Bélgica - Grupo G

Bélgica em marcha: gols, controle e um Grupo G de palco grande

🇧🇪 Bélgica em marcha: gols, controle e um Grupo G de palco grande ⚽🔥

Uma campanha de Eliminatórias com números de potência e um roteiro de Mundial que começa em Seattle e termina em Vancouver

Introdução

A Bélgica atravessou as Eliminatórias como quem conhece o caminho de memória, mas não por hábito: por força de execução. Teve dias de brilho aberto, daqueles em que o placar parece insuficiente para o volume de jogo, e também noites de paciência, em que o relógio pesa e a bola precisa ser empurrada com insistência até encontrar a fresta. Entre um extremo e outro, ficou a sensação constante de um time que não se desorganiza nem quando sofre: respira, ajusta, volta a mandar.

Há uma imagem que define bem essa caminhada. Não é um lance isolado, e sim um padrão: a Bélgica marcando cedo, esticando a vantagem e, quando o adversário tenta transformar o jogo em caos, respondendo com mais um golpe de qualidade. Foi assim no 4:3 contra Gales, uma partida que pareceu um resumo do que a seleção belga aceita e do que ela recusa. Aceita o risco do jogo vivo, recusa perder o controle emocional.

Os números confirmam a narrativa sem precisar exagerar o tom. A Bélgica terminou no topo do Grupo J, com 18 pontos em 8 jogos, invicta, somando 5 vitórias e 3 empates. O saldo é de seleção grande: 29 gols marcados e 7 sofridos, diferença de +22. É uma produção ofensiva alta com concessões defensivas baixas — combinação que, em Eliminatórias, costuma separar líder de perseguidor.

E houve, claro, partidas que funcionaram como dobradiças, momentos em que a campanha poderia ter escorregado para um “e se…”, mas acabou virando afirmação. Em 6 de junho de 2025, o 1:1 fora com a Macedônia do Norte teve cara de alerta: empate com gol belga cedo e resposta adversária no fim, daqueles que ensinam a não administrar vantagem mínima como se fosse patrimônio garantido. Três dias depois, em 9 de junho de 2025, veio o 4:3 sobre Gales, em Bruxelas, com roteiro de montanha-russa e assinatura de maturidade no desfecho. Já em 15 de novembro de 2025, o 1:1 no Cazaquistão reforçou que nem sempre dá para transformar superioridade em vitória fora de casa, mas também mostrou uma Bélgica capaz de sair de um golpe inicial sem perder a linha.

A caminhada ainda guardou duas vitrines de apetite: o 0:6 em Liechtenstein, em 4 de setembro de 2025, e o 7:0 em casa, em 18 de novembro de 2025. Duas goleadas que não são apenas “gols a mais”; são indícios de profundidade de elenco, de repertório para construir placares elásticos e, sobretudo, de uma equipe que não relaxa quando encontra um adversário sem resposta.

Com a vaga assegurada, o foco muda de cenário: sai o mapa europeu de classificatória e entra um Grupo G de Copa do Mundo com três palcos norte-americanos e três testes de natureza diferente. Seattle, Los Angeles e Vancouver já estão no roteiro. A Bélgica chega com a mala cheia de gols e a exigência interna típica de quem sabe que números bonitos só viram história quando resistem ao calor do Mundial.

O caminho pelas Eliminatórias

A trajetória belga aconteceu dentro de um grupo europeu de Eliminatórias, o Grupo J, em que a tabela foi a régua diária e o detalhe, muitas vezes, o juiz do destino. O desfecho foi cristalino: Bélgica em primeiro, Gales em segundo, Macedônia do Norte perseguindo, Cazaquistão oscilando e Liechtenstein sofrendo o peso do nível. O que interessa, para além do retrato final, é como a Bélgica foi construindo vantagem sem jamais perder a condição de invicta — e como essa invencibilidade não significou monotonia: houve goleadas, empates, sustos e uma partida em que o placar se recusou a nascer.

Antes da bola, a leitura da tabela é o ponto de partida. A Bélgica somou 18 pontos, dois a mais que Gales (16) e cinco a mais que a Macedônia do Norte (13). Essa margem importa porque explica o tipo de campanha: não foi uma classificação “no fio”, mas também não foi um passeio sem competição direta. Gales, com 21 gols marcados e 11 sofridos, ofereceu perseguição real; a Macedônia, com 13 marcados e 10 sofridos, foi o adversário que mais soube encurtar a Bélgica com jogos de placar curto e tramas travadas. Já o dado que grita, no caso belga, é a relação entre ataque e defesa: 29 a favor, 7 contra. Um time que, em 8 jogos, sofreu menos de um gol por partida e marcou bem mais de três por partida, em média.

