Catar - Grupo B
Catar 🇶🇦🔥 Atravessando desertos e tempestades para chegar vivo ao grupo
Um percurso de extremos nas Eliminatórias da AFC e um Grupo B de Mundial que exige sangue-frio e precisão
Introdução
Há seleções que caminham; Catar, nesta história, parece alternar entre corrida e tropeço. Um dia, abre o placar como quem acende as luzes de um estádio inteiro — e não para mais. No seguinte, perde o rumo por 15 minutos e o jogo vira um vendaval que não se controla com discurso nem com posse estéril. O fio condutor, porém, é claro: quase nunca falta gol, quase nunca falta narrativa.
Porque a campanha catariana nestas Eliminatórias asiáticas é feita de picos e vales bem marcados. No mesmo recorte competitivo, a equipe foi capaz de assinar um 8–1 em casa e, mais adiante, sofrer um 0–5 fora. E isso, para além do placar, conta algo sobre um time que quando encontra ritmo, castiga; quando se desorganiza, paga caro. Entre o melhor e o pior, há um trabalho de reconstrução que ainda está em andamento, mas com indícios concretos de evolução no trecho mais recente.
Os números ajudam a aterrissar o enredo. Na Segunda ronda, Grupo A, Catar terminou em 1º: 16 pontos em 6 jogos, com 5 vitórias e 1 empate, 18 gols marcados e 3 sofridos, saldo de +15. Depois, na Terceira ronda, no mesmo Grupo A, a equipe fechou em 4º: 13 pontos em 10 partidas, com 17 gols a favor e 24 contra, saldo de -7. Na Quarta ronda, Grupo A, abriu com 4 pontos em 2 jogos, invicta, 2 gols marcados e 1 sofrido.
Três momentos-bisagra explicam a montanha-russa com data e placa. Primeiro, o cartão de visita: 16 de novembro de 2023, Catar 8–1 Afeganistão, um jogo em que a seleção transformou o início em avalanche, com múltiplos autores e pênaltis convertidos para selar a superioridade. Segundo, a ferida mais funda: 19 de novembro de 2024, Emirados Árabes Unidos 5–0 Catar, partida que expôs fragilidades defensivas e, sobretudo, a dificuldade de sobreviver quando o adversário acelera e encontra espaços cedo. Terceiro, o ponto de virada emocional: 5 de junho de 2025, Catar 1–0 Irã, uma vitória curta, mas valiosa, que mostra que o time também pode vencer na margem mínima, sem precisar de goleada para respirar.
Há, ainda, uma última cena que muda o tom do filme: 14 de outubro de 2025, na Quarta ronda, Catar 2–1 Emirados Árabes Unidos. Não é apenas um resultado; é uma resposta direta ao 0–5 anterior. Um recado de que, quando o roteiro oferece revanche, Catar já encontra ferramentas para não repetir o colapso — e isso vale ouro quando o calendário aperta e cada detalhe vira sentença.
El caminho por Eliminatorias
A trajetória do Catar dentro da AFC, conforme os dados disponíveis, está organizada em rondas, com fase de grupos na Segunda ronda, nova fase de grupos na Terceira e uma Quarta ronda também em formato de grupo. O que importa, para a leitura de desempenho, é que o Catar foi dominante quando o contexto lhe favoreceu — e vulnerável quando subiu o nível de exigência. Essa passagem de “controle” para “sobrevivência” é o coração do processo.
Na Segunda ronda, Grupo A, a equipe caminhou com autoridade. Foram 6 jogos, 16 pontos, invicta, com 18 gols marcados e só 3 sofridos. A diferença de gols de +15 não é enfeite: é sinal de produção ofensiva constante e de uma defesa que, naquele patamar de rivais, conseguiu limitar danos. O 8–1 sobre o Afeganistão (16 de novembro de 2023) abriu a campanha como manifesto: intensidade cedo, volume de chegadas e uma execução fria nas bolas paradas, inclusive com pênaltis. E fora de casa também houve impacto: em 21 de novembro de 2023, Índia 0–3 Catar, vitória limpa, sem concessões.
