Haiti - Grupo C

Haití, os Grenadiers e a arte de sobreviver ao caos com gols e caráter

🇭🇹🔥 Haití, os Grenadiers e a arte de sobreviver ao caos com gols e caráter

Uma campanha de extremos, um artilheiro em modo furacão e uma classificação construída entre goleadas, cicatrizes e noites de nervo.

Introdução

Haití tem um tipo de futebol que não pede licença. Entra. Bate na porta com o ombro. E, quando o roteiro parece exigir silêncio, responde com um gol que muda o barulho do estádio — mesmo quando o “estádio” é emprestado, quando a casa vira mala e a mala vira casa. Há seleções que se explicam por uma ideia; Haití, nestas Eliminatórias, se explicou por uma sucessão de provas. Quase como se cada partida pedisse: “de novo?”. E os Grenadiers, com seus altos e baixos, voltaram sempre.

A caminhada começou com cara de missão: pontuar, impor, não se distrair. E Haití, por trechos, foi mais do que isso: foi avassalador. O 5 a 0 sobre Aruba em 7 de junho de 2025, fora de casa, foi um desses jogos em que o placar vira argumento final — Danley Jean Jacques, Frantzdy Pierrot, Ruben Providence, Duckens Nazon e Mondy Prunier assinando a goleada como quem marca presença numa foto histórica. Só que a mesma campanha também carregou um retrato em negativo: o 1 a 5 contra Curaçao em 10 de junho de 2025, um atropelo sofrido que doeu no placar e deixou números que não se apagam.

O curioso — e revelador — é que Haití não se quebrou. Pelo contrário: entrou na Terceira Ronda com a cabeça erguida e a planilha de pontos em aberto. O empate sem gols contra Honduras em 5 de setembro de 2025 abriu a fase final do grupo com tensão e disciplina; quatro dias depois, em 9 de setembro, veio um 3 a 3 em San José que teve roteiro de cinema e assinatura de um homem só: Duckens Nazon fez três (55’, 58’, 86’) e transformou uma tarde difícil num manifesto de resistência.

A fotografia estatística da Terceira Ronda é clara: Haití terminou no topo do Grupo C com 11 pontos em 6 jogos, campanha de 3 vitórias, 2 empates e 1 derrota, 9 gols marcados e 6 sofridos, saldo +3. É uma liderança que não se explica por um passeio, mas por consistência em jogos-chave: vitória fora por 3 a 0 contra Nicarágua em 9 de outubro de 2025, derrota pesada em Tegucigalpa por 0 a 3 contra Honduras em 13 de outubro, e resposta imediata com duas vitórias em casa emprestada — 1 a 0 sobre Costa Rica em 13 de novembro e 2 a 0 sobre Nicarágua em 18 de novembro, ambas no Estádio Ergilio Hato, em Willemstad.

Três momentos bisagra ajudam a contar essa campanha sem perder o fio humano. Primeiro: 10 de junho de 2025, Haití 1–5 Curaçao — o tipo de noite que expõe fragilidades e testa o vestiário. Segundo: 9 de setembro de 2025, Costa Rica 3–3 Haití — um empate com gosto de ponto e de aviso, porque Nazon mostrou que, mesmo sob pressão, a equipe tem como produzir. Terceiro: 13 de novembro de 2025, Haití 1–0 Costa Rica — vitória curta, dura, com gol de Pierrot aos 44’, que tem cara de jogo que “vale seis” na tabela emocional.

No fim, a campanha haitiana foi isso: uma coleção de capítulos diferentes, alguns luminosos, outros ásperos. E, ainda assim, coerentes entre si — porque a coerência, aqui, não foi estética. Foi competitiva.

O caminho pelas Eliminatórias

O formato da CONCACAF para a Copa do Mundo de 2026 foi desenhado em três rondas. A Segunda Ronda teve grupos e poucos jogos: cada seleção fez quatro partidas (duas como “mandante” e duas como “visitante”, mesmo quando o mando é mais conceito do que geografia), e os dois melhores de cada grupo avançaram. A Terceira Ronda — a última etapa regional — reuniu 12 equipes em três grupos de quatro, com turno e returno (seis jogos). No fim, o líder de cada grupo garantiu vaga direta, e os melhores segundos colocados avançariam para um torneio de repescagem intercontinental.

