Colômbia - Grupo K
Colômbia 🇨🇴🔥 rumo ao Mundial: a Tricolor que aprendeu a sofrer e a golpear
Uma Eliminatória de 18 atos, um grupo com Portugal e uma estreia no Azteca para medir o tamanho do sonho.
Introdução
Há seleções que chegam à Copa do Mundo como quem abre a porta da frente: postura, brilho e tapete vermelho. E há seleções que chegam pela porta lateral, com a camisa já suada, as pernas marcadas por viagens longas e a cabeça treinada para sobreviver a cada detalhe. A Colômbia desta caminhada tem mais da segunda imagem — e isso, paradoxalmente, a deixa mais perigosa.
Porque a Tricolor não foi um time de “só jogar bonito”. Foi um time de conviver com partidas amarradas, de atravessar trechos de empate como quem atravessa um deserto, e de voltar a se reconhecer quando a bola queima. A Colômbia que se classificou não é uma promessa abstrata: ela tem placares, cicatrizes e explosões bem localizadas no calendário.
A classificação veio com números claros: 3º lugar na tabela da CONMEBOL, 28 pontos em 18 jogos, com campanha de 7 vitórias, 7 empates e 4 derrotas. Fez 28 gols e sofreu 18, diferença positiva de 10. Não é um time que depende só de um gol perdido aqui ou ali: é um time que, no conjunto, fez mais do que levou — e sustentou isso por uma maratona longa.
Mas a história não se resume ao retrato final. Há momentos-bisagra que ajudam a explicar o roteiro. Em 16 de novembro de 2023, em Barranquilla, a Colômbia virou sobre o Brasil e venceu por 2 a 1, com Luis Díaz marcando duas vezes (75’ e 79’) depois de sofrer um gol cedo (4’). Foi um sinal: o time podia apanhar primeiro, mas não precisava desabar. Já em 10 de outubro de 2024, em El Alto, a derrota por 1 a 0 para a Bolívia expôs o outro lado do caminho: nem sempre dá para levar o jogo para onde se quer, e há noites em que o controle é um luxo. Por fim, em 9 de setembro de 2025, em Maturín, o 6 a 3 sobre a Venezuela foi uma síntese rara e valiosa: a Colômbia não apenas ganhou — ela atropelou com repertório e volume, mesmo sofrendo três.
O resultado é um time que chega ao Mundial com uma identidade construída menos na teoria e mais no atrito: capacidade de reagir, de empatar quando o jogo ameaça escapar, e de transformar o caos em vantagem quando encontra espaço. Nem sempre suave, quase sempre competitivo.
O caminho pelas Eliminatórias
O formato da Eliminatória sul-americana é o velho teste de resistência: todos contra todos, ida e volta, 18 rodadas. Não é um torneio para “pegar embalo” e relaxar; é um campeonato de sobrevivência em altitude, calor, gramados diferentes e estádios que mudam a conversa. A Colômbia saiu desse labirinto com 28 pontos e um lugar entre os protagonistas — mas sem a narrativa fácil de quem dominou do começo ao fim.
O retrato da tabela mostra bem o nível de disputa: a Colômbia terminou com os mesmos 28 pontos de Uruguai, Brasil e Paraguai. E, no entanto, ficou em 3º. A explicação não está em um único jogo; está no agregado de detalhes: gols feitos (28), gols sofridos (18), diferença (10) e, sobretudo, a habilidade de somar mesmo quando não venceu. Sete empates é muito em 18 jogos — e, ao mesmo tempo, é o que mantém um time vivo quando a vitória não vem.
Há também uma leitura de contraste interessante com os vizinhos imediatos. O Uruguai terminou com a mesma diferença de gols (10), mas marcou menos (22) e sofreu bem menos (12), desenho mais “trancado”. O Brasil venceu uma partida a mais (8 vitórias), mas perdeu mais (6 derrotas) e terminou com diferença menor (7). O Paraguai espelhou a Colômbia em vitórias, empates e derrotas (7-7-4), mas com um ataque muito menos produtivo (14 gols). A Colômbia, no miolo do pelotão de cima, foi o time do equilíbrio com capacidade real de gol.
