Irã - Grupo G

Irã, a marcha firme do Team Melli rumo a 2026

🇮🇷 Irã, a marcha firme do Team Melli rumo a 2026

Um líder que vence no detalhe, castiga quando encontra espaço e chega ao Mundial com números de candidato a passar de fase.

Introdução

Há seleções que se classificam como quem atravessa uma ponte em dia de vento: com passos curtos, olhando para os lados, esperando que a madeira não estale. E há seleções que fazem o caminho como o Irã fez: com a bússola apontada para a frente, alternando goleadas sem piedade com vitórias de uma bola que valem ouro. Sem espetáculo constante, mas com uma ideia simples que se repete jogo após jogo: somar, controlar, sobreviver ao caos e, quando a brecha aparece, matar.

O roteiro tem cenas que ficam na memória porque resumem o personagem. A primeira é de impacto imediato: 16 de novembro de 2023, Irã 4–0 Hong Kong, em Teerã. Dois golpes de Azmoun cedo, Taremi no fim, e a porta fechada com Rezaeian nos acréscimos. A segunda é a fotografia de um jogo mais áspero: 21 de novembro de 2023, Uzbequistão 2–2 Irã, em Taskent, com o Irã marcando primeiro e depois tendo de administrar a reação. A terceira é a noite em que a maré quase vira de vez: 14 de novembro de 2024, Coreia do Norte 2–3 Irã, em Vientiã, com um gol contra de Taremi e resposta rápida, de time que não se desmancha quando o jogo sai do trilho.

Esse Irã não chega com a etiqueta do invencível — e isso, paradoxalmente, ajuda a descrevê-lo melhor. Ele chega como líder que aprendeu a ganhar o que precisa ganhar, a empatar quando é conveniente e a sofrer sem perder a linha. Na Segunda Fase das Eliminatórias asiáticas, fechou no topo do Grupo E com 14 pontos em 6 jogos, invicto, 16 gols a favor e 4 contra, saldo +12. Na Terceira Fase, elevou o teto: 23 pontos em 10 jogos no Grupo A, com 7 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota, 19 gols marcados e 8 sofridos, saldo +11.

Os números, porém, não contam sozinhos a história. O Irã se explica pelos momentos em que o placar parece uma extensão do seu temperamento: 5–0 no Turcomenistão em 21 de março de 2024, como quem impõe hierarquia sem rodeios; 1–0 no Quirguistão em 5 de setembro de 2024, como quem vence com o casaco fechado; e o 0–1 no Catar em 5 de junho de 2025, o alerta que lembra que, em jogos curtos, um detalhe vira sentença.

No fundo, o retrato é de uma seleção que constrói o caminho com uma matemática clara: sofre pouco, marca com frequência, e não se perde no drama do “jogo feio”. Há ritmo narrativo nisso: o Irã alterna capítulos de domínio e capítulos de resistência, mas quase sempre termina a página com a pontuação que queria.

O caminho pelas Eliminatórias

A campanha do Irã nas Eliminatórias da AFC, conforme os dados disponíveis, aparece dividida em duas etapas com tabelas próprias: Segunda Fase no Grupo E e Terceira Fase no Grupo A. E há um detalhe que salta aos olhos já no primeiro olhar para as classificações: em ambas as tabelas o Irã termina na primeira posição. Não é um acaso estatístico; é consistência de processo, com ajustes de margem. Na Segunda Fase, a vantagem foi no saldo. Na Terceira, a vantagem virou também de pontos e de capacidade de decisão em jogos apertados.

Antes de entrar em leituras táticas, vale o básico, porque o básico é forte. Na Segunda Fase, o Irã fecha com 14 pontos (4 vitórias, 2 empates, 0 derrotas). Marcação eficiente: 16 gols feitos em 6 jogos (média de 2,67), apenas 4 sofridos (0,67). A diferença para o Uzbequistão, segundo colocado, é mínima nos pontos (também 14), mas não é mínima no impacto: o Irã tem saldo +12 contra +9 do rival direto. É como ganhar uma corrida por centímetros, mas com o peito mais à frente na foto.

Na Terceira Fase, o cenário muda. O grupo é mais longo, a amostra aumenta e a regularidade passa a ser o critério mais cruel. O Irã responde com 23 pontos em 10 jogos: 7 vitórias, 2 empates e 1 derrota. O Uzbequistão volta a ser sombra e referência, com 21 pontos. Emirados Árabes Unidos ficam no meio da disputa com 15, e o restante do grupo despenca em aproveitamento. Essa distância não é um detalhe; ela sugere que o Irã encontrou um modo de competir que não depende de picos emocionais, mas de uma rotação de resultados que se repete.