Haití atravessou a Segunda Ronda no Grupo C com campanha de 3 vitórias e 1 derrota em 4 jogos: 9 pontos, 11 gols feitos, 7 sofridos, saldo +4. Foi suficiente para avançar em segundo, atrás de Curaçao (12 pontos), mas com autoridade sobre o resto. O detalhe é que a tabela guarda uma ironia: Haití foi o único a arrancar três vitórias no grupo além do líder — e, ainda assim, saiu ferido no confronto direto que mais pesou, justamente contra Curaçao.

Na leitura fria da tabela, a Segunda Ronda de Haití tem dois sinais fortes. O primeiro é o volume ofensivo: 11 gols em 4 jogos (média de 2,75), com vitórias por 3–1 e 5–0 fora de casa. O segundo é a vulnerabilidade defensiva concentrada: 5 gols sofridos em um único jogo (o 1–5), que distorce o total e explica por que um time com tantos gols não liderou o grupo.

Na Terceira Ronda, o cenário mudou: adversários mais organizados, jogos de margem curta, e uma tabela comprimida por empates. Haití terminou líder com 11 pontos, dois a mais que Honduras (9) e quatro a mais que Costa Rica (7). O saldo foi igual ao de Honduras (+3), mas a diferença apareceu no momento e no lugar: Haití venceu quando precisou, especialmente nas duas últimas rodadas, enquanto Honduras empilhou empates. É a diferença entre “não perder” e “ganhar na hora certa”.

E é aqui que o contexto do grupo explica muito. Costa Rica empatou quatro vezes em seis jogos: uma equipe que pontuou sempre perto, mas raramente com a mão cheia. Honduras, por sua vez, sofreu apenas 2 gols em 6 jogos — um dado enorme — mas marcou só 5. Haití foi o meio-termo agressivo: não teve a melhor defesa nem o melhor ataque, mas teve a melhor soma de decisões nos jogos de faca. A liderança com 9 gols pró e 6 contra não é de domínio; é de eficiência.

A seguir, os dados completos do percurso, primeiro em forma de partidas (todas as partidas disponíveis) e depois com as tabelas de posições completas, respeitando a ordem em que aparecem os registros.

Tabela 1: Partidas de Haití nas Eliminatórias

Data Ronda Grupo Adversário Condição Resultado Artilheiros de Haití Estádio Cidade
6 de junho de 2024 Segunda Ronda C Santa Lucía Mandante 2:1 Jean-Kévin Duverne; Duckens Nazon Bridgetown
9 de junho de 2024 Segunda Ronda C Barbados Visitante 1:3 Deedson Louicius; Markhus Lacroix; Bryan Labissiere Bridgetown
7 de junho de 2025 Segunda Ronda C Aruba Visitante 0:5 Danley Jean Jacques; Frantzdy Pierrot; Ruben Providence; Duckens Nazon; Mondy Prunier Oranjestad
10 de junho de 2025 Segunda Ronda C Curaçao Mandante 1:5 Deedson Louicius Oranjestad
5 de setembro de 2025 Tercera Ronda C Honduras Mandante 0:0 Estádio Ergilio Hato Willemstad (Curazao)
9 de setembro de 2025 Tercera Ronda C Costa Rica Visitante 3:3 Duckens Nazon (3) Estádio Nacional San José
9 de outubro de 2025 Tercera Ronda C Nicarágua Visitante 0:3 Duckens Nazon; Danley Jean Jacques; Deedson Louicius Estádio Nacional Managua
13 de outubro de 2025 Tercera Ronda C Honduras Visitante 3:0 Estádio Chelato Uclés Tegucigalpa
13 de novembro de 2025 Tercera Ronda C Costa Rica Mandante 1:0 Frantzdy Pierrot Estádio Ergilio Hato Willemstad (Curazao)
18 de novembro de 2025 Tercera Ronda C Nicarágua Mandante 2:0 Deedson Louicius; Ruben Providence Estádio Ergilio Hato Willemstad (Curazao)