O desenho dessa campanha também aparece quando se observam as “costuras” entre jogos. O empate fora com a Macedônia do Norte (1:1) abriu a série com um recado: o grupo tinha armadilhas. A vitória seguinte sobre Gales (4:3) foi um aviso em outra direção: quando o jogo vira troca, a Bélgica tem peças para ganhar na qualidade e no golpe final. Depois, as duas datas de setembro funcionaram como aceleração: 0:6 fora contra Liechtenstein e 6:0 em casa contra o Cazaquistão. O recado ali foi simples e duro: quando o rival cede, a Bélgica não negocia o placar.

E, no entanto, outubro e novembro trouxeram o lado menos espetacular — e por isso mesmo relevante — de uma seleção que pensa como candidata. Em 10 de outubro de 2025, o 0:0 em casa contra a Macedônia do Norte foi um jogo de paciência sem prêmio: a Bélgica não perdeu, mas também não encontrou o gol que costuma transformar pressão em tranquilidade. Três dias depois, em 13 de outubro de 2025, respondeu com autoridade em Cardiff: 2:4 sobre Gales, mostrando capacidade de vencer fora e em ambiente adverso. E, perto do fim, em 15 de novembro de 2025, o 1:1 no Cazaquistão teve gosto de obstáculo típico de Eliminatórias: sofrer cedo, empatar depois e perceber que, longe de casa, a vitória nem sempre está à distância de uma boa atuação.

O fechamento foi um manifesto ofensivo. Em 18 de novembro de 2025, a Bélgica fez 7:0 em Lieja contra Liechtenstein. A goleada final não só inflou números; ela consolidou a sensação de que o ataque belga é mais do que uma estrela isolada. Há gols distribuídos, há capacidade de acelerar, há jogadores que, em noites específicas, assumem o protagonismo sem pedir licença.

Tabela 1 — Jogos da Bélgica nas Eliminatórias

Data Grupo Adversário Condição Resultado Artilheiros Estádio
6 de junho de 2025 Grupo J Macedônia do Norte Visitante 1:1 Macedônia do Norte: Alioski 86'; Bélgica: De Cuyper 28' Toše Proeski Arena, Skopie
9 de junho de 2025 Grupo J Gales Mandante 4:3 Bélgica: Lukaku 15' (pen.), Tielemans 19', Doku 27', De Bruyne 88'; Gales: Wilson 45+7' (pen.), Thomas 51', Johnson 69' Estádio Rey Balduino, Bruselas
4 de setembro de 2025 Grupo J Liechtenstein Visitante 0:6 De Cuyper 29', Tielemans 46', 70' (pen.), Theate 60', De Bruyne 62', Fofana 90+1' Rheinpark Stadion, Vaduz
7 de setembro de 2025 Grupo J Cazaquistão Mandante 6:0 De Bruyne 42', 84', Doku 44', 60', Raskin 51', Meunier 87' Lotto Park, Anderlecht
10 de outubro de 2025 Grupo J Macedônia do Norte Mandante 0:0 Planet Group Arena, Gante
13 de outubro de 2025 Grupo J Gales Visitante 2:4 Gales: Rodon 8', Broadhead 89'; Bélgica: De Bruyne 18' (pen.), 76' (pen.), Meunier 24', Trossard 90' Cardiff City Stadium, Cardiff
15 de novembro de 2025 Grupo J Cazaquistão Visitante 1:1 Cazaquistão: Satpaev 9'; Bélgica: Vanaken 48' Astana Arena, Astaná
18 de novembro de 2025 Grupo J Liechtenstein Mandante 7:0 Vanaken 3', Doku 34', 41', Mechele 52', Saelemaekers 55', De Ketelaere 57', 59' Estádio Maurice Dufrasne, Lieja

Agora, a régua do grupo em forma de tabela completa, porque é ali que se mede o peso de cada ponto. A Bélgica não só liderou: ela liderou com melhor ataque e uma das defesas mais econômicas do grupo, enquanto os concorrentes diretos pagaram caro por oscilações pontuais.

