Jordânia - Grupo J
🇯🇴🔥 Jordânia, a seleção que aprende no impacto e responde no placar 🔥🇯🇴
Entre empates com gosto de cicatriz e vitórias que viram assinatura, a Jordânia chega ao Mundial com números que contam uma história de resistência e punch.
Introdução
Há seleções que se apresentam com um manifesto tático; a Jordânia prefere um resumo mais direto, quase de bolso: aguenta o tranco, encontra um gol, e segue viva. Não é um caminho de seda. É o tipo de rota que passa por empates arrancados nos acréscimos, por vitórias que precisam ser construídas com paciência e por derrotas que doem porque acontecem por detalhes.
Nas Eliminatórias asiáticas, a Jordânia foi se moldando como equipe que não se assusta com o roteiro torto. Em Dusambé, contra o Tajiquistão, o jogo parecia fugir no minuto 89 e voltou no 90+3: 1 a 1 com gol tardio de Al-Naimat, um daqueles lances que não mudam só o placar, mudam o humor de uma campanha inteira. E há outro detalhe que diz muito sobre esse time: mesmo quando tropeça, costuma deixar uma pista de reação.
Quando a bola começou a rolar na sequência, a Jordânia também conheceu a face mais incômoda do processo: em 21 de novembro de 2023, em Amã, perdeu por 0 a 2 para a Arábia Saudita. Foi um corte seco numa noite que parecia preparada para equilíbrio. Esse tipo de jogo, em eliminatórias longas, vira teste de maturidade: ou derruba, ou ensina.
A resposta veio com volume e com números. Em 26 de março de 2024, novamente em Amã, a Jordânia atropelou o Paquistão por 7 a 0, numa atuação que trocou ansiedade por controle e terminou com sete nomes diferentes na súmula do placar. E, no fechamento daquela etapa, veio um golpe simbólico: em 11 de junho de 2024, em Riade, a Jordânia venceu a Arábia Saudita por 2 a 1 — como se devolvesse, com juros, a lembrança amarga do 0 a 2.
Os dados ajudam a aterrissar a narrativa. Na Segunda fase, Grupo G, a Jordânia terminou em 1º lugar com 13 pontos em 6 jogos, com 16 gols a favor e 4 contra, saldo de +12. Depois, na Terceira fase, Grupo B, ficou em 2º lugar com 16 pontos em 10 jogos, com 16 gols marcados e 8 sofridos, saldo de +8. Não é uma seleção de maré alta permanente; é uma equipe que cresce quando encontra espaço para competir em jogos de placar curto — e também quando tem o cenário ideal para acelerar.
Se fosse para escolher momentos-bisagra, três datas desenham a linha do tempo com clareza. 16 de novembro de 2023: empate 1 a 1 com o Tajiquistão, com o gol salvador de Al-Naimat no fim. 26 de março de 2024: 7 a 0 no Paquistão, um recado de potência e de confiança. 10 de junho de 2025: derrota em casa por 0 a 1 para o Iraque, um lembrete de que, no alto nível, a Jordânia ainda vive sob a lâmina do detalhe.
O caminho pelas Eliminatórias
O formato asiático até a vaga mundialista é uma maratona com várias portas. A Jordânia atravessou duas etapas de grupos (Segunda e Terceira fases) em que cada ponto tem valor de metal: na Terceira fase, em particular, a regra é simples e pesada — os dois primeiros de cada grupo carimbam presença direta no Mundial, enquanto o 3º e o 4º seguem para uma fase adicional de play-offs continentais. Esse desenho transforma o “ficar perto” em uma categoria cruel: ou você está entre os dois, ou precisa sobreviver ao caminho mais longo.
Na Segunda fase, a Jordânia encarou o Grupo G e terminou no topo, empatada em pontos com a Arábia Saudita (13), mas com vantagem de saldo: +12 contra +9. O número que define o recorte é a diferença entre atacar e sofrer: 16 gols feitos e apenas 4 sofridos em 6 jogos. É campanha de líder — e de líder com defesa funcional. E é também um sinal de que, quando a Jordânia consegue impor hierarquia, costuma transformar essa superioridade em placar.