A tabela de partidas dá pista de algo importante: Haití alternou mandos em cidades que não são Porto Príncipe — e isso não é detalhe logístico, é variável esportiva. Mesmo assim, na Terceira Ronda, o time se sustentou em casa com dois 1–0/2–0 e um 0–0. Há uma mensagem aí: quando precisa controlar e não se expor, consegue.

Agora, as tabelas completas fornecidas, na ordem original. Como aparecem duas fases diferentes (Segunda e Terceira Ronda), ambas são relevantes para compreender o caminho completo.

Tabela 2: Segunda Ronda Grupo C

Pos. Equipe Pts. PJ G E P GF GC Dif.
1 Curazao 12 4 4 0 0 15 2 +13
2 Haití 9 4 3 0 1 11 7 +4
3 Santa Lucía 4 4 1 1 2 5 9 −4
4 Aruba 2 4 0 2 2 3 10 −7
5 Barbados 1 4 0 1 3 4 10 −6

Tabela 3: Tercera Ronda Grupo C

Pos. Equipe Pts. PJ G E P GF GC Dif.
1 Haití 11 6 3 2 1 9 6 +3
2 Honduras 9 6 2 3 1 5 2 +3
3 Costa Rica 7 6 1 4 1 8 6 +2
4 Nicarágua 4 6 1 1 4 4 12 −8

Segmentando a campanha com números simples, aparece um Haití de dois registros:

  1. Segunda Ronda: time de placar grande. Em quatro jogos, fez 11 gols e teve duas vitórias fora com três ou mais gols (3–1 e 5–0). Mas também teve uma derrota por quatro gols de diferença (1–5), que derrubou o saldo e o deixou em segundo.

  2. Terceira Ronda: time de placar curto e decisão. Em seis jogos, foram 9 gols feitos (1,5 por jogo) e 6 sofridos (1 por jogo). E, sobretudo, três jogos sem sofrer gol (0–0 com Honduras; 1–0 com Costa Rica; 2–0 com Nicarágua). Em eliminatória longa, isso vira coluna de sustentação.

Também é impossível ignorar o recorte “um gol decide”: na Terceira Ronda, a vitória sobre Costa Rica foi por 1 a 0 e o empate com Honduras foi 0 a 0 — jogos em que a margem de erro é mínima. Haití não foi perfeito (o 0–3 em Honduras é o ponto de queda), mas mostrou capacidade de “voltar ao trilho” com resultados limpos na sequência, e isso pesa mais do que jogar bonito em setembro e desmanchar em novembro.

Como joga

Haití, pelos resultados e pelos marcadores, desenha uma identidade pragmática com picos de agressividade. Não é um time que vive exclusivamente de administrar: quando encontra espaço, acelera e transforma o jogo em avalanche — o 5 a 0 sobre Aruba e o 3 a 1 sobre Barbados são sinais claros. Mas, quando o contexto aperta, sabe reduzir o risco e empilhar minutos sem conceder: os três jogos sem sofrer gol na Terceira Ronda mostram que existe um modo “fechado” funcional.

O ritmo das partidas indica duas tendências complementares. A primeira é a capacidade de marcar em blocos: no 5 a 0 contra Aruba, os gols vieram de cinco nomes diferentes, sugerindo que não foi apenas um ataque dependente de um único finalizador naquele dia. A segunda é a dependência de um protagonista quando a água bate no pescoço: no 3 a 3 contra Costa Rica, os três gols foram de Nazon, com um detalhe ainda mais gritante — um hat-trick fora de casa num jogo que terminou com gol costarriquenho aos 90+1’. É o tipo de partida em que um time pode sair esmagado psicologicamente; Haití saiu com ponto, e isso diz muito sobre o seu “como”.