Tabela 2 — Tabela do Grupo J

Pos. Seleção Pts. PJ G E P GF GC Dif. Situação
1 Bélgica 18 8 5 3 0 29 7 +22 Mundial 2026
2 Gales 16 8 5 1 2 21 11 +10 play-offs
3 Macedônia do Norte 13 8 3 4 1 13 10 +3 play-offs via Liga de Nações
4 Cazaquistão 8 8 2 2 4 9 13 −4 Não classificado
5 Liechtenstein 0 8 0 0 8 0 31 −31 Não classificado

Com a tabela na frente, dá para enxergar com lupa duas coisas. A primeira: a Bélgica teve três empates, e dois deles foram fora de casa (Macedônia do Norte e Cazaquistão). É o tipo de detalhe que, em Copa do Mundo, vira chave de leitura: jogos em que o adversário baixa o ritmo, fecha espaços e aposta no erro ou na bola parada. A segunda: mesmo com esses empates, o ataque foi suficientemente avassalador para criar margem. Em outras palavras, a Bélgica não precisou ser perfeita para ser soberana.

A segmentação dos resultados também ajuda a entender o “como”. Em oito jogos, a Bélgica teve três partidas sem sofrer gols com placares largos (6:0, 0:6, 7:0) e uma vitória de quatro gols fora (2:4) que, embora tenha sofrido dois, mostrou capacidade de marcar em cenário hostil. Ao mesmo tempo, há três jogos em que a Bélgica sofreu exatamente um gol e empatou (1:1, 1:1) ou venceu (4:3). E há um jogo em que a bola não entrou de nenhum lado (0:0). Isso sugere um time que raramente é neutralizado por completo, mas que pode ser “desacelerado” a ponto de ter de conviver com placares curtos.

Outro recorte importante é a diferença entre “matar cedo” e “resolver tarde”. Contra Gales em Bruxelas, a Bélgica construiu vantagem cedo (gols aos 15', 19' e 27'), mas viu o adversário voltar ao jogo e precisou de um gol aos 88' para carimbar a vitória. Esse dado não é só dramaturgia: é um teste de maturidade. Em Cardiff, por outro lado, a vitória também teve gol no fim (Trossard aos 90'), mas dentro de um jogo em que a Bélgica mostrou frieza para administrar e voltar a golpear. Já nos 1:1 fora, a história é outra: a Bélgica sofreu e precisou responder — e respondeu, mas não passou disso.

No total, a campanha é de líder com cara de líder: invicta, com saldo alto, com goleadas que dizem “não tenho tempo a perder”, e com empates que lembram “nem toda partida se ganha no grito”. A Copa do Mundo vai cobrar esse segundo tipo de jogo com mais frequência. E o Grupo G, pelo perfil de confrontos e pela logística, parece pronto para testar justamente a capacidade belga de manter o nível quando o jogo não se abre.

Como joga

A Bélgica desta campanha foi, acima de tudo, uma seleção de produção ofensiva constante e aceleração brutal quando encontra o mínimo espaço. Não é preciso desenhar esquema tático para perceber: 29 gols em 8 partidas é um recado de volume e eficiência. E não se trata apenas de somar gols em um ou dois jogos; há goleadas múltiplas (0:6, 6:0, 7:0) e vitórias com quatro gols em partidas que exigiram resposta emocional (4:3, 2:4). Em Eliminatórias, isso costuma separar quem “controla” de quem “sobrevive”.

O controle aparece também no outro lado do campo. Sofrer 7 gols em 8 jogos, com três jogos de goleada sem sofrer e um 0:0, sugere uma defesa que, mesmo quando não é impenetrável, raramente entra em colapso. Os jogos em que a Bélgica sofreu (especialmente o 4:3) não viraram sangria prolongada: houve resposta e, no fim, resultado. Isso é um traço de desempenho: a equipe pode aceitar um período ruim sem perder o plano geral do jogo.

O ritmo das partidas diz muito sobre a identidade. A Bélgica tem jogos que se transformam em avalanche — e, nesses, ela não costuma diminuir. O 7:0 de 18 de novembro de 2025 é a foto perfeita: gols cedo (Vanaken aos 3') e depois uma sequência que não permite ao rival respirar. O 6:0 de 7 de setembro de 2025 também é didático: gols espalhados (42', 44', 51', 60', 84', 87') indicam que a Bélgica não depende só de um começo avassalador; ela mantém a capacidade de atacar ao longo do jogo. Isso é um indicador de preparo mental e físico para sustentar pressão.