A caminhada começou com pé firme: 7 de setembro de 2023, vitória por 1 a 0 sobre a Venezuela em Barranquilla, gol de Borré aos 46’. Nada de goleada para embalar; foi vitória de margem mínima, do tipo que ensina desde cedo como a Eliminatória é. Na rodada seguinte, 12 de setembro de 2023, 0 a 0 com o Chile fora: um ponto que, naquela altura, parecia burocrático — e, no fim, vira tijolo de classificação.
O primeiro grande capítulo emocional veio em 12 de outubro de 2023, no 2 a 2 com o Uruguai em Barranquilla. A Colômbia fez 1 a 0 (Rodríguez 35’) e 2 a 1 (Uribe 52’), mas sofreu o empate no detalhe final: pênalti aos 90+1’. Esse tipo de jogo marca o time: ou vira trauma, ou vira aprendizagem sobre como fechar partidas. E, olhando a sequência, a Colômbia alternou as duas coisas ao longo do ciclo.
A noite que mais redefiniu a confiança foi 16 de novembro de 2023: Colômbia 2 x 1 Brasil. Sofrer um gol aos 4’ e responder duas vezes no fim não é só “virada”; é mensagem interna de que o time não precisa ser perfeito para ser perigoso. Poucos dias depois, em 21 de novembro de 2023, veio mais um tijolo típico de Eliminatória: Paraguai 0 x 1 Colômbia, com Borré de pênalti aos 11’. Vitória fora, placar curto, jogo de controle emocional.
O ciclo, porém, teve um trecho de oscilação mais evidente em 2024 e 2025. Houve a derrota em El Alto para a Bolívia (1 a 0 em 10 de outubro de 2024) e, logo depois, a resposta em casa: 4 a 0 no Chile em 15 de outubro de 2024, com gols de D. Sánchez, Luis Díaz, Durán e Sinisterra. Esse 4 a 0 não é apenas “três pontos”: é a prova estatística de que a Colômbia podia abrir um jogo quando acertava o primeiro golpe.
No fim de 2024, vieram dois tropeços que deixaram marcas: 15 de novembro, Uruguai 3 x 2 Colômbia em Montevidéu (com gol sofrido aos 90+11’), e 19 de novembro, Colômbia 0 x 1 Equador em Barranquilla (gol aos 7’). Ali aparece um padrão que volta em outros momentos: quando sofre cedo, a Colômbia nem sempre consegue transformar volume em virada; e quando o jogo vai para o último minuto, a margem emocional é mínima.
Em 2025, a Colômbia voltou a encontrar empates como forma de somar: 2 a 2 com o Paraguai em 25 de março (abriu 2 a 0 com Díaz aos 1’ e Durán aos 13’, mas cedeu o empate), 0 a 0 com o Peru em 6 de junho e 1 a 1 com a Argentina fora em 10 de junho. Empatar com a Argentina em Buenos Aires é um ponto de peso; empatar em casa depois de abrir 2 a 0 tem outro sabor. E essa dualidade é o que desenha a equipe: perigosa, mas ainda vulnerável ao jogo longo.
O fechamento, entretanto, foi de afirmação. Em 4 de setembro de 2025, 3 a 0 sobre a Bolívia em Barranquilla — Rodríguez, Córdoba, Quintero — e, em 9 de setembro de 2025, a avalanche em Maturín: Venezuela 3 x 6 Colômbia, com cinco gols de Luis Suárez (42’, 50’, 59’, 67’) além de Mina e Córdoba. É um placar que dá argumento para qualquer analista: existe um teto alto quando a Colômbia encontra o ritmo certo.
