República da Coreia - Grupo A
🇰🇷 Coreia do Sul, a máquina de gols que aprendeu a sofrer — e saiu ilesa ⚽🔥
Entre goleadas e empates teimosos, a seleção sul-coreana chegou ao Mundial com números de potência e um lembrete: nem toda superioridade vira festa.
Introdução
Há seleções que entram em Eliminatórias como quem entra em um corredor conhecido: reconhecem as paredes, medem os passos, sabem onde o chão escorrega. A Coreia do Sul fez algo parecido, mas com um detalhe que muda a história: em vez de caminhar, acelerou. Quando o roteiro pedia cautela, ela respondeu com um 5:0; quando o adversário pediu ar, ela devolveu um 7:0. Foi uma campanha com cara de controle — e com momentos em que o controle precisou ser reconquistado no grito curto de um 1:1.
O recorte é claro: primeiro, a travessia da Segunda Rodada no Grupo C, com um ataque de avalanche e uma defesa quase simbólica; depois, a Tercera Rodada no Grupo B, em que os placares ficaram mais humanos, as margens apertaram e os empates começaram a aparecer como uma espécie de pedágio inevitável do alto nível regional. A Coreia do Sul não perdeu em nenhum dos dois trechos. E isso, em Eliminatórias longas, vale quase como um estilo.
No Grupo C da Segunda Rodada, foi 1º lugar com 16 pontos em 6 jogos, campanha de 5 vitórias e 1 empate, 20 gols marcados e só 1 sofrido, saldo de +19. Números que não pedem interpretação: gritam. No Grupo B da Tercera Rodada, novamente 1º lugar, agora com 22 pontos em 10 jogos, 6 vitórias e 4 empates, 20 gols a favor e 7 contra, saldo de +13. A diferença entre os dois retratos é a mesma que separa o amistoso do mata-mata: no começo, a Coreia deslizou; depois, precisou lutar.
E há momentos de virada que resumem a narrativa melhor do que qualquer adjetivo. Em 16 de novembro de 2023, em Seul, a estreia contra Singapura virou cartão de visitas: 5:0, com gols de Cho Gue-sung, Hwang Hee-chan, Son Heung-min, Hwang Ui-jo e Lee Kang-in. Cinco nomes, cinco estocadas: não era só um protagonista, era uma cadeia de produção.
Poucos dias depois, em 21 de novembro de 2023, fora de casa, a Coreia do Sul bateu a China por 3:0 em Shenzhen, com Son Heung-min marcando duas vezes (uma de pênalti) e Jung Seung-hyun completando. O tipo de vitória que estabiliza grupo e cria hierarquia. Já em 21 de março de 2024, veio um sinal de alerta: 1:1 com a Tailândia em Seul, empate que não derruba ninguém, mas obriga ajustes. E, quando precisou responder, respondeu com força: em 26 de março de 2024, 3:0 em Bangkok sobre a Tailândia.
O segundo grande ponto de inflexão, já na Tercera Rodada, apareceu na sequência dos empates: 0:0 com a Palestina (5 de setembro de 2024), 1:1 com a própria Palestina (19 de novembro de 2024), 1:1 com Omã (20 de março de 2025) e 1:1 com a Jordânia (25 de março de 2025). Quatro jogos em que a Coreia do Sul teve de conviver com a ideia mais desconfortável para um favorito: nem sempre dá para abrir o placar cedo e transformar a noite em treino com torcida.
Mesmo assim, a equipe encontrou sua forma de assinar a passagem com autoridade. Em 5 de junho de 2025, venceu o Iraque por 2:0 em Basra. Em 10 de junho de 2025, fechou com um 4:0 sobre o Kuwait em Seul. O recado final das Eliminatórias foi quase um slogan: quando o jogo pede imposição, a Coreia do Sul tem repertório; quando pede paciência, ela tem resistência — ainda que nem sempre tenha a lâmina mais afiada para cortar defesas fechadas.