Há também o lado “jogo curto”, que é onde o Mundial costuma apertar a garganta. O 0:0 em 10 de outubro de 2025, em casa contra a Macedônia do Norte, é o exemplo mais claro: o adversário conseguiu levar a Bélgica para um tipo de partida em que a paciência vira arma e, às vezes, armadilha. Somando esse 0:0 aos empates fora por 1:1, fica o desenho: quando o rival segura o placar e a Bélgica não abre cedo, o jogo tende a ficar mais negociado, menos elástico. Isso não é uma sentença, é um alerta de cenário.

A distribuição dos gols, pelo que aparece nas fichas de jogo, aponta para diversidade de protagonistas. Há noites de De Bruyne com participação decisiva (inclusive com gols em sequência e em momentos de fecho), há Doku repetindo em partidas com placar largo, há Lukaku convertendo pênalti, há Tielemans aparecendo com gol e até com dois no mesmo jogo, há nomes como De Cuyper, Meunier, Vanaken, Trossard, De Ketelaere, Saelemaekers, Mechele, Theate, Raskin e Fofana entrando no mapa de gols. Em termos de seleção, isso vale ouro: o adversário não pode “marcar um” e achar que fechou a torneira. A Bélgica mostrou que tem mais de uma mão para puxar o jogo.

As vulnerabilidades, quando aparecem, vêm mais por momentos do que por fragilidade estrutural explícita nos placares. Sofrer aos 86' na Macedônia do Norte para ceder o empate é sinal de que a Bélgica, em vantagem mínima, precisa manter a mesma seriedade de quando busca o segundo gol. E sofrer aos 9' no Cazaquistão e ter de correr atrás reforça que inícios de partida importam: em Copa do Mundo, começar “frio” pode custar caro, porque o adversário cresce e o jogo vira uma negociação de nervos.

Em resumo: a Bélgica desta campanha parece uma seleção que busca impor condições com bola e presença ofensiva, que acelera com facilidade quando encontra espaços e que, quando o jogo trava, precisa transformar paciência em agressividade limpa, sem ansiedade. O Mundial vai perguntar, repetidas vezes, se esse time consegue ser o mesmo quando o campo vira labirinto.

O grupo no Mundial

O Grupo G reserva três jogos com cenários bem marcados e uma sequência que exige gestão de energia e de emoções. Primeiro, um jogo de abertura para colocar a campanha em trilho. Depois, um segundo confronto que costuma ser o “jogo do termômetro”, quando já dá para medir quem está confortável e quem está improvisando. Por fim, um terceiro duelo fora de casa no sentido simbólico — outra cidade, outra atmosfera — em que, muitas vezes, a classificação se confirma ou se complica.

A Bélgica terá um detalhe curioso: os três jogos listados a colocam sempre como “Bélgica vs” ou “Nova Zelândia vs Bélgica”, mas o que importa de verdade é o tipo de prova. Contra Egito, no dia 15 de junho de 2026, em Seattle, há cara de estreia com tensão natural: o primeiro jogo de Copa costuma ser menos sobre beleza e mais sobre não se trair. Depois, em 21 de junho de 2026, em Los Angeles, diante do Irã, o contexto pede leitura rápida: é o tipo de partida em que o controle do placar pode valer mais do que a pressa. Por fim, em 26 de junho de 2026, em Vancouver, contra a Nova Zelândia, o fechamento tende a ter cara de conta a pagar: confirmar ponto(s) decisivo(s) ou buscar o ajuste final de posição no grupo.

A tabela dos três jogos ajuda a visualizar o roteiro com clareza, sem misturar nomes e sem pular detalhes de logística.

Data Estádio Cidade Rival
15 de junho de 2026 Lumen Field Seattle Egito
21 de junho de 2026 SoFi Stadium Los Angeles Irã
26 de junho de 2026 Estádio BC Place Vancouver Nova Zelândia

Partida 1 — Bélgica vs Egito, 15 de junho de 2026, Seattle O primeiro jogo é, quase sempre, uma disputa entre o plano e o nervo. A Bélgica chega com números de Eliminatórias que sugerem capacidade de marcar cedo e transformar o jogo em trilha reta — vide o início forte contra Gales em 9 de junho de 2025, quando abriu vantagem rapidamente. O ponto de atenção é evitar o tipo de desatenção que custou o empate aos 86' contra a Macedônia do Norte, em 6 de junho de 2025: jogo controlado, placar curto, final perigoso. Guion provável: Bélgica tentando instalar o jogo no campo rival e buscar o primeiro gol para abrir o tabuleiro. Prognóstico: ganha Bélgica.

