vive de margem pequena e sabe defender essa margem como se fosse um patrimônio histórico.

A leitura fria reforça o traço quente. Dez gols sofridos em dezoito partidas é um dado que entrega identidade. E os 14 gols marcados contam a outra parte: o Paraguai escolheu ganhar por caminhos curtos, sem depender de noites de inspiração coletiva. Para uma seleção, isso tem valor de estabilidade — e também um preço, porque em Mundial margem pequena costuma ser margem perigosa.

O caminho pelas Eliminatórias

As Eliminatórias sul-americanas são um campeonato longo, de todos contra todos, em ida e volta. Na prática, é uma maratona em que cada janela internacional parece um microtorneio, e o desgaste emocional pesa tanto quanto o físico. O Paraguai percorreu esse caminho sem se desviar da própria natureza: somar mesmo quando não brilha, e atacar como quem escolhe a hora exata de dar o bote.

A tabela final é clara: 6º lugar, 28 pontos, 18 partidas. Mas a colocação diz ainda mais quando se olha para o bloco de cima. Brasil terminou com os mesmos 28 pontos (5º), Uruguai também com 28 (4º) e Colômbia com 28 (3º). O Paraguai ficou colado nesse pelotão — não por ter sido mais exuberante, e sim por ter sido estável. Em competições de seleções, estabilidade é um superpoder silencioso.

O caminho teve uma primeira impressão de travas e paredes. Nas seis primeiras rodadas: 0 a 0 com o Peru em casa, derrota por 1 a 0 na Venezuela com pênalti nos acréscimos, derrota por 1 a 0 na Argentina, 1 a 0 na Bolívia em Assunção, 0 a 0 no Chile e derrota por 1 a 0 para a Colômbia em casa. Pouco gol, pouca alegria, e uma mensagem subentendida: a Albirroja estava mais perto de ser um time difícil do que um time vencedor.

A virada de percepção veio quando o Paraguai encontrou vitórias com assinatura — e não apenas sobrevivências. O 1 a 0 sobre o Brasil foi um exemplo: jogo de placar curto, mas com peso de longo alcance. Depois, o 2 a 1 sobre a Venezuela consolidou um Paraguai capaz de marcar duas vezes no mesmo jogo, algo que não aparecia com frequência. E o 2 a 1 sobre a Argentina foi um daqueles resultados que mudam a forma como os rivais se preparam: ninguém mais entra pensando que “um gol resolve”.

O detalhe é que essa campanha não se construiu em sequência de goleadas; construiu-se em sequência de decisões corretas. Há jogos que valem por dois pontos emocionais além dos três pontos na tabela. A vitória por 2 a 0 sobre o Uruguai, em 5 de junho de 2025, com gols de Galarza (13') e Enciso (pênalti aos 81'), foi um desses: vitória limpa, margem confortável, e o tipo de jogo que dá lastro para viajar.

Também houve o lado da corda bamba. Em 19 de novembro de 2024, em El Alto, o Paraguai empatou 2 a 2 com a Bolívia: sofreu aos 15', buscou com Almirón (71'), levou de pênalti aos 80' e empatou de novo com Enciso aos 90+1'. Esse empate diz muito sobre resistência mental — e também sobre o risco de jogar no limite. Um time de margens curtas não gosta de ficar duas vezes atrás no placar.

E no fechamento, o Paraguai selou o pacote com duas partidas que são quase uma síntese do projeto: 0 a 0 com o Equador em Assunção (4 de setembro de 2025) e 1 a 0 sobre o Peru em Lima (9 de setembro de 2025), com gol de Galarza aos 78'. Uma seleção que sabe sofrer, sabe congelar, e sabe aproveitar o momento em que o jogo abre uma fresta.