O recorte dos jogos explica como se constrói uma liderança assim. Há uma sequência inicial de Terceira Fase que é quase um manifesto: 1–0 no Quirguistão, 0–1 nos Emirados fora, 0–0 no Uzbequistão fora. Não é futebol de fogos de artifício; é futebol de travas bem apertadas. A partir daí, vem o ponto de inflexão mais barulhento: 4–1 no Catar, em 15 de outubro de 2024, com dois de Azmoun e dois de Mohebi. A goleada não muda apenas a tabela; ela muda a narrativa interna do grupo, porque mostra que o Irã também sabe “abrir” um jogo quando encontra as condições.

Depois, o campeonato de sobrevivência. A vitória por 3–2 sobre a Coreia do Norte em 14 de novembro de 2024 tem roteiro de teste mental: gol contra, empate, vira e quase complica de novo. Em seguida, 3–2 no Quirguistão fora em 19 de novembro de 2024: outro jogo com cara de incômodo, outro jogo em que o Irã responde. E quando a temporada vira para março de 2025, há o 2–0 sobre os Emirados em Teerã, com Azmoun e Mohebi, e o 2–2 com o Uzbequistão em 25 de março: um empate que, pelo contexto da tabela, tem sabor de manutenção de vantagem — e também um aviso de que o rival sabe ferir.

A única derrota na Terceira Fase, 1–0 para o Catar em 5 de junho de 2025, funciona como a pancada inevitável de uma campanha longa: o tipo de jogo que o Irã costuma controlar, mas que escapa por um episódio (Ró-Ró aos 41’). E a reação vem do jeito mais “Irã” possível: 3–0 na Coreia do Norte em 10 de junho de 2025, com gols no fim do jogo (74’, 77’, 90+3’). É como se a seleção tivesse um botão de retorno ao plano — e apertasse sem hesitar.

A seguir, os dados completos de partidas e tabelas, porque o diagnóstico sem o chão do número vira literatura sem bola.

Tabela 1 — Partidas do Irã nas Eliminatórias AFC

Data Grupo Jornada Adversário Condição Resultado Artilheiros Sede
16 de novembro de 2023 E Hong Kong Casa 4:0 Irã: Azmoun 12', 15', Taremi 87', Rezaeian 90+2'. Estádio Azadi, Teherán
21 de novembro de 2023 E Uzbequistão Fora 2:2 Uzbequistão: Urunov 52', Sergeev 83'. Irã: Rezaeian 14', Taremi 38'. Estádio Milliy, Taskent
21 de março de 2024 E Turcomenistão Casa 5:0 Irã: Kanaani 10', 48', Azmoun 13', Mohebi 56', Noorafkan 90+2'. Estádio Azadi, Teherán
26 de março de 2024 E Turcomenistão Fora 0:1 Irã: Ghayedi 45+5'. Estádio Ashgabat, Asjabad
6 de junho de 2024 E Hong Kong Fora 2:4 Hong Kong: Ma Hei Wai 14', Pinto 59'. Irã: Taremi 12' (pen.), 34' (pen.), 56', Azmoun 65'. Estádio Hong Kong, Hong Kong
11 de junho de 2024 E Uzbequistão Casa 0:0 Estádio Azadi, Teherán
5 de setembro de 2024 A 1 Quirguistão Casa 1-0 Irã: Taremi (34') Estádio Foolad Shahr, Isfahán
10 de setembro de 2024 A 2 Emirados Árabes Unidos Fora 0-1 Irã: Ghayedi (45+3') Estádio Hazza bin Zayed, Al Ain
10 de outubro de 2024 A 3 Uzbequistão Fora 0-0 Estádio Milliy, Taskent
15 de outubro de 2024 A 4 Catar Casa 4-1 Irã: Azmoun (42', 48'), Mohebi (65', 90+8'); Catar: Ali (17') Estádio Al-Rashid, Dubái
14 de novembro de 2024 A 5 Coreia do Norte Fora 2-3 Coreia do Norte: Taremi (56' a.g.), Kim Yu-song (59'); Irã: Ghayedi (29'), Mohebi (41', 45') Nuevo Estádio Nacional, Vientián
19 de novembro de 2024 A 6 Quirguistão Fora 2-3 Quirguistão: Kojo (51', 64' pen.); Irã: Taremi (12'), Hardani (33'), Azmoun (76') Estádio Dolen Omurzakov, Biskek
20 de março de 2025 A 7 Emirados Árabes Unidos Casa 2-0 Irã: Azmoun (45+27'), Mohebi (70') Estádio Azadi, Teherán
25 de março de 2025 A 8 Uzbequistão Casa 2-2 Irã: Taremi (52', 83'); Uzbequistão: Erkinov (16'), Fayzullaev (53') Estádio Azadi, Teherán
5 de junho de 2025 A 9 Catar Fora 1-0 Catar: Ró-Ró (41') Estádio Jassim bin Hamad, Rayán
10 de junho de 2025 A 10 Coreia do Norte Casa 3-0 Irã: Mohebi (74'), Taremi (77'), Hosseinzadeh (90+3') Estádio Azadi, Teherán