O caminho pelas Eliminatórias
O caminho asiático que aparece nos dados tem duas camadas bem definidas: uma Segunda Rodada de grupos mais curtos, e uma Tercera Rodada em formato de liga dentro de um grupo mais forte e mais longo. A Coreia do Sul atravessou as duas fases sem derrota, mas com pesos diferentes no tornozelo: na primeira, foi potência de goleada; na terceira, foi potência de pontuar, inclusive quando não brilhou.
Na Segunda Rodada, Grupo C, a leitura da tabela é quase didática. A Coreia do Sul terminou em 1º com 16 pontos (6 jogos), enquanto China e Tailândia fecharam com 8 pontos cada, e Singapura com 1. A distância não foi só de pontos: foi de saldo e de sensação. A Coreia fez 20 gols e sofreu 1; China e Tailândia ficaram em 9 a favor e 9 contra, saldo 0. Singapura sofreu 24. Em outras palavras: a Coreia não apenas venceu; ela definiu o que era “normal” no grupo.
A sequência de partidas explica o porquê. O 5:0 sobre Singapura em 16 de novembro de 2023 abriu o placar psicológico. Na visita à China em 21 de novembro de 2023, o 3:0 mostrou que o favoritismo não era só em casa. O empate em 21 de março de 2024 contra a Tailândia (1:1) serviu como lembrete de que, contra rivais mais organizados, a história muda: um gol sofrido pode travar a noite. A resposta veio em 26 de março de 2024 com 3:0 em Bangkok, e o grupo virou estrada livre. Em 6 de junho de 2024, o 7:0 sobre Singapura fora de casa foi quase uma redundância cruel. E o 1:0 sobre a China em 11 de junho de 2024 fechou o pacote com o tipo de vitória que, embora magra, confirma maturidade.
Na Tercera Rodada, Grupo B, o quadro foi mais complexo. A Coreia do Sul terminou em 1º com 22 pontos em 10 jogos: 6 vitórias, 4 empates, 0 derrotas. A Jordânia ficou em 2º com 16 pontos; o Iraque em 3º com 15; Omã em 4º com 11; Palestina em 5º com 10; Kuwait em 6º com 5. Aqui, a Coreia não “sumiu” com os rivais: ela se manteve acima deles por constância. E constância, nesse tipo de grupo, costuma ser uma habilidade mais valiosa do que um pico de goleada.
Vale observar o degrau entre os concorrentes diretos. A Coreia somou 22, a Jordânia 16 e o Iraque 15: diferença de 6 e 7 pontos, respectivamente, em 10 rodadas. É uma folga considerável, mas construída jogo a jogo, com uma assinatura curiosa: quatro empates. Isso indica duas coisas ao mesmo tempo. Primeiro, que o time raramente se desorganiza a ponto de perder. Segundo, que houve partidas em que faltou a última estocada para transformar controle em três pontos.
A sequência do Grupo B tem ritmo de novela. Começou com 0:0 em 5 de setembro de 2024 contra a Palestina em Seul: tropeço sem prejuízo, mas com incômodo. A reação veio em 10 de setembro de 2024: 3:1 sobre Omã em Mascate, com um gol contra de Jung Seung-hyun abrindo o susto e a virada sendo construída por Hwang Hee-chan, Son Heung-min e Joo Min-kyu já no fim (90+11’). Depois, 2:0 na Jordânia (10 de outubro de 2024) com gols de Lee Jae-sung e Oh Hyeon-gyu: vitória de autoridade fora de casa. Em 15 de outubro de 2024, 3:2 sobre o Iraque em Yongin: jogo de risco, com resposta a cada golpe e um gol sofrido nos acréscimos que deixou a noite com gosto de lição.
A parte mais interessante — e mais útil para projetar Mundial — está no miolo: o time passou a empatar onde antes goleava. Em 19 de novembro de 2024, 1:1 com a Palestina em Amã: saiu atrás (12’) e empatou rápido (16’). Em 20 de março de 2025, 1:1 com Omã em Goyang: marcou com Hwang Hee-chan (41’) e sofreu aos 80’. Em 25 de março de 2025, 1:1 com a Jordânia em Suwon: saiu na frente aos 5’ e levou o empate aos 30’. São três empates com o mesmo cheiro: vantagem curta que escapa. A Coreia do Sul permaneceu invicta, mas não imune.