Tabela 1 — Partidas do Paraguai nas Eliminatórias

Data Jornada Rival Condição Resultado Artilheiros Sede
7 de setembro de 2023 1 Peru Casa 0:0 Sin goles Estádio Antonio Aranda, Ciudad del Este
12 de setembro de 2023 2 Venezuela Fora 1:0 Rondón 90+3' pen. Estádio Monumental, Maturín
12 de outubro de 2023 3 Argentina Fora 1:0 Otamendi 3' Estádio Monumental, Buenos Aires
17 de outubro de 2023 4 Bolívia Casa 1:0 Sanabria 69' Estádio Defensores del Chaco, Asunción
16 de novembro de 2023 5 Chile Fora 0:0 Sin goles Estádio Monumental, Santiago
21 de novembro de 2023 6 Colômbia Casa 0:1 Borré 11' pen. Estádio Defensores del Chaco, Asunción
6 de setembro de 2024 7 Uruguai Fora 0:0 Sin goles Estádio Centenario, Montevideo
10 de setembro de 2024 8 Brasil Casa 1:0 D. Gómez 20' Estádio Defensores del Chaco, Asunción
10 de outubro de 2024 9 Equador Fora 0:0 Sin goles Estádio Rodrigo Paz Delgado, Quito
15 de outubro de 2024 10 Venezuela Casa 2:1 Sanabria 59', 74'; Aramburu 25' Estádio Defensores del Chaco, Asunción
14 de novembro de 2024 11 Argentina Casa 2:1 Sanabria 19', Alderete 47'; La. Martínez 11' Estádio Defensores del Chaco, Asunción
19 de novembro de 2024 12 Bolívia Fora 2:2 E. Vaca 15', Terceros 80' pen.; Almirón 71', Enciso 90+1' Estádio Municipal, El Alto
20 de março de 2025 13 Chile Casa 1:0 Alderete 60' Estádio Defensores del Chaco, Asunción
25 de março de 2025 14 Colômbia Fora 2:2 Díaz 1', Durán 13'; Alonso 45+4', Enciso 62' Estádio Metropolitano, Barranquilla
5 de junho de 2025 15 Uruguai Casa 2:0 Galarza 13', Enciso 81' pen. Estádio Defensores del Chaco, Asunción
10 de junho de 2025 16 Brasil Fora 1:0 Vinícius Júnior 44' Neo Química Arena, São Paulo
4 de setembro de 2025 17 Equador Casa 0:0 Sin goles Estádio Defensores del Chaco, Asunción
9 de setembro de 2025 18 Peru Fora 0:1 Galarza 78' Estádio Nacional, Lima

Tabela 2 — Tabela de posições

Pos. Seleção Pts. PJ PG PE PP GF GC Dif.
1 Argentina 38 18 12 2 4 31 10 21
2 Equador 29 18 8 8 2 14 5 9
3 Colômbia 28 18 7 7 4 28 18 10
4 Uruguai 28 18 7 7 4 22 12 10
5 Brasil 28 18 8 4 6 24 17 7
6 Paraguai 28 18 7 7 4 14 10 4
7 Bolívia 20 18 6 2 10 17 35 -18
8 Venezuela 18 18 4 6 8 18 28 -10
9 Peru 12 18 2 6 10 6 21 -15
10 Chile 11 18 2 5 11 9 27 -18

Há um contraste que explica muito: o Paraguai terminou com os mesmos 28 pontos de três seleções, mas com um ataque bem mais modesto (14 gols). Isso sugere uma campanha de aproveitamento alto em jogos de margem pequena: o Paraguai não precisou de 3 a 2, precisou de 1 a 0. Quando funciona, é uma forma eficiente de pontuar. Quando falha, vira um plano sem rede, porque um gol sofrido vira um terremoto.

A segmentação casa-fora reforça a ideia de fortaleza emocional. Em casa, foram 9 jogos: 5 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, com 9 gols marcados e 5 sofridos. Fora, também 9 jogos: 2 vitórias, 5 empates e 2 derrotas, com 5 gols marcados e 5 sofridos. O dado mais contundente é o de gols sofridos: 5 em casa, 5 fora. A defesa viajou bem.

Outra leitura útil é o “mundo dos placares curtos”. Em 18 partidas, o Paraguai teve 7 empates — e quatro deles foram 0 a 0 (Peru, Chile, Uruguai, Equador). Além disso, venceu por 1 a 0 cinco vezes (Bolívia, Brasil, Chile, e duas sobre Peru se somarmos a ida e volta que aparecem como 0:0 e 0:1). O time se acostumou a trabalhar com o placar como um relógio: não se desespera com 0 a 0, e não se desorganiza quando faz 1 a 0.

E há o componente psicológico: o Paraguai conseguiu resultados de impacto em casa contra gigantes, mas também mostrou que a linha é fina. Perdeu por 1 a 0 para a Colômbia em Assunção (pênalti aos 11') e foi derrotado por 1 a 0 no Brasil (gol aos 44'). Dois detalhes, dois jogos, dois efeitos na narrativa. O time vive no detalhe; precisa dominar o detalhe.

Como joga

O Paraguai destas Eliminatórias se explica por uma escolha: proteger o próprio gol como prioridade máxima e construir vitórias a partir de controle e paciência. Não dá para cravar desenho tático sem dados específicos, mas dá para enxergar comportamento pelos resultados. Sofrer 10 gols em 18 jogos (0,56 por partida) aponta para uma equipe que raramente se expõe. E marcar 14 (0,78 por partida) mostra que o ataque opera por oportunidade, não por volume inevitável.