O recorte dos jogos mostra como essa liderança foi construída com contrastes. O empate em 1 a 1 no Tajiquistão foi jogo de sobrevivência emocional: levar gol no 89 e empatar no 90+3 é praticamente um mini-título dentro de uma campanha. Depois, houve o choque com a Arábia Saudita (0 a 2 em casa), que colocou a Jordânia no lugar da perseguição. A partir dali, veio a fase de “construir saldo”: 3 a 0 no Paquistão fora, 7 a 0 em casa, 3 a 0 no Tajiquistão e, no fim, a vitória fora sobre a Arábia Saudita por 2 a 1 que fechou o grupo com cara de resposta.
Já na Terceira fase, Grupo B, o cenário muda de temperatura: adversários mais duros, jogos mais fechados e menos margem para goleadas. A Jordânia terminou em 2º lugar com 16 pontos, atrás da Coreia do Sul (22) e à frente do Iraque (15). A leitura fria diz: campanha suficiente para ficar entre os dois primeiros, mas com um custo claro — dois tropeços marcantes em casa e uma sequência de empates que, dependendo do dia, pode ser virtude (não perder) ou alerta (não matar).
A Jordânia nessa fase teve 4 vitórias, 4 empates e 2 derrotas. Marcou 16 gols e sofreu 8: saldo +8. O detalhe importante é a distribuição desse desempenho entre jogos de imposição e jogos de contenção. Houve partidas em que a Jordânia teve perfil de “resolver rápido” — como o 3 a 1 sobre a Palestina em 20 de março de 2025 e o 3 a 0 fora contra Omã em 5 de junho de 2025. E houve jogos em que o time caminhou no fio — como o 1 a 1 com Kuwait em 5 de setembro de 2024, sofrendo empate com pênalti aos 90+2, e o 0 a 0 fora contra o Iraque em 14 de novembro de 2024, que foi ponto útil, mas também sintoma de duelo travado.
O fechamento da Terceira fase, porém, guarda o alerta mais pedagógico: em 10 de junho de 2025, em Amã, a Jordânia perdeu por 0 a 1 para o Iraque. Não foi um desastre de placar, foi um corte cirúrgico. Em grupo apertado, jogos assim viram o tipo de cicatriz que define como você entra em um Mundial: com a sensação de que sabe sofrer, mas precisa aprender a transformar domínio territorial em gol quando o rival não se abre.
A seguir, os jogos e as tabelas que desenham essa campanha inteira — sem cortes, porque eliminatórias não se entendem por highlights: se entendem pela soma.
Tabela 1 Partidas da Jordânia nas Eliminatórias
| Data | Fase | Grupo | Jornada | Adversário | Condição | Resultado | Artilheiros | Sede |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 16 de novembro de 2023 | Segunda | G | Tajiquistão | Fora | 1:1 | Tajiquistão: Samiev 89'. Jordania: Al-Naimat 90+3'. | Estádio Pamir, Dusambé | |
| 21 de novembro de 2023 | Segunda | G | Arábia Saudita | Casa | 0:2 | Arabia Saudita: Al-Shehri 8', 30'. | Estádio Internacional, Amán | |
| 21 de março de 2024 | Segunda | G | Paquistão | Fora | 0:3 | Jordania: Al-Tamari 2', 86', Olwan 9' pen. | Estádio Jinnah Sports, Islamabad | |