Agora, as tabelas completas fornecidas, no mesmo ordenamento em que aparecem nos dados. Isso importa porque o Irã está presente em mais de uma fase, e cada fase tem sua própria lógica competitiva.

Tabela 2 — Tabela de posições

Ronda Grupo Pos. Equipe Pts. PJ G E P GF GC Dif.
Segunda E 1 Irã 14 6 4 2 0 16 4 +12
Segunda E 2 Uzbequistão 14 6 4 2 0 13 4 +9
Segunda E 3 Turcomenistão 2 6 0 2 4 4 14 -10
Segunda E 4 Hong Kong 2 6 0 2 4 4 15 -11

Tabela 3 — Tabela de posições

Ronda Grupo Pos. Equipe Pts. PJ G E P GF GC Dif.
Tercera A 1 Irã 23 10 7 2 1 19 8 +11
Tercera A 2 Uzbequistão 21 10 6 3 1 14 7 +7
Tercera A 3 Emirados Árabes Unidos 15 10 4 3 3 15 8 +7
Tercera A 4 Catar 13 10 4 1 5 17 24 -7
Tercera A 5 Quirguistão 8 10 2 2 6 12 18 -6
Tercera A 6 Coreia do Norte 3 10 0 3 7 9 21 -12

Com as duas fases em mãos, dá para segmentar o desempenho do Irã sem adivinhar nada além do que os placares permitem.

  1. Produção ofensiva e controle defensivo Somando as duas fases listadas, o Irã faz 35 gols (16 + 19) e sofre 12 (4 + 8) em 16 jogos: média de 2,19 marcados e 0,75 sofridos por partida. A assinatura é clara: defesa que raramente passa por tempestades longas e ataque que, mesmo quando não vira goleada, costuma encontrar um gol.

  2. Casa e fora: pragmatismo em viagem Na Terceira Fase, os jogos fora trazem um retrato especial: vitória por 1–0 nos Emirados, 0–0 no Uzbequistão, 3–2 na Coreia do Norte, 3–2 no Quirguistão e derrota por 0–1 no Catar. É uma sequência que mostra duas coisas: a) o Irã sabe “travar” o jogo (dois placares de 1–0/0–0 como visitante), b) e também sabe ganhar quando o jogo vira briga de área a área (dois 3–2 fora). A derrota no Catar aparece como o contraponto: quando o jogo pede paciência e uma chance se perde, o 0–1 não perdoa.

  3. Jogos de margem mínima e jogos de ruptura Se o torcedor quiser uma régua simples, ela existe: o Irã vence com frequência no “um gol é o bastante” (1–0 no Quirguistão; 1–0 nos Emirados; 1–0 no Turcomenistão fora) e, ao mesmo tempo, tem dias em que a rede vira rotina (4–0; 5–0; 4–1; 3–0). Não é um time preso a um único ritmo; é um time que escolhe o ritmo pelo contexto do jogo.

  4. O duelo permanente com o Uzbequistão Dois 0–0 (um na Segunda Fase em Teerã foi 0–0? Na Segunda, o 0–0 é em 11 de junho de 2024 em Teerã; na Terceira, o 0–0 é 10 de outubro de 2024 em Taskent) e dois 2–2 (21 de novembro de 2023 em Taskent e 25 de março de 2025 em Teerã). Isso desenha um tipo de rivalidade: jogos em que o Irã não dispara, mas também não cai. Em campanha de grupos, esse tipo de empate costuma ser investimento: não deixa o concorrente direto somar “por cima” e mantém o horizonte sob controle.