A fotografia mais nítida está nos “zeros”. Foram quatro 0 a 0, e em nenhum deles o Paraguai desmoronou depois: é um time que aceita o empate como parte do repertório. Isso sugere organização para defender o jogo e maturidade para não se abrir por ansiedade. E quando o Paraguai venceu, muitas vezes foi por 1 a 0 — a vitória mínima como plano de trabalho.

Há também um Paraguai que cresce quando encontra um primeiro gol. Em cinco vitórias por 1 a 0, o time administrou o restante com disciplina. E nas vitórias por 2 a 0 e 2 a 1, o padrão foi semelhante: gol cedo ou no momento certo, e depois jogo controlado. Contra o Uruguai (2 a 0), marcou aos 13' e, mesmo assim, não virou uma equipe de ataque desenfreado; fechou o meio do caminho e ampliou no pênalti aos 81'. É uma assinatura: não correr mais do que o necessário.

O repertório ofensivo, pelo que aparece na lista de gols, tem caras recorrentes. Sanabria é o nome que mais se repete, com gols decisivos: marcou contra Bolívia, fez dois contra Venezuela e marcou contra Argentina. Enciso aparece em momentos de tensão (gol aos 90+1' na altitude e gol em Barranquilla, além de pênalti contra o Uruguai). Galarza também aparece em jogos-chave (Uruguai e Peru). Isso indica um ataque com protagonistas definidos, mas não totalmente dependente de um só homem — há pelo menos três nomes com impacto direto em vitórias e empates.

A vulnerabilidade do Paraguai mora no tipo de jogo em que precisa correr atrás. Quando sai atrás cedo, como contra a Colômbia em Barranquilla (gols sofridos aos 1' e 13'), o time até reage e empata, mas paga um preço: precisa subir o risco, precisa alterar a paciência. E quando a partida é decidida num detalhe contra, como o pênalti aos 11' sofrido diante da Colômbia em Assunção, o roteiro fica duro de reverter, porque a equipe não costuma produzir goleadas de resposta.

Outro ponto: o Paraguai empata muito fora (5 empates em 9 jogos como visitante). Isso tem valor de campanha, mas no Mundial pode ser uma faca de dois gumes: empates podem manter vivo, mas também podem exigir vitória na última rodada. A equipe parece confortável no “não perder”, e o desafio é transformar esse conforto em “ganhar quando precisa”.

Em resumo, o Paraguai joga como quem leva a partida para o próprio território emocional: poucos gols, poucos sustos, e muito peso em momentos específicos. Para dar salto no Mundial, o time não precisa virar outro; precisa só aumentar um pouco a capacidade de fazer o primeiro gol sem perder o equilíbrio — porque seu melhor futebol começa quando o placar está a favor.

O grupo no Mundial

O Grupo D oferece um roteiro com três cenários bem diferentes, mas com um fio condutor: todos exigem do Paraguai a mesma competência central — controlar o jogo para que ele não vire uma avalanche. A estreia é contra os Estados Unidos, depois vem um duelo contra um rival europeu ainda por definirse via play-off, e fecha contra a Austrália. Dois jogos no Levi's Stadium, em San Francisco, e um no SoFi Stadium, em Los Angeles: geografia repetida, rotina que pode ajudar na logística e na preparação emocional.

O primeiro jogo já coloca o Paraguai diante de um adversário com estádio grande e ambiente de abertura de campanha. Estados Unidos vs. Paraguai, em 12 de junho de 2026, no SoFi Stadium, é partida em que o primeiro impacto conta: quem se assusta vira refém do contexto. Para o Paraguai, a missão é simples de dizer e complexa de executar: não entregar transições fáceis e manter o jogo em volume controlado. Um Paraguai que sofre pouco tem, aí, uma vantagem psicológica.

O segundo jogo é contra “Rival por definirse, saldrá do play-off UEFA Ruta C: Eslovaquia, Kosovo, Turquia ou Romênia.” A frase é longa, mas a ideia é direta: o adversário sai de um funil europeu, e isso significa um jogo de leitura, não de etiqueta. Para o Paraguai, tende a ser uma partida em que cada duelo é medido e cada bola parada ganha dimensão. Se o Paraguai for o mesmo das Eliminatórias, tentará fazer o jogo ficar curto, e depois achar o golpe certo.