O meio do caminho confirmou o padrão. Em 21 de março de 2024, Catar 3–0 Kuwait; e em 26 de março de 2024, Kuwait 1–2 Catar, uma dupla de resultados que consolidou a liderança. Mesmo quando não conseguiu transformar domínio em gol, o time sustentou competitividade: 6 de junho de 2024, Afeganistão 0–0 Catar, um empate fora que, isoladamente, não muda a história, mas ajuda a entender algo importante sobre a equipe: nem sempre o volume vira placar, e às vezes a paciência não basta para destravar. Ainda assim, fechou com vitória em casa: 11 de junho de 2024, Catar 2–1 Índia.
A Terceira ronda, Grupo A, foi outra conversa: 10 jogos, 13 pontos, 4 vitórias, 1 empate e 5 derrotas. O dado mais duro está no saldo: 17 gols marcados, 24 sofridos. É um time que fez gol com frequência — média de 1,7 por jogo — mas sofreu ainda mais: 2,4 por partida. E quando a conta defensiva estoura, não há ataque que pague a fatura sempre.
A sequência inicial já trouxe alerta. Em 5 de setembro de 2024, Catar 1–3 Emirados Árabes Unidos: derrota em casa, com o adversário definindo no fim e ampliando no último lance, um tipo de final de jogo que deixa marcas. Cinco dias depois, 10 de setembro de 2024, Coreia do Norte 2–2 Catar: empate fora com pênalti convertido por Afif e gol de Ali, mas com duas concessões. Em 10 de outubro de 2024, Catar 3–1 Quirguistão, vitória mais “normal”, com um gol contra ajudando a pavimentar, mas com novo gol sofrido. E então veio o choque: 15 de outubro de 2024, Irã 4–1 Catar, um banho de realidade contra um líder que puniu erros e acelerou no segundo tempo.
O trecho central misturou reação e recaída. Em 14 de novembro de 2024, Catar 3–2 Uzbequistão, vitória de peso com gol decisivo de Mendes já nos acréscimos, mas que também escancarou fragilidade: levou dois gols em cinco minutos no segundo tempo e quase deixou escapar. Cinco dias depois, 19 de novembro de 2024, Emirados Árabes Unidos 5–0 Catar: um colapso total, com um adversário que encontrou o caminho do gol cedo e repetiu a dose. O placar tem assinatura de noite em que tudo dá errado: penalidades, bola nas costas, descontrole emocional. A partir dali, o desafio foi reconstruir credibilidade.
E aí, sim, aparecem sinais de correção. Em 20 de março de 2025, Catar 5–1 Coreia do Norte: goleada que mistura virtudes ofensivas e uma capacidade de sufocar o rival. Em 25 de março de 2025, Quirguistão 3–1 Catar: nova derrota fora, com gols sofridos no fim e uma sensação de que, longe de casa, a equipe ainda alterna entre competir e se perder. Mas o 5 de junho de 2025, Catar 1–0 Irã, é uma peça-chave: vitória curta, de margem mínima, com gol de Ró-Ró. Um jogo desses costuma dizer “sabemos sofrer” — mesmo que o registro completo de chances não esteja nos dados, a própria lógica do placar contra o líder sugere um Catar mais pragmático. O fechamento, contudo, voltou a doer: 10 de junho de 2025, Uzbequistão 3–0 Catar, derrota fora e sem marcar.
A Quarta ronda, Grupo A, abre um capítulo diferente: curto, mas simbólico. Em 8 de outubro de 2025, Omã 0–0 Catar: jogo sem gols, um tipo de partida que pode ser ouro em fase apertada, desde que venha acompanhado de vitórias em casa. E, na sequência, 14 de outubro de 2025, Catar 2–1 Emirados Árabes Unidos: uma vitória que vale em pontos e em narrativa. Khoukhi e Ró-Ró marcaram; e, com isso, Catar não só somou como se reposicionou mentalmente diante de um rival que havia aplicado uma goleada humilhante meses antes.
A leitura das tabelas confirma o percurso em camadas. Na Segunda ronda, o Catar foi 1º com folga: 16 pontos, enquanto o 2º foi o Kuwait com 7. Na Terceira ronda, terminou 4º, atrás de Irã (23), Uzbequistão (21) e Emirados (15), e acima de Quirguistão (8) e Coreia do Norte (3). Ou seja: não foi desastre absoluto, mas ficou claramente na zona de “meio de tabela” de um grupo forte. Já na Quarta ronda, em 2 jogos, está em 1º com 4 pontos, à frente de Emirados (3) e Omã (1). É um começo pequeno em amostra, mas grande em mensagem: o time encontrou um jeito de pontuar sem se expor tanto.