Como joga

O Irã, olhando apenas para o que os placares permitem dizer, parece uma seleção que confia na previsibilidade do próprio rendimento. Não no sentido de ser repetitiva, mas no sentido de saber o que precisa para não se complicar: poucos gols sofridos, muitos jogos com vantagem construída e uma capacidade de ajustar o volume ofensivo conforme o adversário e o momento.

O primeiro traço é defensivo e é numérico: em 16 jogos nas fases listadas, o Irã sofre 12 gols. E quando sofre, muitas vezes não é um desmonte; é um jogo que fica “vivo” até o fim. Na Terceira Fase, por exemplo, há vitórias por 3–2 fora duas vezes (Coreia do Norte e Quirguistão), o que indica partidas com instabilidade, mas também indica algo ainda mais importante: o Irã não perde a cabeça quando o placar começa a oscilar. Ele não precisa ser impenetrável para ser confiável; ele precisa ser resiliente, e isso aparece.

O segundo traço é a eficiência para transformar momentos em gols. Em várias partidas, o Irã marca em momentos de virada emocional: gols em acréscimos (Rezaeian aos 90+2’ contra Hong Kong; Noorafkan aos 90+2’ contra o Turcomenistão; Mohebi aos 90+8’ contra o Catar; Hosseinzadeh aos 90+3’ contra a Coreia do Norte). Isso não é “mística” — é padrão de equipe que mantém presença ofensiva até o final, seja por físico, seja por repertório para seguir chegando na área. E em jogo de seleção, em que a continuidade de jogo é menor, esse detalhe é enorme.

O terceiro traço é o repertório de resultados. Há goleadas em casa (4–0, 5–0) que mostram capacidade de impor. Mas há também vitórias minimalistas (1–0) que mostram maturidade. E há empates com cara de jogo grande contra o Uzbequistão (2–2, 0–0), que indicam um tipo de disciplina: quando o adversário é do mesmo patamar regional, o Irã não se expõe ao ponto de se auto-sabotar. Em outras palavras: o Irã alterna controle e oportunismo, sem se apaixonar por um só estilo de placar.

O quarto traço é a distribuição do gol entre nomes recorrentes, sem virar uma seleção de um homem só. Taremi aparece como marcador constante (inclusive com dois pênaltis no 4–2 em Hong Kong, além de gols em vitórias apertadas), Azmoun surge como detonador de goleadas (dois gols no 4–1 contra o Catar, dois no 4–0 em Hong Kong), e Mohebi entra como peça que empurra o time do “ganhar” para o “abrir vantagem” (dois gols no 4–1, dois no 3–2 contra a Coreia do Norte, além de participar do 3–0 final). Até a lista de artilheiros de partidas mostra contribuições pontuais que ajudam a explicar consistência: Kanaani com dois gols num 5–0, Noorafkan no fim, Hardani em vitória fora, Hosseinzadeh fechando um 3–0.

E onde mora a vulnerabilidade, sempre pela lente do resultado? Ela aparece quando o jogo fecha demais e o Irã não encontra o primeiro gol. O exemplo mais direto é a derrota por 0–1 para o Catar em 5 de junho de 2025: um jogo decidido por um único gol do rival, sem tempo de resposta no placar. Os empates sem gols (0–0 com Uzbequistão em 11 de junho de 2024 e 10 de outubro de 2024) sugerem o mesmo terreno: jogos em que o adversário segura o centro do campo e reduz a partida a poucas chances. Nessa paisagem, o Irã não desaba — mas o risco de ficar refém de um episódio aumenta.

O grupo no Mundial

O Mundial abre outra página: Grupo G, três jogos, três adversários com perfis distintos no imaginário do torcedor, mas que aqui precisam ser lidos com prudência e com foco no que é seguro afirmar. O Irã terá pela frente Nova Zelândia e Bélgica em Los Angeles, e Egito em Seattle. Dois jogos no mesmo estádio (SoFi Stadium) ajudam na logística e na rotina, e um deslocamento para o Lumen Field fecha a fase.

Há uma curiosidade narrativa nesse calendário: o Irã começa e volta ao mesmo palco, o SoFi, para o jogo 1 e o jogo 2. Isso costuma ser um fator silencioso em torneios curtos, porque reduz a fricção de viagem e treino. E na terceira rodada, muda o cenário: Seattle, outro gramado, outro clima, outro tipo de jogo emocional, porque terceira rodada quase sempre carrega conta de pontos.

A seguir, a tabela dos três jogos do grupo, como ponto de referência claro.