Ainda assim, o fechamento foi de campeão de grupo. Em 5 de junho de 2025, 2:0 sobre o Iraque em Basra, com Kim Jin-gyu e Oh Hyeon-gyu marcando no segundo tempo. Em 10 de junho de 2025, 4:0 sobre o Kuwait em Seul, com Jeon Jin-woo, Lee Kang-in, Oh Hyeon-gyu e Lee Jae-sung. Um encerramento que reorganiza a narrativa: mesmo com empates, o time tem volume para terminar forte.
Tabela 1 — Partidas da Coreia do Sul nas Eliminatórias AFC presentes nos dados
| Data | Fase | Grupo | Jornada | Adversário | Condição | Resultado | Artilheiros | Sede |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 16 de novembro de 2023 | Segunda | C | Singapura | Casa | 5:0 | Cho Gue-sung 44', Hwang Hee-chan 49', Son Heung-min 63', Hwang Ui-jo 68' pen., Lee Kang-in 85' | Estádio Mundialista, Seúl | |
| 21 de novembro de 2023 | Segunda | C | China | Fora | 0:3 | Son Heung-min 11' pen., 45', Jung Seung-hyun 87' | Shenzhen Universiade Sports Centre, Shenzhen | |
| 21 de março de 2024 | Segunda | C | Tailândia | Casa | 1:1 | Son Heung-min 42' | Estádio Mundialista, Seúl | |
| 26 de março de 2024 | Segunda | C | Tailândia | Fora | 0:3 | Lee Jae-sung 19', Son Heung-min 54', Park Jin-seop 82' | Estádio Rajamangala, Bangkok | |
| 6 de junho de 2024 | Segunda | C | Singapura | Fora | 0:7 | Lee Kang-in 9', 54', Joo Min-kyu 20', Son Heung-min 53', 56', Bae Jun-ho 79', Hwang Hee-chan 81' | Estádio Nacional, Singapur | |
| 11 de junho de 2024 | Segunda | C | China | Casa | 1:0 | Lee Kang-in 61' | Estádio Mundialista, Seúl | |
| 5 de setembro de 2024 | Tercera | B | 1 | Palestina | Casa | 0-0 | Estádio Mundialista, Seúl | |
| 10 de setembro de 2024 | Tercera | B | 2 | Omã | Fora | 1-3 | Hwang Hee-chan 10', Son Heung-min 82', Joo Min-kyu 90+11' | Complejo Deportivo del Sultán Qaboos, Mascate |
| 10 de outubro de 2024 | Tercera | B | 3 | Jordânia | Fora | 0-2 | Lee Jae-sung 38', Oh Hyeon-gyu 68' | Estádio Internacional, Amán |
| 15 de outubro de 2024 | Tercera | B | 4 | Iraque | Casa | 3-2 | Oh Se-hun 41', Oh Hyeon-gyu 74', Lee Jae-sung 83' | Estádio Yongin Mireu, Yongin |
| 14 de novembro de 2024 | Tercera | B | 5 | Kuwait | Fora | 1-3 | Oh Se-hun 10', Son Heung-min 19' pen., Bae Jun-ho 74' | Estádio Internacional Jaber Al-Ahmad, Kuwait |
| 19 de novembro de 2024 | Tercera | B | 6 | Palestina | Fora | 1-1 | Son Heung-min 16' | Estádio Internacional, Amán |
| 20 de março de 2025 | Tercera | B | 7 | Omã | Casa | 1-1 | Hwang Hee-chan 41' | Estádio de Goyang, Goyang |
| 25 de março de 2025 | Tercera | B | 8 | Jordânia | Casa | 1-1 | Lee Jae-sung 5' | Estádio Mundialista, Suwon |
| 5 de junho de 2025 | Tercera | B | 9 | Iraque | Fora | 0-2 | Kim Jin-gyu 63', Oh Hyeon-gyu 82' | Estádio Internacional, Basora |
| 10 de junho de 2025 | Tercera | B | 10 | Kuwait | Casa | 4-0 | Jeon Jin-woo 30', Lee Kang-in 51', Oh Hyeon-gyu 54', Lee Jae-sung 72' | Estádio Mundialista, Seúl |
Agora, por regra, as tabelas de posições precisam ser completas e, como os dados trazem mais de uma, elas entram todas, na ordem em que aparecem.