Tabela 1 — Partidas da Colômbia nas Eliminatórias
| Data | Jornada | Rival | Condição | Resultado | Artilheiros | Sede |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 7 de setembro de 2023 | 1 | Venezuela | Casa | 1:0 | Borré 46' | Estádio Metropolitano, Barranquilla |
| 12 de setembro de 2023 | 2 | Chile | Fora | 0:0 | Estádio Monumental, Santiago | |
| 12 de outubro de 2023 | 3 | Uruguai | Casa | 2:2 | Rodríguez 35', Uribe 52' | Estádio Metropolitano, Barranquilla |
| 17 de outubro de 2023 | 4 | Equador | Fora | 0:0 | Estádio Rodrigo Paz Delgado, Quito | |
| 16 de novembro de 2023 | 5 | Brasil | Casa | 2:1 | Díaz 75', 79' | Estádio Metropolitano, Barranquilla |
| 21 de novembro de 2023 | 6 | Paraguai | Fora | 0:1 | Borré 11' | Estádio Defensores del Chaco, Asunción |
| 6 de setembro de 2024 | 7 | Peru | Fora | 1:1 | Díaz 82' | Estádio Nacional, Lima |
| 10 de setembro de 2024 | 8 | Argentina | Casa | 2:1 | Mosquera 25', Rodríguez 60' | Estádio Metropolitano, Barranquilla |
| 10 de outubro de 2024 | 9 | Bolívia | Fora | 1:0 | Estádio Municipal, El Alto | |
| 15 de outubro de 2024 | 10 | Chile | Casa | 4:0 | D. Sánchez 34', Díaz 52', Durán 82', Sinisterra 90+3' | Estádio Metropolitano, Barranquilla |
| 15 de novembro de 2024 | 11 | Uruguai | Fora | 3:2 | Quintero 31', Gómez 90+6' | Estádio Centenario, Montevideo |
| 19 de novembro de 2024 | 12 | Equador | Casa | 0:1 | Estádio Metropolitano, Barranquilla | |
| 20 de março de 2025 | 13 | Brasil | Fora | 2:1 | Díaz 41' | Estádio Mané Garrincha, Brasilia |
| 25 de março de 2025 | 14 | Paraguai | Casa | 2:2 | Díaz 1', Durán 13' | Estádio Metropolitano, Barranquilla |
| 6 de junho de 2025 | 15 | Peru | Casa | 0:0 | Estádio Metropolitano, Barranquilla | |
| 10 de junho de 2025 | 16 | Argentina | Fora | 1:1 | Díaz 24' | Estádio Monumental, Buenos Aires |
| 4 de setembro de 2025 | 17 | Bolívia | Casa | 3:0 | Rodríguez 31', Córdoba 74', Quintero 83' | Estádio Metropolitano, Barranquilla |
| 9 de setembro de 2025 | 18 | Venezuela | Fora | 3:6 | Mina 10', Suárez 42', 50', 59', 67', Córdoba 78' | Estádio Monumental, Maturín |
O que os números contam quando a gente separa o que foi em casa e o que foi fora? Em Barranquilla, a Colômbia construiu sua base: vitórias sobre Venezuela, Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, além de empates com Uruguai, Paraguai e Peru, e a derrota apertada para o Equador. Fora, foi um time capaz de pontuar com empates sem gols (Chile e Equador), buscar 1 a 1 no Peru e na Argentina, e vencer no Paraguai; mas também sofreu em jogos de margem curta: perdeu 1 a 0 para a Bolívia e caiu por 2 a 1 no Brasil.
Há um dado que ajuda a entender o “perfil” dessa campanha: muitos jogos foram de placar curto ou travado, mas a Colômbia também teve picos de produção ofensiva. O 6 a 3 e o 4 a 0 são exceções barulhentas num caminho em que 1 a 0, 1 a 1 e 0 a 0 aparecem como rotina. Isso costuma indicar um time pragmático por necessidade, não por vocação: sabe ganhar apertado, mas quando encontra o encaixe, consegue transformar jogo em avalanche.