E a segmentação numérica, mesmo simples, deixa pistas. Na Terceira ronda, em 10 jogos, Catar sofreu 24 gols: quando perde, muitas vezes perde feio. Há derrotas por 3–1, 4–1, 5–0, 3–0. Em contrapartida, também tem vitórias elásticas como 5–1 e 3–1, e um 1–0 contra o líder do grupo. Isso desenha um time de oscilação alta: ou encaixa e atropela, ou erra e desaba. O desafio competitivo, sobretudo pensando em Mundial, é reduzir o intervalo entre os dois extremos.
Tabela 1: Partidas do Catar nas Eliminatórias conforme os dados
| Data | Ronda ou Jornada | Grupo | Rival | Condição | Resultado | Artilheiros | Sede |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 16 de novembro de 2023 | A | Afeganistão | Casa | 8:1 | Catar: Al-Haidos 11', Ali 15', 26', 33' pen., 45+3' pen., Meshaal 18', Alaaeldin 53' pen., Al-Abdullah 90+4'. Afeganistão: Sharifi 13'. | Estádio Internacional Jalifa, Rayán | |
| 21 de novembro de 2023 | A | Índia | Fora | 0:3 | Catar: Meshaal 4', Ali 47', Abdurisag 88'. | Estádio Kalinga, Bhubaneshwar | |
| 21 de março de 2024 | A | Kuwait | Casa | 3:0 | Catar: Afif 47', 68', Al-Rawi 51'. | Estádio Jassim bin Hamad, Rayán | |
| 26 de março de 2024 | A | Kuwait | Fora | 1:2 | Kuwait: Daham 79'. Catar: Ali 77', 80'. | Estádio Ali Al-Salem Al-Sabah, Al-Farwaniya | |
| 6 de junho de 2024 | A | Afeganistão | Fora | 0:0 | Cidade Deportiva do Príncipe Abdalá bin Jalawi, Al-Hasa | ||
| 11 de junho de 2024 | A | Índia | Casa | 2:1 | Catar: Aymen 73', Al-Rawi 85'. Índia: Chhangte 37'. | Estádio Jassim bin Hamad, Rayán | |
| 5 de setembro de 2024 | Jornada 1 | A | Emirados Árabes Unidos | Casa | 1-3 | Catar: Al-Hassan 38'. Emirados: Abdalla 68', Ibrahim 80', Saleh 94' | Estádio Áhmad bin Ali, Rayán |
| 10 de setembro de 2024 | Jornada 2 | A | Coreia do Norte | Fora | 2-2 | Coreia do Norte: Ri Il-song 19', Kang Kuk-chol 51'. Catar: Afif 31' pen., Ali 44' | Novo Estádio Nacional, Vientián |
| 10 de outubro de 2024 | Jornada 3 | A | Quirguistão | Casa | 3-1 | Catar: Ali 39', Kozubaev 63' a.g., Al-Hassan 81'. Quirguistão: Shukurov 76' | Estádio Al Thumama, Doha |
| 15 de outubro de 2024 | Jornada 4 | A | Irã | Fora | 4-1 | Irã: Azmoun 42', 48', Mohebi 65', 90+8'. Catar: Ali 17' | Estádio Al-Rashid, Dubái |
| 14 de novembro de 2024 | Jornada 5 | A | Uzbequistão | Casa | 3-2 | Catar: Ali 25', 41', Mendes 90+12'. Uzbequistão: Fayzullaev 75', 80' | Estádio Jassim bin Hamad, Rayán |
| 19 de novembro de 2024 | Jornada 6 | A | Emirados Árabes Unidos | Fora | 5-0 | Emirados: Fábio Lima 4', 45' pen., 45+5', 56' pen., Al-Ghassani 73' | Estádio Al-Nahyan, Abu Dabi |
| 20 de março de 2025 | Jornada 7 | A | Coreia do Norte | Casa | 5-1 | Catar: Afif 17', Al Ganehi 23', Kim Yu-Song 34' a.g., Al-Rawi 56', Alaaeldin 66'. Coreia do Norte: Pak Kwang-hun 86' | Estádio Jassim bin Hamad, Rayán |