Tabela 1 — Tabela de posições Segunda Rodada Grupo C
| Pos. | Equipe | Pts. | PJ | G | E | P | GF | GC | Dif. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Coreia do Sul | 16 | 6 | 5 | 1 | 0 | 20 | 1 | +19 |
| 2 | China | 8 | 6 | 2 | 2 | 2 | 9 | 9 | 0 |
| 3 | Tailândia | 8 | 6 | 2 | 2 | 2 | 9 | 9 | 0 |
| 4 | Singapura | 1 | 6 | 0 | 1 | 5 | 5 | 24 | -19 |
Tabela 2 — Tabela de posições Tercera Rodada Grupo B
| Pos. | Equipe | Pts. | PJ | G | E | P | GF | GC | Dif. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Coreia do Sul | 22 | 10 | 6 | 4 | 0 | 20 | 7 | +13 |
| 2 | Jordânia | 16 | 10 | 4 | 4 | 2 | 16 | 8 | +8 |
| 3 | Iraque | 15 | 10 | 4 | 3 | 3 | 9 | 9 | 0 |
| 4 | Omã | 11 | 10 | 3 | 2 | 5 | 9 | 14 | -5 |
| 5 | Palestina | 10 | 10 | 2 | 4 | 4 | 10 | 13 | -3 |
| 6 | Kuwait | 5 | 10 | 0 | 5 | 5 | 7 | 20 | -13 |
Com as tabelas na mesa, dá para segmentar a história com lupa numérica. Primeiro: o ataque não caiu de produção entre fases — ele mudou de distribuição. Na Segunda Rodada foram 20 gols em 6 jogos (média de 3,33 por jogo), com dois resultados acima de 5 gols (5:0 e 7:0). Na Tercera Rodada foram 20 gols em 10 jogos (média de 2,0), sem goleadas tão monstruosas, mas com vitórias consistentes fora de casa (3:1 em Omã, 2:0 na Jordânia, 2:0 no Iraque).
Segundo: a defesa passou de muralha para “muro com rachaduras controladas”. Sofreu 1 gol em 6 jogos na Segunda Rodada; sofreu 7 em 10 na Tercera. Ainda é um bom número, mas o detalhe importa: os empates (quatro) vieram sempre com gol sofrido em três deles e um 0-0 no outro. A Coreia do Sul não foi vazada em sequência de descontrole; ela foi vazada em momentos específicos, muitas vezes depois de estar na frente.
Terceiro: a Coreia do Sul lidou bem com ambientes hostis. Das vitórias da Tercera Rodada, três foram fora (Omã, Jordânia, Kuwait) e ainda houve 2:0 no Iraque na rodada 9. O empate com a Palestina fora (1:1) também mostra capacidade de não quebrar quando sai atrás cedo. Esse dado não é poesia: é material de Mundial.
Como joga
A Coreia do Sul, pelos resultados, tem uma identidade que aparece antes mesmo de tentar adivinhar desenho tático: ela busca encurtar o jogo com gol. Quando consegue, vira rolo compressor; quando não consegue, o jogo alonga, e aí surgem os empates. É uma seleção que se sente confortável quando o placar abre a porta, e que precisa de mais paciência quando o adversário fecha a casa e transforma cada posse em labirinto.
O melhor indicador dessa dupla personalidade está nos extremos: 5:0 e 7:0 contra Singapura na Segunda Rodada são partidas em que o time não só marcou muito, mas marcou com variedade de nomes e em momentos diferentes (um gol aos 44’, depois sequência de 49’, 63’, 68’ e 85’; no 7:0, gols aos 9’, 20’, 53’, 54’, 56’, 79’ e 81’). Ou seja: não dependeu de um único “estouro” de 10 minutos. Foi pressão que voltou em ondas.