Data Estádio Cidade Rival
15 de junho de 2026 SoFi Stadium Los Angeles Nova Zelândia
21 de junho de 2026 SoFi Stadium Los Angeles Bélgica
26 de junho de 2026 Lumen Field Seattle Egito

Jogo 1 — Irã vs Nova Zelândia É o tipo de estreia em que a ansiedade pode atrapalhar mais do que o adversário. Para o Irã, o objetivo deveria ser transformar o jogo em algo que seus números conhecem bem: partida de controle, com risco defensivo baixo e busca do primeiro gol com paciência. Pelas Eliminatórias, o Irã mostrou que sabe ganhar com placares curtos e administrar: 1–0 no Quirguistão, 1–0 nos Emirados. Em estreia de Mundial, isso vira uma virtude. Prognóstico em linguagem direta: ganha Irã.

Jogo 2 — Bélgica vs Irã Aqui, o termômetro muda. Não é o tipo de jogo para “prometer” domínio, mas pode ser um jogo para competir com organização e tentar levar a partida para a zona em que o Irã se sente confortável: poucos gols sofridos e capacidade de resistir. Os 0–0 contra o Uzbequistão (duas vezes) e os 2–2 em jogos apertados sugerem que o Irã sabe sobreviver a partidas em que o rival tem qualidade para empurrar. O ponto decisivo será não sofrer primeiro cedo — porque, quando o Irã foi obrigado a correr atrás em contexto delicado, ele até reagiu (caso do 3–2 na Coreia do Norte), mas o risco cresce. Prognóstico: empate.

Jogo 3 — Egito vs Irã Terceira rodada costuma ser o jogo mais estratégico do grupo: pode ser final, pode ser administração, pode ser um tabuleiro em que um empate serve, ou em que uma vitória é obrigação. Sem assumir cenário de pontos, dá para dizer o essencial: o Irã tem histórico recente de marcar no fim e de sustentar intensidade até os minutos finais (múltiplos gols após 74’ e nos acréscimos). Em jogo que tende a ter nervo, esse detalhe é uma faca útil. Mas também existe o risco do 0–1 do Catar: se o Irã não for eficiente na primeira grande chance, pode pagar caro. Prognóstico: empate.

Chaves para classificar no Grupo G

  • Evitar que o grupo vire um concurso de gols sofridos: o Irã cresce quando o jogo fica no “placar curto”.
  • Encontrar o primeiro gol no jogo de estreia: o 1–0 é um resultado que o Irã sabe vestir.
  • Manter a cabeça fria em jogos que oscilam: as vitórias por 3–2 mostram força mental, mas também expõem o custo de conceder demais.
  • Aproveitar finais de jogo: a produção de gols nos minutos finais pode decidir pontos decisivos.

Opinião editorial

O Irã chega ao Mundial com algo que poucas seleções conseguem empacotar em números tão limpos: consistência. Liderar duas fases, sofrer pouco, ganhar fora com placar apertado e ainda ter dias de goleada é um cardápio raro. E mais raro ainda é não depender de uma única rota para vencer: às vezes o Irã mata cedo, às vezes cresce no fim, às vezes segura o 0–0 como quem guarda uma moeda que vai valer adiante.

Mas há uma advertência escondida no mesmo conjunto de dados que sustenta o otimismo: quando a partida fica travada e o Irã não acha o primeiro gol, o relógio vira adversário. O 0–1 contra o Catar em 5 de junho de 2025 é o lembrete mais duro: um episódio define uma campanha, e não há tabela que proteja contra a precisão do detalhe. Para ir longe, o Irã precisa que o seu pragmatismo não vire timidez — e que a sua paciência não vire espera.

O fechamento dessa história, por enquanto, é de uma seleção que aprendeu a ganhar com o mínimo e a ampliar quando o jogo permite. Em Eliminatórias, isso é fórmula de liderança. Em Mundial, isso pode ser fórmula de classificação. O Irã tem a cara de um time que não entrega o roteiro: pode não ser o protagonista mais chamativo, mas é aquele que chega ao último ato com chance real de continuar.

E, se for para escolher um único “sinal de trânsito” para não ignorar, ele está bem datado e bem claro: 5 de junho de 2025, Catar 1–0 Irã. Não é um trauma; é um manual. Em jogos de alto nível, um gol pode ser o mundo inteiro. O Irã já mostrou que sabe sobreviver ao mundo inteiro. Falta mostrar, no momento exato, que sabe também mudá-lo.