| 25 de março de 2025 | Jornada 8 | A | Quirguistão | Fora | 3-1 | Quirguistão: Kichin 45+1', Mishchenko 82', Shukurov 90+3'. Catar: Lucas Mendes 52' | Estádio Dolen Omurzakov, Biskek |
| 5 de junho de 2025 | Jornada 9 | A | Irã | Casa | 1-0 | Catar: Ró-Ró 41' | Estádio Jassim bin Hamad, Rayán |
| 10 de junho de 2025 | Jornada 10 | A | Uzbequistão | Fora | 3-0 | Uzbequistão: Turgunboev 28', Shomurodov 86', Sergeev 90+2' | Estádio Milliy, Taskent |
| 8 de outubro de 2025 | Quarta ronda | A | Omã | Fora | 0:0 | ||
| 14 de outubro de 2025 | Quarta ronda | A | Emirados Árabes Unidos | Casa | 2:1 | Boualem Khoukhi, Ró-Ró; Sultan Adil |
Tabela 2: Tabelas de posições conforme os dados, na ordem de aparição
Tabela 1
| Ronda | Grupo | Pos. | Equipe | Pts. | PJ | G | E | P | GF | GC | Dif. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Segunda | A | 1 | Catar | 16 | 6 | 5 | 1 | 0 | 18 | 3 | +15 |
| Segunda | A | 2 | Kuwait | 7 | 6 | 2 | 1 | 3 | 6 | 6 | 0 |
| Segunda | A | 3 | Índia | 5 | 6 | 1 | 2 | 3 | 3 | 7 | -4 |
| Segunda | A | 4 | Afeganistão | 5 | 6 | 1 | 2 | 3 | 3 | 14 | -11 |
Tabela 2
| Ronda | Grupo | Pos. | Equipe | Pts. | PJ | G | E | P | GF | GC | Dif. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Terceira | A | 1 | Irã | 23 | 10 | 7 | 2 | 1 | 19 | 8 | +11 |
| Terceira | A | 2 | Uzbequistão | 21 | 10 | 6 | 3 | 1 | 14 | 7 | +7 |
| Terceira | A | 3 | Emirados Árabes Unidos | 15 | 10 | 4 | 3 | 3 | 15 | 8 | +7 |
| Terceira | A | 4 | Catar | 13 | 10 | 4 | 1 | 5 | 17 | 24 | -7 |
| Terceira | A | 5 | Quirguistão | 8 | 10 | 2 | 2 | 6 | 12 | 18 | -6 |
| Terceira | A | 6 | Coreia do Norte | 3 | 10 | 0 | 3 | 7 | 9 | 21 | -12 |
Tabela 3
| Ronda | Grupo | Pos. | Equipe | Pts. | PJ | G | E | P | GF | GC | Dif. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Quarta | A | 1 | Catar | 4 | 2 | 1 | 1 | 0 | 2 | 1 | +1 |
| Quarta | A | 2 | Emirados Árabes Unidos | 3 | 2 | 1 | 0 | 1 | 3 | 3 | 0 |
| Quarta | A | 3 | Omã | 1 | 2 | 0 | 1 | 1 | 1 | 2 | -1 |
Cómo joga
O Catar que emerge dos placares é um time que se sente confortável quando o jogo vira uma sequência de ataques com finalização. Isso não é achismo: na Segunda ronda, marcou 18 gols em 6 partidas, com uma goleada de 8–1 e vitórias fora por 3–0 e 2–1. Na Terceira ronda, mesmo terminando em 4º, ainda produziu 17 gols em 10 jogos. Ou seja: o gol aparece. O ponto é o custo defensivo quando o adversário também aparece com frequência na área catariana.
A primeira marca é a capacidade de “acender” o jogo cedo. O 8–1 sobre o Afeganistão teve gol aos 11 minutos e uma avalanche de ações decisivas ainda no primeiro tempo. O 0–3 sobre a Índia teve gol aos 4 minutos. E o 5–1 sobre a Coreia do Norte também começou com gol aos 17 e ampliou aos 23. Isso sugere um time que, quando consegue impor iniciativa, transforma a vantagem inicial em campo inclinado: força o rival a correr atrás e aumenta o número de situações de gol.