Por outro lado, na Tercera Rodada, três empates por 1:1 com roteiro parecido mostram um ponto de atenção. Contra Omã (20 de março de 2025), marcou aos 41’ e sofreu aos 80’: o jogo caminhou para uma vitória curta e escapou perto do fim. Contra a Jordânia (25 de março de 2025), fez 1:0 aos 5’ e levou o empate aos 30’: abriu cedo, mas não sustentou a vantagem com um segundo golpe. Contra a Palestina (19 de novembro de 2024), saiu atrás aos 12’ e empatou aos 16’: reagiu rápido, porém não encontrou o 2:1. O padrão é menos “fragilidade” e mais “insistência sem corte”: o time não desaba, mas às vezes não finaliza a história.
Outro traço forte: repertório de artilheiros, com uma âncora evidente. Son Heung-min aparece como figura central em jogos-chave: fez gols contra Singapura (16/11/2023), China (21/11/2023), Tailândia (21/03/2024), Tailândia de novo (26/03/2024), Singapura (06/06/2024), Omã (10/09/2024), Kuwait (14/11/2024), Palestina (19/11/2024). É muita presença em noites de cobrança. Mas o dado importante é que a Coreia não vive só dele: Lee Kang-in marcou contra Singapura (16/11/2023), fez dois contra Singapura (06/06/2024), decidiu contra a China (11/06/2024) e marcou contra o Kuwait (10/06/2025). Lee Jae-sung aparece em momentos de peso (Tailândia fora, Jordânia fora, Jordânia em casa logo aos 5’, Kuwait em casa). Oh Hyeon-gyu deixou gols em jogos de Tercera Rodada (Jordânia fora, Iraque em casa, Iraque fora, Kuwait em casa). Essa dispersão é uma blindagem: se um nome não encaixa, há outro para bater na porta.
Em termos de “ritmo de jogo”, os placares indicam que a Coreia do Sul sabe ganhar de dois jeitos. O primeiro é o modo esmagamento: placares largos e sequência de gols. O segundo é o modo pragmático: 1:0 contra a China (11/06/2024) e 2:0 fora contra Jordânia e Iraque, por exemplo. A equipe tem a capacidade de reduzir risco e aumentar o controle quando precisa. Mas o Mundial costuma exigir um terceiro modo, que aparece menos: o modo “matar o jogo quando está 1:0”. Os empates após sair na frente (Jordânia e Omã) são o lembrete mais direto.
As vulnerabilidades, então, não são um buraco estrutural revelado por derrotas — porque não houve derrotas. Elas são pequenas zonas cinzentas: jogos em que a vantagem mínima não vira vantagem segura, e jogos em que a igualdade não vira virada. Em um grupo de Copa, esse detalhe tem peso de classificação. Um 1:1 pode ser ponto valioso; dois ou três, podem virar conta apertada.
O grupo no Mundial
O Mundial já aparece no mapa com coordenadas claras: Grupo A, três partidas, duas cidades, dois estádios. A Coreia do Sul abre sua campanha em Guadalajara, volta a Guadalajara e fecha em Monterrey. Essa geografia importa porque cria uma rotina logística mais linear: basear-se em uma região e ajustar o corpo ao mesmo tipo de deslocamento pode reduzir ruído fora de campo.
Os adversários definidos no calendário do grupo são México e África do Sul. O terceiro rival ainda depende de definição: não dá para tratar como nome próprio, então o mais correto é descrevê-lo como um adversário por definirse, sairá do play-off UEFA Ruta D: República Checa, Irlanda, Dinamarca ou Macedônia do Norte. Esse detalhe muda a preparação porque muda o tipo de desafio, mas há algo constante: o jogo de estreia costuma ser mais sobre nervo do que sobre leitura.