| 26 de março de 2024 | Segunda | G | Paquistão | Casa | 7:0 | Jordania: Al-Taamari 15', 62', 79', Al-Naimat 28', Al-Rosan 52', Olwan 75', Abu Zraiq 83'. | Estádio Internacional, Amán | |
| 6 de junho de 2024 | Segunda | G | Tajiquistão | Casa | 3:0 | Jordania: Olwan 51', Al-Naimat 68', Sadeh 90+4'. | Estádio Internacional, Amán | |
| 11 de junho de 2024 | Segunda | G | Arábia Saudita | Fora | 1:2 | Arabia Saudita: Lajami 16'. Jordania: Olwan 27', Al-Rawabdeh 45+2'. | Estádio KSU, Riad | |
| 5 de setembro de 2024 | Terceira | B | 1 | Kuwait | Casa | 1-1 | Jordania: Al-Tamari 14'. Kuwait: Al-Sulaiman 90+2' pen. | Estádio Internacional, Amán |
| 10 de setembro de 2024 | Terceira | B | 2 | Palestina | Fora | 1-3 | Palestina: Ali 41'. Jordania: Al-Naimat 5', 50', Al-Rawabdeh 72'. | Estádio Kuala Lumpur, Kuala Lumpur |
| 10 de outubro de 2024 | Terceira | B | 3 | Coreia do Sul | Casa | 0-2 | Coreia do Sul: Lee Jae-sung 38', Oh Hyeon-gyu 68'. | Estádio Internacional, Amán |
| 15 de outubro de 2024 | Terceira | B | 4 | Omã | Casa | 4-0 | Jordania: Al-Naimat 26', 54', Olwan 49' pen., 87'. | Estádio Internacional, Amán |
| 14 de novembro de 2024 | Terceira | B | 5 | Iraque | Fora | 0-0 | Sin goles | Estádio Internacional, Basora |
| 19 de novembro de 2024 | Terceira | B | 6 | Kuwait | Fora | 1-1 | Kuwait: Daham 68'. Jordania: Al-Naimat 21'. | Estádio Internacional Jaber Al-Ahmad, Kuwait |
| 20 de março de 2025 | Terceira | B | 7 | Palestina | Casa | 3-1 | Jordania: Al-Arab 3', Nasib 11', Al-Tamari 45+3'. Palestina: Seyam 33'. | Estádio Internacional, Amán |
| 25 de março de 2025 | Terceira | B | 8 | Coreia do Sul | Fora | 1-1 | Coreia do Sul: Lee Jae-sung 5'. Jordania: Al-Mardi 30'. | Estádio Mundialista, Suwon |
| 5 de junho de 2025 | Terceira | B | 9 | Omã | Fora | 0-3 | Jordania: Olwan 45+7' pen., 51', 64'. | Complejo Deportivo del Sultán Qaboos, Mascate |
| 10 de junho de 2025 | Terceira | B | 10 | Iraque | Casa | 0-1 | Iraque: Jassim 77'. | Estádio Internacional, Amán |
Tabela de posições Segunda fase, Grupo G
| Pos. | Equipe | Pts. | PJ | G | E | P | GF | GC | Dif. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Jordania | 13 | 6 | 4 | 1 | 1 | 16 | 4 | +12 |
| 2 | Arabia Saudita | 13 | 6 | 4 | 1 | 1 | 12 | 3 | +9 |
| 3 | Tayikistán | 8 | 6 | 2 | 2 | 2 | 11 | 7 | +4 |
| 4 | Pakistán | 0 | 6 | 0 | 0 | 6 | 1 | 26 | -25 |
Tabela de posições Terceira fase, Grupo B
| Pos. | Equipe | Pts. | PJ | G | E | P | GF | GC | Dif. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Corea del Sur | 22 | 10 | 6 | 4 | 0 | 20 | 7 | +13 |
| 2 | Jordania | 16 | 10 | 4 | 4 | 2 | 16 | 8 | +8 |
| 3 | Irak | 15 | 10 | 4 | 3 | 3 | 9 | 9 | 0 |
| 4 | Omán | 11 | 10 | 3 | 2 | 5 | 9 | 14 | -5 |
| 5 | Palestina | 10 | 10 | 2 | 4 | 4 | 10 | 13 | -3 |
| 6 | Kuwait | 5 | 10 | 0 | 5 | 5 | 7 | 20 | -13 |
Dois recortes numéricos ajudam a entender o “como” dessa classificação.