O terceiro jogo é Paraguai vs. Austrália, em 25 de junho de 2026, também no Levi's Stadium. Em grupos, a última rodada costuma ter um ar de cálculo, mas o Paraguai não precisa de cálculos para entender seu próprio manual: se o time chegar vivo, vai preferir a tensão organizada ao descontrole. A Austrália, por perfil histórico de competitividade e força de duelos, costuma pedir jogo físico e atenção a segundas bolas. Para o Paraguai, é o tipo de partida em que a concentração precisa durar mais do que a empolgação.

Tabela — Jogos do Paraguai no Grupo D

Data Estádio Cidade Rival
12 de junho de 2026 SoFi Stadium Los Ángeles Estados Unidos
19 de junho de 2026 Levi's Stadium San Francisco Rival por definirse, saldrá do play-off UEFA Ruta C: Eslovaquia, Kosovo, Turquia ou Romênia.
25 de junho de 2026 Levi's Stadium San Francisco Austrália

Jogo 1 — Estados Unidos vs. Paraguai Guion provável: estreia de Copa tende a ser nervosa, com o time da casa tentando acelerar e o visitante tentando baixar a temperatura. Pelo perfil das Eliminatórias, o Paraguai vai buscar um jogo de poucos espaços, aceitando minutos longos sem bola se isso significar não conceder chances claras. O risco é tomar um gol cedo e ser obrigado a sair do plano. Prognóstico: empate.

Jogo 2 — Rival por definirse, saldrá do play-off UEFA Ruta C: Eslovaquia, Kosovo, Turquia ou Romênia vs. Paraguai Guion provável: partida para jogar com a cabeça fria. Um rival europeu de play-off pode trazer intensidade e organização, mas também tende a ser um jogo de leitura de detalhes, sem margem para distrações. O Paraguai tem mostrado que sabe sobreviver fora e sabe travar jogos grandes; se conseguir colocar o placar em 0 a 0 por muito tempo, pode transformar a partida em um cenário favorável. Prognóstico: empate.

Jogo 3 — Paraguai vs. Austrália Guion provável: a última rodada costuma exigir clareza. Se a classificação estiver em aberto, o Paraguai vai precisar de uma versão um pouco mais corajosa do próprio ataque — sem cair na armadilha de se desorganizar. Aqui, a bola parada e a eficiência podem ser decisivas. O Paraguai já mostrou que consegue ganhar por 1 a 0 e também que sabe fazer 2 gols quando encontra o timing. Prognóstico: ganha Paraguai.

Chaves para classificar

  • Entrar no Mundial com a mesma matemática defensiva das Eliminatórias: sofrer pouco para não viver de milagres.
  • Transformar 0 a 0 em plataforma, não em destino: quando o jogo pedir, encontrar um gol sem perder o controle.
  • Ganhar peso nas áreas: o Paraguai venceu muito com placares curtos; isso exige excelência em bolas paradas e concentração em rebotes.
  • Evitar o roteiro do “sair atrás cedo”, como aconteceu em Barranquilla: o time reage, mas paga caro em energia e risco.
  • Fazer do Levi's Stadium um hábito: dois jogos no mesmo estádio são chance de repetir rotinas e reduzir variáveis.

Opinião editorial

O Paraguai chega com uma virtude que não se compra: confiabilidade. Em 18 jogos de Eliminatórias, sofreu 10 gols e empatou fora com frequência sem virar refém do medo. Isso não é glamour; é competitividade. E em Copa, competitividade é o idioma universal: quem não se entrega, sempre fica perto do próximo capítulo.

Mas existe uma fronteira perigosa nesse estilo: viver demais do 1 a 0. Quando o jogo vira uma negociação de detalhes, qualquer detalhe contra vira sentença. O Paraguai precisa de um plano A que é sólido — ele já tem — e de um plano B que seja simples: encontrar um gol a mais sem perder o que o sustenta. Não é pedir revolução; é pedir um degrau de ambição.

O Mundial, para o Paraguai, não pede que ele se transforme em algo que não é. Pede que leve sua identidade ao extremo da concentração e que, quando a chance aparecer, não hesite. A campanha mostrou que a Albirroja tem nervo para segurar 0 a 0 em Montevidéu, em Quito, em Santiago. Mostrou que consegue bater Brasil e Argentina em Assunção sem precisar de quatro gols. Isso é repertório.

A advertência concreta está escrita num único lance: o pênalti sofrido aos 11 minutos contra a Colômbia, em 21 de novembro de 2023, que virou derrota por 1 a 0 em casa. Em um time de margem curta, uma falta na área não é só uma falta: é o jogo inteiro. Se o Paraguai quiser ir longe, o detalhe precisa ser aliado — não carrasco.