Tabela 2 — Tabela de posições CONMEBOL
| Pos. | Seleção | Pts. | PJ | PG | PE | PP | GF | GC | Dif. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Argentina | 38 | 18 | 12 | 2 | 4 | 31 | 10 | 21 |
| 2 | Equador | 29 | 18 | 8 | 8 | 2 | 14 | 5 | 9 |
| 3 | Colômbia | 28 | 18 | 7 | 7 | 4 | 28 | 18 | 10 |
| 4 | Uruguai | 28 | 18 | 7 | 7 | 4 | 22 | 12 | 10 |
| 5 | Brasil | 28 | 18 | 8 | 4 | 6 | 24 | 17 | 7 |
| 6 | Paraguai | 28 | 18 | 7 | 7 | 4 | 14 | 10 | 4 |
| 7 | Bolívia | 20 | 18 | 6 | 2 | 10 | 17 | 35 | -18 |
| 8 | Venezuela | 18 | 18 | 4 | 6 | 8 | 18 | 28 | -10 |
| 9 | Peru | 12 | 18 | 2 | 6 | 10 | 6 | 21 | -15 |
| 10 | Chile | 11 | 18 | 2 | 5 | 11 | 9 | 27 | -18 |
A Colômbia termina colada nos gigantes e, ao mesmo tempo, com um perfil próprio: marca quase tanto quanto a Argentina (28 contra 31), mas sofre bem mais (18 contra 10). E isso diz muito sobre a forma como joga e como aceita o risco. Não foi um time “de 1 a 0 eterno”. Foi um time que entrou em trocação em momentos pontuais e pagou o preço em outros.
Como joga
A Colômbia desta campanha parece construída para viver em dois mundos. No primeiro, o mundo do controle emocional e do placar curto: quatro empates com 0 a 0 ou 1 a 1 em sequência espalhada pelo ciclo — 0 a 0 com Chile fora (12 de setembro de 2023), 0 a 0 com Equador fora (17 de outubro de 2023), 0 a 0 com Peru em casa (6 de junho de 2025), 1 a 1 com Argentina fora (10 de junho de 2025) — mostram que existe uma capacidade real de “não perder” mesmo sem dominar. Isso, em Copa, é uma moeda forte.
No segundo mundo, o mundo em que a Colômbia acelera e quebra o jogo. O 4 a 0 sobre o Chile (15 de outubro de 2024) e o 6 a 3 sobre a Venezuela (9 de setembro de 2025) não são vitórias por acaso: são jogos em que o time conseguiu transformar chances em sequência, e isso normalmente aponta para ataques que se conectam em ondas — especialmente quando o adversário abre espaço ou perde o eixo depois do primeiro golpe.
A eficiência ofensiva aparece também na soma: 28 gols em 18 jogos, média de 1,56 por partida. Não é uma máquina constante, mas é um ataque capaz de produzir. E quando a Colômbia produz, costuma ter um rosto recorrente: Luis Díaz aparece como protagonista em vários momentos-chave — gols contra Brasil, Peru, Brasil fora, Paraguai, Argentina, além de iniciar o placar cedo contra o Paraguai em 25 de março de 2025 (1’) e marcar em Buenos Aires em 10 de junho de 2025 (24’). Esse tipo de presença repetida sugere que o time tem um “motor” ofensivo que volta sempre, mesmo quando o resto do jogo muda.
Há também uma assinatura interessante: a Colômbia fez gols em minutos que mudam roteiro. Contra o Brasil em 16 de novembro de 2023, marcou aos 75’ e 79’. Contra o Peru fora, empatou aos 82’ (6 de setembro de 2024). Contra a Venezuela, a avalanche de Suárez veio no segundo tempo com sequência (50’, 59’, 67’). Isso costuma dizer duas coisas ao mesmo tempo: há fôlego e há banco de soluções; mas também pode indicar que, em certos jogos, o time demora a encaixar o plano inicial e só acha a rota depois.