Tabela — Jogos da Coreia do Sul no Grupo A
| Data | Estádio | Cidade | Rival |
|---|---|---|---|
| 11 de junho de 2026 | Estádio Chivas | Guadalajara | Rival por definirse, sairá do play-off UEFA Ruta D: República Checa, Irlanda, Dinamarca ou Macedônia do Norte. |
| 18 de junho de 2026 | Estádio Chivas | Guadalajara | México |
| 24 de junho de 2026 | Estádio BBVA | Monterrey | África do Sul |
O primeiro jogo, em 11 de junho de 2026, é o tipo de partida em que a Coreia do Sul precisa evitar o que seus próprios números apontam como risco: ficar no 1:0 e aceitar um empate tardio, ou ficar no 1:1 e não achar o golpe final. Como o rival pode variar bastante dentro do leque possível, o plano mais saudável é pensar em princípios: impor ritmo, buscar vantagem cedo sem se expor demais e, se marcar primeiro, usar o placar como ferramenta de gestão, não como convite ao relaxamento. Prognóstico em linguagem direta: empate.
A segunda partida, em 18 de junho de 2026, contra o México, novamente em Guadalajara, deve ser o teste mais “emocional” do grupo. O México costuma trazer ambiente e intensidade, e isso normalmente empurra o jogo para momentos de transição e disputa de duelos. Para a Coreia do Sul, que mostrou capacidade de vencer fora de casa em Eliminatórias (3:1 em Omã, 2:0 na Jordânia, 2:0 no Iraque), há um argumento a favor: o time sabe não se quebrar. Mas também há um alerta: jogos com placar curto exigem eficiência, e a equipe conviveu com empates repetidos na Tercera Rodada. Prognóstico: ganha México.
O fechamento, em 24 de junho de 2026, em Monterrey, contra a África do Sul, oferece um cenário típico de terceira rodada: pode ser jogo de classificação, pode ser jogo de saldo, pode ser jogo de sobrevivência. E a Coreia do Sul tem, nos dados, um repertório que conversa bem com esse tipo de decisão: goleadas quando o adversário cede (como 7:0 sobre Singapura) e vitórias de controle quando é preciso reduzir riscos (como 2:0 fora contra Iraque e Jordânia). A chave será não deixar que o jogo vire um 1:1 teimoso, como ocorreu contra Palestina, Omã e Jordânia na reta final da Eliminatória asiática. Prognóstico: ganha Coreia do Sul.
Claves para classificar no Grupo A
- Transformar vantagens iniciais em vitórias: os empates por 1:1 após sair na frente (contra Omã e Jordânia) servem como alerta de manual.
- Manter a diversidade de gols: Son Heung-min é farol, mas a campanha mostrou que Lee Kang-in, Lee Jae-sung e Oh Hyeon-gyu também decidem.
- Ser pragmática fora do “modo goleada”: no Mundial, o 2:0 fora de casa vale ouro simbólico; a Coreia já mostrou esse tipo de vitória contra Jordânia e Iraque.
- Evitar jogos longos sem margem: quando não abre dois gols de diferença, a equipe precisa aumentar o controle de risco para não pagar no fim.
Opinião editorial
A Coreia do Sul chega com números que dão vontade de escrever com tinta grossa: 40 gols em 16 jogos somando as duas fases listadas, e apenas 8 sofridos. Mas o ponto mais interessante não é o tamanho do ataque — é o fato de a equipe ter aprendido a pontuar mesmo quando a engrenagem não canta. Quatro empates em dez jogos na Tercera Rodada poderiam ser lidos como tropeço; eu leio como amadurecimento com uma pendência: falta transformar alguns desses 1:1 em 2:1. No Mundial, essa diferença é uma linha fina entre “passou” e “pegou o voo de volta”.
O recado para a Coreia do Sul não é “jogar mais bonito” nem “ser mais agressiva”. É ser mais cruel nos momentos em que o jogo oferece vantagem. O melhor exemplo é o 1:1 em 20 de março de 2025 contra Omã: fez 1:0 aos 41’ e sofreu aos 80’. O time não perdeu, mas perdeu o roteiro. Em Copa, esse tipo de noite pode custar a tabela, o cruzamento e até o humor de um grupo inteiro. Se a Coreia mantiver a cabeça fria e o pé firme para fechar partidas, ela não será apenas uma seleção organizada: será uma seleção com cara de problema para qualquer um.