Partida 2 — Bélgica vs Irã, 21 de junho de 2026, Los Angeles O segundo jogo costuma ser onde os grupos se revelam. Se a Bélgica vencer a estreia, chega com a chance de encaminhar tudo; se empatar ou tropeçar, entra com pressão e com o relógio na cabeça. Aqui, a lição do 0:0 de 10 de outubro de 2025 é valiosa: existem partidas em que a bola não entra por mérito do adversário e por ansiedade de quem ataca. A Bélgica precisará transformar controle em vantagem concreta sem se desorganizar — e, se sofrer um golpe inicial, lembrar o 1:1 do Cazaquistão, em 15 de novembro de 2025, em que reagiu e ao menos não perdeu. Guion provável: jogo mais travado do que o torcedor neutro imagina, com a Bélgica tentando furar por repetição e qualidade. Prognóstico: ganha Bélgica.

Partida 3 — Nova Zelândia vs Bélgica, 26 de junho de 2026, Vancouver O fechamento do grupo tem potencial para ser o jogo mais “prático” da Bélgica: fazer o necessário, sem desperdício emocional. Se a seleção belga chegar precisando de resultado, ela tem histórico recente de transformar partidas em goleada quando encontra brecha, como fez fora contra Liechtenstein (0:6) em 4 de setembro de 2025. Se chegar classificada, o desafio é manter o nível competitivo e não cair na armadilha do relaxamento que, em Eliminatórias, costuma aparecer nos jogos em que o adversário se agarra ao 0:0. Guion provável: Bélgica procurando impor ritmo desde o início para não deixar o jogo virar novela. Prognóstico: ganha Bélgica.

Chaves para a classificação da Bélgica no Grupo G

  • Fazer o placar trabalhar a favor desde o primeiro jogo: quando a Bélgica abre vantagem, os placares tendem a crescer.
  • Tratar jogos de “pouco espaço” como missão de paciência ativa, para não repetir o 0:0 que travou o caminho em outubro.
  • Evitar quedas de concentração no fim: o empate sofrido aos 86' contra a Macedônia do Norte é um lembrete de que detalhe decide.
  • Manter diversidade de gols: a campanha mostrou muitos nomes chegando ao gol, e isso reduz dependência em noites específicas.

Opinião editorial

A Bélgica chega ao Mundial com números que não pedem desculpas: 29 gols em 8 jogos e uma invencibilidade que não foi decorativa. É uma seleção que, quando encontra o caminho do gol, transforma partidas em avenidas — e quando não encontra, ao menos não se entrega ao desespero. Essa combinação de potência e prudência é o que costuma sustentar campanhas longas em Copa do Mundo.

O risco está no lugar mais comum do futebol: achar que o jogo está ganho quando ele ainda está só “controlado”. O empate sofrido aos 86' contra a Macedônia do Norte, em 6 de junho de 2025, e o 4:3 contra Gales, em 9 de junho de 2025, mostram que a Bélgica pode permitir que o adversário respire — e, em Mundial, um suspiro vira incêndio. A boa notícia é que a própria campanha também mostra o antídoto: resposta rápida, gols distribuídos e capacidade de fechar a conta no fim.

A Bélgica tem cara de seleção que sabe o que faz com a bola e, talvez mais importante, o que faz quando a bola não se comporta como deveria. Mas Copa do Mundo é outro idioma: o mesmo 1:1 que em Eliminatórias soa como “ponto fora” pode virar complicação se vier com uma expulsão, uma bola parada, uma tarde de pouca inspiração.

Se for para deixar uma advertência concreta, ela cabe inteira no minuto 86 de Skopie: não é sobre o adversário, é sobre o relógio. A Bélgica pode jogar melhor, ter mais recursos, ter mais gols no repertório — e ainda assim precisar de uma obsessão simples, quase chata: não oferecer o último capítulo ao rival quando a história ainda está aberta.