O ataque haitiano alterna entre volume e oportunidade. Na Segunda Ronda, 11 gols em 4 jogos, mas 5 gols sofridos em uma tarde. Na Terceira Ronda, 9 gols em 6 jogos, com 6 sofridos de forma mais distribuída. Essa mudança de perfil sugere uma equipe que, diante de rivais mais fortes, tende a aceitar jogos mais controlados, sem abrir tanto a guarda — e, ainda assim, encontra momentos de ataque suficiente para ganhar. A vitória por 1 a 0 sobre Costa Rica, com gol aos 44’, é exemplar: não exige festival, exige precisão no momento certo.

O reparto do gol, quando há informação de Artilheiros, ajuda a mapear o motor. Nazon aparece repetidamente: marcou contra Santa Lucía (6 de junho de 2024), marcou contra Aruba (7 de junho de 2025) e teve o jogo-monumento em San José (9 de setembro de 2025), além de voltar a marcar em Manágua (9 de outubro de 2025). Deedson Louicius também surge como peça de produção constante: marcou em Barbados (9 de junho de 2024), fez o gol solitário na derrota para Curaçao (10 de junho de 2025), participou do 3 a 0 sobre Nicarágua com um gol aos 90+2’ (9 de outubro de 2025) e voltou a marcar em 18 de novembro de 2025 (2–0 sobre Nicarágua). Pierrot, por sua vez, aparece com gol em goleada (Aruba) e com o gol do 1–0 contra Costa Rica — dupla assinatura que mistura festa e decisão.

Onde Haití mostra vulnerabilidade? Nos jogos em que o adversário consegue impor uma sequência de golpes sem resposta. O 1–5 contra Curaçao e o 0–3 contra Honduras são derrotas de natureza parecida: placares em que o time não achou o “freio de mão” para parar a queda. Isso não significa fragilidade constante — a Terceira Ronda provou o contrário em três clean sheets —, mas indica que, quando perde o encaixe, a derrota pode ganhar corpo rápido. E em Copa do Mundo, isso vira alerta: não basta competir, é preciso sobreviver aos piores 15 minutos.

Por fim, a equipe mostrou maturidade para fechar campanha com vitórias consecutivas em novembro. Depois do 0–3 em Tegucigalpa (13 de outubro), o time voltou e venceu Costa Rica e Nicarágua sem sofrer gols. Em termos de rendimento, isso é um sinal de correção de rota: menos concessões, mais controle de detalhes. Em torneio curto, detalhe é oxigênio.

O grupo no Mundial

O Grupo C do Mundial coloca Haití diante de três testes muito diferentes, mas todos com a mesma pergunta: quanto tempo a equipe consegue manter seu plano sem se trair? A estreia é contra a Escócia em 13 de junho de 2026, em Boston. Depois vem um encontro de peso simbólico e futebolístico com o Brasil em 19 de junho de 2026, na Filadélfia. E o fechamento é contra o Marrocos em 24 de junho de 2026, em Atlanta. Três cidades, três atmosferas, e um calendário que não dá folga.

Tabela 4: Jogos de Haití na fase de grupos do Mundial

Data Estádio Cidade Rival
13 de junho de 2026 Gillette Stadium Boston Escócia
19 de junho de 2026 Lincoln Financial Field Filadélfia Brasil
24 de junho de 2026 Mercedes-Benz Stadium Atlanta Marrocos

O jogo 1, contra a Escócia, tem cara de partida de gatilho emocional. Estrear é sempre um exercício de controle: controlar ansiedade, controlar faltas, controlar perdas simples. Haití chega com uma base de jogos recentes em que soube fazer placares curtos e defender resultado (1–0, 2–0, 0–0 na Terceira Ronda). Isso sugere um caminho: não se entregar ao jogo aberto cedo, evitar sofrer primeiro e trabalhar para que a partida chegue viva na reta final — onde a seleção já mostrou que pode decidir com um gol e fechar portas.