A segunda marca é a volatilidade do placar quando o duelo pede controle emocional e defensivo. Na Terceira ronda, o Catar sofreu derrotas pesadas: 4–1 contra o Irã, 5–0 contra os Emirados, 3–0 contra o Uzbequistão. Em três jogos, foram 12 gols sofridos e apenas 1 marcado. Esse tipo de recorte costuma apontar um problema de “jogo longo”: quando o time perde o eixo, não consegue limitar danos, e o placar escapa. Isso é crucial para torneio curto como Copa: um jogo fora da curva pesa não só em pontos, mas em saldo e confiança.
A terceira marca é a dualidade entre jogos de margem mínima e partidas abertas. Há o 1–0 sobre o Irã, que contrasta com a tendência de gols para ambos os lados. Na mesma Terceira ronda, o Catar empatou 2–2 fora com a Coreia do Norte e venceu 3–2 o Uzbequistão em casa. O desenho é de uma equipe que, quando não encontra o “modo 1–0”, entra em partidas de alta variância: o ataque resolve, mas a defesa permite o retorno do adversário.
A quarta marca vem do repertório de Artilheiros, que aparece com alguma diversidade nos registros. Ali, Afif, Al-Rawi, Al-Hassan, Ró-Ró, Mendes, Meshaal, Alaaeldin e outros nomes aparecem como autores. Isso é um sinal positivo: o Catar não depende de um único sobrenome para marcar em todo o percurso. Ao mesmo tempo, há uma concentração contextual: Ali e Afif aparecem com recorrência em jogos importantes, inclusive em partidas de Terceira ronda. Numa leitura de rendimento, diversidade ajuda a sobreviver quando o plano A é bloqueado; mas a equipe precisa que essa variedade venha junto de equilíbrio defensivo.
O principal ponto vulnerável, a julgar pelo histórico de placares, está nos jogos fora de casa contra rivais de nível mais alto ou de transição mais agressiva. O Catar perdeu fora por 4–1, 5–0, 3–1 e 3–0 na Terceira ronda. Em contraste, em casa, conseguiu vitórias como 3–2 sobre o Uzbequistão e 1–0 sobre o Irã. A mensagem é simples e valiosa: quando o Catar consegue “controlar o ambiente” — seja por mando, seja por ritmo — ele compete; quando o ambiente o engole, ele sofre.
E é aqui que a Quarta ronda começa a insinuar uma correção de rota. Um 0–0 fora contra Omã pode não ser bonito, mas é um tipo de resultado que reduz o risco de colapso. E o 2–1 em casa contra os Emirados mostra que, com placar apertado, o time tem como ganhar sem precisar virar goleada. Em linguagem de performance: menos exposição, mais pragmatismo, mais capacidade de sustentar vantagem.
O grupo no Mundial
O Grupo B do Mundial reserva ao Catar um cenário claro e duro: três jogos que pedem maturidade para não se deixar levar pelo roteiro emocional. O calendário coloca dois adversários definidos — Suíça e Canadá — e um terceiro que depende de um play-off europeu, descrito aqui sem códigos, como deve ser: rival por definirse, saldrá del play-off UEFA Ruta A: Gales, Bosnia y Herzegovina, Italia o Irlanda del Norte. Isso muda o tipo de preparação: dá para estudar dois oponentes com nitidez, e o terceiro exige um plano mais baseado em princípios do próprio Catar do que em detalhes do adversário.
O primeiro jogo é uma estreia que costuma definir o humor do grupo. Em 13 de junho de 2026, no Levi's Stadium, em San Francisco, o Catar enfrenta a Suíça. Não há, nos dados fornecidos, estatísticas da Suíça ou contexto recente, então o foco precisa ser catariano: estrear bem, para este time, é sinônimo de não ceder primeiro e manter o jogo na zona do placar curto. Quando o Catar consegue iniciar com vantagem ou empate prolongado, seu ataque costuma aparecer com o passar dos minutos. Quando precisa correr atrás cedo, a história vira nervosismo e exposição.
O segundo jogo, em 18 de junho de 2026, no BC Place, em Vancouver, é Canadá vs Catar. Aqui o componente de deslocamento e ambiente pesa. E o Catar, pelos resultados da Terceira ronda, teve dificuldades fora em jogos que pediam atenção aos momentos finais. Se o duelo for equilibrado, o objetivo prático é simples: não transformar o jogo em tiroteio de transições. Em termos de placar, o Catar vive melhor quando ele escolhe quando acelerar.