As vulnerabilidades, por sua vez, não são misteriosas: elas aparecem nos detalhes de administração de vantagem e nos inícios ruins. A Colômbia abriu 2 a 0 contra o Paraguai em 25 de março de 2025 (gols aos 1’ e 13’) e cedeu o 2 a 2. Sofreu gol aos 7’ contra o Equador em 19 de novembro de 2024 e não conseguiu virar. E, em Montevidéu, sofreu o 3 a 2 aos 90+11’ (15 de novembro de 2024), um golpe tardio que costuma escancarar problemas de “fechamento”: seja por fadiga, seja por concentração, seja por gestão do risco nos acréscimos.
Defensivamente, os 18 gols sofridos em 18 jogos sugerem uma seleção que raramente passa ilesa por longos períodos. Ainda assim, há uma camada de consistência: teve empates sem gols e jogos em que segurou grandes adversários por longos trechos (0 a 0 em Quito; 1 a 1 em Buenos Aires). Ou seja: não é uma defesa frágil por natureza, mas uma defesa que oscila de acordo com o tipo de jogo. Em partidas mais abertas, sofre; em partidas de bloco baixo e controle de dano, aguenta.
Por fim, o “DNA de Copa” pode estar escondido em um dado simples: a Colômbia perdeu apenas quatro vezes em 18 jogos. Para uma Eliminatória sul-americana, isso é uma taxa baixa. E, quando perde, frequentemente perde por diferença mínima (1 a 0 na altitude; 2 a 1 fora; 1 a 0 em casa contra Equador). Esse tipo de derrota é doloroso, mas também mostra que o time não costuma ser atropelado — e essa característica é quase sempre o alicerce de campanhas sólidas em fase de grupos.
O grupo no Mundial
O Grupo K coloca a Colômbia diante de um desenho de Copa que mistura tradição e novidade: estreia contra o Uzbequistão, reencontro com Portugal e, no meio do caminho, um adversário por definirse vindo de um repechaje internacional. É o tipo de grupo que não permite entrar “aos poucos”: tem que chegar ligado desde o primeiro minuto, porque a ordem dos jogos costuma moldar a psicologia do grupo.
O primeiro jogo, no Estádio Azteca, em 17 de junho de 2026, é um cenário que pesa por si só. Uma estreia em Copa quase nunca é sobre tática fina; é sobre nervo, primeira bola dividida, segundo tempo com pernas duras e a necessidade de não se complicar. A Colômbia, pelo que mostrou na Eliminatória, tem repertório para lidar com esse tipo de jogo: sabe ganhar curto (1 a 0), sabe empatar quando não encaixa (0 a 0, 1 a 1), e sabe esperar o momento certo para acelerar.
A segunda partida, em 23 de junho de 2026, traz a variável mais delicada para o analista: o rival ainda não está definido. E, quando o adversário “muda de nome” até perto do torneio, a preparação precisa ser menos sobre rótulos e mais sobre comportamento: impor condições, evitar erros de saída, não entregar transição, não transformar o jogo em loteria. A Colômbia tem uma lição recente útil aqui: contra o Paraguai em casa, abriu o placar cedo e, mesmo assim, deixou o empate escapar. Em Copa, esse tipo de oscilação custa caro.
O fechamento da fase, em 27 de junho de 2026, é o confronto que pode decidir tudo: Colômbia x Portugal, em Miami. Portugal costuma significar ritmo alto, jogo de detalhe, partida em que um erro vira gol. Para a Colômbia, esse é o jogo que pede o melhor da sua campanha: a capacidade de competir sem se abrir demais — algo que ela mostrou em Buenos Aires no 1 a 1 com a Argentina e, por trechos, no 2 a 1 sobre a própria Argentina em Barranquilla.