Prognóstico: empate.

O jogo 2, contra o Brasil, muda o ambiente e muda o termômetro. Aqui, a prioridade haitiana não é “ser quem não é”. Pelos dados, quando Haití perde o controle, a derrota pode escalar (1–5, 0–3). Contra um rival que tende a castigar em sequência, o grande objetivo é evitar o “efeito dominó”: um gol sofrido virar dois em poucos minutos. Isso pede um jogo de sobrevivência inteligente: faltas bem escolhidas, concentração em bola parada defensiva, e uma ideia ofensiva simples para não passar 90 minutos só correndo atrás.

Prognóstico: ganha Brasil.

O jogo 3, contra o Marrocos, chega com potencial de ser decisivo. Dependendo do que acontecer nos dois primeiros jogos, pode ser uma final por classificação ou uma última chance de pontuar com significado. E, sem precisar rotular o adversário, dá para dizer o essencial: é um jogo que deve premiar organização e aproveitamento de momentos. Haití tem histórico recente de “jogo de decisão com um gol” — como o 1–0 contra Costa Rica — e também tem capacidade de marcar fora de casa em contextos difíceis — como o 3–3 em San José. Se conseguir manter a partida em margem curta, pode se colocar em condição de disputar ponto até o fim.

Prognóstico: empate.

Há, no entanto, um elemento transversal: o Grupo C exige que Haití seja, ao mesmo tempo, o time que sabe se fechar e o time que sabe machucar quando aparece a chance. O equilíbrio entre esses dois registros vai definir se a campanha vira história ou apenas experiência.

Claves para buscar a classificação

  • Não sofrer gols cedo: quando Haití sofreu pancadas em sequência, os placares cresceram; quando sustentou o início, a equipe se fortaleceu.
  • Transformar jogos em margem curta: os melhores resultados na Terceira Ronda vieram com controle defensivo e decisões pontuais.
  • Maximizar o peso de Nazon e Deedson sem depender só deles: quando o ataque diversificou (caso Aruba 0–5), o time foi mais imprevisível.
  • Administrar o emocional após sofrer gol: o empate 3–3 em San José mostrou reação; as derrotas elásticas mostram o risco do apagão.

Opinião editorial

Haití não chegou aqui por acaso, nem por uma tarde isolada de inspiração. Chegou por um tipo de teimosia competitiva que, em seleções, vale quase como modelo: apanhar num jogo grande e ainda assim voltar para ganhar os dois seguintes sem sofrer gols. A campanha tem cicatrizes — e isso não diminui nada. Pelo contrário: dá textura. Porque o futebol internacional não é um desfile, é um corredor estreito, e a seleção haitiana aprendeu a passar por ele com o peito e com o cálculo.

A virtude mais clara é a capacidade de se adaptar ao tamanho do jogo. Em partidas abertas, Haití já mostrou que não precisa de muitas chances para fazer três, quatro, cinco. Em partidas fechadas, também mostrou que sabe ganhar de 1 a 0 e que um 0 a 0 não é vergonha, é estratégia. O risco, e ele é real, é quando o time perde o eixo: aí o placar vira avalanche, como aconteceu no 1–5 contra Curaçao em 10 de junho de 2025. A Copa do Mundo não perdoa esse tipo de ruptura.

O fechamento dessa história, por ora, é um aviso simples e concreto: o Mundial vai testar a capacidade de Haití de evitar “dez minutos fatais”. A campanha tem um exemplo doloroso e didático — Haití 1–5 Curaçao, em 10 de junho de 2025 — que serve como lembrança do que acontece quando a equipe não consegue interromper a sequência do rival. Se os Grenadiers conseguirem transformar esse aprendizado em mecanismo de sobrevivência, o Grupo C deixa de ser apenas um desafio e passa a ser uma chance real de competir com dignidade e com pontos.

E aí, sim, o futebol haitiano volta ao seu lugar preferido: aquele em que ninguém dá nada, e o time responde com algo — um gol, um jogo, um ponto, uma noite.