O terceiro jogo fecha a fase em 24 de junho de 2026, no Lumen Field, em Seattle: rival por definirse, saldrá del play-off UEFA Ruta A: Gales, Bosnia y Herzegovina, Italia o Irlanda del Norte vs Catar. É o típico confronto que pode vir com pressão matemática: dependendo da pontuação anterior, pode ser jogo de classificação ou de sobrevivência. O Catar, por sua oscilação, precisa pensar esse jogo como prova de gestão de risco. Não se trata de “quem é mais forte” — e sim de como o Catar se organiza para não dar ao adversário um atalho para o gol.
Tabela: Jogos do Catar no Grupo B do Mundial
| Data | Estádio | Cidade | Rival |
|---|---|---|---|
| 13 de junho de 2026 | Levi's Stadium | San Francisco | Suíça |
| 18 de junho de 2026 | Estádio BC Place | Vancouver | Canadá |
| 24 de junho de 2026 | Lumen Field | Seattle | Rival por definirse, saldrá del play-off UEFA Ruta A: Gales, Bosnia y Herzegovina, Italia o Irlanda del Norte. |
Partida a partida, o guião provável passa por um Catar que tenta equilibrar a coragem ofensiva com um freio defensivo. Contra a Suíça, o cenário mais saudável é um jogo amarrado, de placar curto, em que o Catar não permita uma sequência de golpes que lembre as derrotas pesadas da Terceira ronda. Se conseguir manter o adversário na casa de 0 ou 1 gol sofrido, o Catar tem repertório de finalização para beliscar o placar. Prognóstico: empate.
Contra o Canadá, o Catar precisa ser cirúrgico nos momentos de instabilidade. Pelos dados, quando o time sofre gols em sequência, o placar foge. Então a prioridade é uma: não oferecer 10 minutos de descontrole. Se o jogo caminhar em equilíbrio, a seleção catariana tem condições de encontrar um gol em bola parada ou em chegada de segunda linha — algo que aparece na variedade de Artilheiros ao longo das Eliminatórias. Prognóstico: empate.
No terceiro jogo, contra o rival por definirse, saldrá del play-off UEFA Ruta A: Gales, Bosnia y Herzegovina, Italia o Irlanda del Norte, o Catar tende a precisar de assertividade. A postura mais realista, olhando a oscilação da campanha, é buscar um jogo com menos concessões, com paciência e sem ansiedade. Se entrar em modo “trocação”, aumenta a chance de sofrer múltiplos gols, como ocorreu em alguns jogos fora e contra rivais fortes na Terceira ronda. Prognóstico: empate.
Chaves para sonhar com a classificação
- Reduzir a taxa de gols sofridos: quando o Catar passa de 2 gols concedidos, sua chance de pontuar despenca, como mostram as derrotas largas na Terceira ronda.
- Levar o jogo para o placar curto: o 1–0 sobre o Irã e o 0–0 contra Omã mostram que existe um “modo pragmático” que precisa aparecer mais.
- Aproveitar o primeiro gol: em vitórias grandes, o Catar costuma marcar cedo e controlar o roteiro; estrear sem se desorganizar é meio caminho.
- Transformar diversidade ofensiva em solução: com vários nomes marcando ao longo do caminho, o Catar ganha alternativas para jogos travados.
Opinião editorial
O Catar chega ao Mundial com uma identidade dupla: a seleção capaz de atropelar quando encontra espaço e a seleção que se perde quando o jogo vira punição a cada erro. O trabalho mais importante não é “inventar um estilo novo”; é domar os extremos. Porque o futebol de torneio curto não premia quem joga bonito em um dia e some no seguinte: premia quem erra menos, quem não entrega sequência de golpes, quem mantém o jogo vivo até o fim.
A boa notícia é que há sinais de aprendizagem: vencer o Irã por 1–0 e, depois, bater os Emirados por 2–1 na Quarta ronda é um tipo de resposta que não aparece em times sem casca. A má notícia é que a memória do 5–0 em Abu Dabi continua como aviso do que acontece quando a estrutura se rompe: não é só perder, é perder o jogo e o controle do jogo ao mesmo tempo.
O fechamento desta crônica não precisa de fogos: basta lembrar uma data e um placar como alerta concreto. Em 19 de novembro de 2024, Emirados Árabes Unidos 5–0 Catar foi mais que uma derrota; foi um retrato de fragilidade quando o rival acerta o primeiro soco e o Catar não consegue se recompor. Se a seleção quiser