Tabela — Jogos da Colômbia no Grupo K
| Data | Estádio | Cidade | Rival |
|---|---|---|---|
| 17 de junho de 2026 | Estádio Azteca | Ciudad de México | Uzbequistão |
| 23 de junho de 2026 | Estádio Chivas | Guadalajara | Rival por definirse, saldrá del repechaje internacional Llave A: Nueva Caledonia, Jamaica o República Democrática del Congo. |
| 27 de junho de 2026 | Hard Rock Stadium | Miami | Portugal |
Partida a partida, o roteiro provável passa por três testes diferentes.
No jogo 1, Uzbequistão x Colômbia, o desafio principal é emocional: estrear sem travar. A Colômbia pode se apoiar no que fez em partidas de estreia e de controle: vitória por 1 a 0 na rodada 1 da Eliminatória, e empates sem gols fora de casa que mostram disciplina. Se o jogo ficar travado, a Colômbia já viveu esse filme e sabe que um gol basta. Prognóstico: ganha Colômbia.
No jogo 2, Colômbia x rival por definirse do repechaje internacional Llave A, a armadilha é a ansiedade. É o tipo de partida em que a obrigação de vencer pode pesar mais do que o adversário. O dado mais importante do ciclo é que a Colômbia nem sempre administra bem vantagens (2 a 2 com Paraguai após abrir 2 a 0). Então o plano não pode ser só “marcar cedo”: precisa ser “marcar e seguir competindo”. Prognóstico: ganha Colômbia.
No jogo 3, Colômbia x Portugal, o contexto manda: pode ser jogo por liderança, por classificação ou por sobrevivência. E, sem dados do grupo além do calendário, o prudente é olhar para o que a Colômbia mostrou contra times grandes: venceu Brasil e Argentina em Barranquilla, empatou com a Argentina fora, e perdeu por detalhes fora contra Brasil e Uruguai. Ou seja, compete — mas nem sempre finaliza o serviço. Prognóstico: empate.
Para avançar, há chaves práticas que aparecem com clareza quando se olha a Eliminatória sem romantismo:
- Evitar sofrer cedo: a derrota por 0 a 1 para o Equador em casa começou aos 7’ e o jogo ficou “corrida atrás”.
- Melhorar a gestão de vantagem: o 2 a 2 com o Paraguai depois de 2 a 0 é um alerta direto para jogo de Copa.
- Transformar disciplina em dano real: os 0 a 0 e 1 a 1 mostram controle, mas a Copa pede converter controle em pontos.
- Manter o teto ofensivo acessível: quando a Colômbia encaixa (4 a 0, 6 a 3), ela muda o grupo de patamar.
Opinião editorial
A Colômbia chega ao Mundial com cara de time que incomoda. Não porque seja perfeita, mas porque é difícil de quebrar: perdeu pouco, empatou muito quando precisava e, quando encontrou o encaixe, goleou sem pedir desculpas. Em uma Copa, isso tem valor: a seleção que sabe sofrer costuma chegar mais longe do que a seleção que só sabe se exibir.
Ao mesmo tempo, existe uma conta pendente que não dá para maquiar com narrativa: a Colômbia ainda escorrega na administração do jogo. Sofrer um gol cedo e não virar, abrir 2 a 0 e não ganhar, levar um gol aos 90+11’… esses episódios não são “azar”; são padrões que podem reaparecer quando o mata-mata se aproxima e o relógio vira inimigo.
No fim, a sensação é de um time pronto para competir com qualquer um, mas que precisa jogar o próprio jogo com mais frieza quando o placar está a favor. A Eliminatória deixou um manual — e ele está escrito em partidas específicas, não em slogans.
Se eu tivesse que escolher uma advertência concreta para carregar na bagagem, ela viria com data e placar: 25 de março de 2025, Colômbia 2 x 2 Paraguai. Abrir 2 a 0 com gols aos 1’ e 13’ e ainda assim não vencer é a lembrança perfeita de que, na Copa, o jogo não termina quando a torcida começa a cantar mais alto. Termina quando termina. E, para a Colômbia, esse detalhe pode ser a diferença entre uma campanha correta e uma campanha memorável.