Primeiro: casa e fora na Terceira fase. Em casa, a Jordânia fez 3 vitórias, 1 empate e 1 derrota: bateu Omã (4 a 0), Palestina (3 a 1) e perdeu para o Iraque (0 a 1); empatou com Kuwait (1 a 1) e caiu para a Coreia do Sul (0 a 2). Fora, foi 1 vitória e 3 empates e 1 derrota: venceu Omã (3 a 0), empatou com Palestina? Não, com Palestina venceu fora por 3 a 1; empatou com Iraque (0 a 0), Kuwait (1 a 1) e Coreia do Sul (1 a 1). O padrão é claro: fora, a Jordânia raramente sai do jogo; em casa, precisa evitar a armadilha de ansiedade, porque os tropeços mais caros apareceram ali.
Segundo: jogos decididos por um gol ou menos. Na Terceira fase, a Jordânia teve quatro empates (todos por 1 a 1, exceto o 0 a 0 com o Iraque) e duas derrotas por margens curtas (0 a 2 e 0 a 1). Esse pacote diz muito sobre o teto e o chão: o chão é alto — a Jordânia não desaba; o teto depende de achar o segundo gol, como fez em Palestina (3 a 1) e em Omã (3 a 0). Quando não acha, o jogo vira moeda.
Como joga
A Jordânia, pelos resultados, é uma seleção que busca ser pragmática sem ser tímida. Há duas Jordânias convivendo na mesma campanha: a Jordânia que aceita o jogo curto e sabe sobreviver nele, e a Jordânia que, quando encontra brecha, acelera e transforma o jogo em avalanche.
Os números sustentam essa leitura. Somando Segunda e Terceira fases, são 16 partidas, 32 gols marcados e 12 sofridos. Média de 2,0 gols feitos por jogo, com 0,75 sofrido. Isso não acontece por acaso: há consistência defensiva suficiente para manter a equipe na partida e há capacidade ofensiva para “romper” partidas específicas — o 7 a 0 no Paquistão e o 4 a 0 em Omã são as pontas mais explícitas dessa habilidade de transformar controle em volume de gol.
O ritmo dos jogos também desenha uma assinatura. Em partidas de maior atrito, a Jordânia costuma se apoiar na paciência e em pequenos momentos. O empate em 1 a 1 com o Tajiquistão, com gol no 90+3, é o símbolo máximo desse time que não larga a corda. O 0 a 0 contra o Iraque fora mostra outra faceta: quando o adversário tira espaços, a Jordânia não se desorganiza para se expor — prefere levar o ponto do que abrir a porta para o contra-ataque que mata.
No ataque, existe um núcleo de protagonistas que aparece com recorrência na súmula: Al-Naimat, Olwan e Al-Tamari aparecem em momentos-chave e em placares diferentes. Al-Tamari, por exemplo, marca cedo (aos 2 minutos contra o Paquistão fora) e também aparece para dar tranquilidade (gol aos 45+3 contra a Palestina, num 3 a 1 que fechou a casa). Olwan tem perfil de “jogo grande” e de “jogo de matar”: marcou contra a Arábia Saudita fora (vitória por 2 a 1), fez pênalti e gol em sequência contra Omã (4 a 0), e cravou hat-trick contra Omã fora (3 a 0), com um pênalti nos acréscimos do primeiro tempo que funciona como golpe psicológico.
A vulnerabilidade mais evidente surge quando o jogo exige abrir o placar cedo e sustentar o domínio com calma. Há dois exemplos que doem por motivos diferentes: o 1 a 1 com Kuwait em Amã, sofrendo empate em pênalti aos 90+2, e o 0 a 1 para o Iraque, também em Amã, com gol aos 77. Em ambos, o roteiro passa pela ideia de controle sem a faca do segundo gol. A Jordânia não é um time que perde muito por goleada; perde por um detalhe — e detalhes, em Mundial, têm o mau costume de virar manchete.
Ainda assim, o pacote geral aponta para uma seleção que chega com algo valioso: capacidade de adaptação. Venceu fora em ambientes diferentes (Islamabad, Riad, Mascate), conseguiu empates fora contra adversário do topo (1 a 1 na Coreia do Sul) e, quando precisou, produziu placares largos. A Jordânia não depende só de uma forma de ganhar — e isso, para uma equipe que pode entrar em grupo com gigantes, é um trunfo silencioso.
O grupo no Mundial
O Mundial coloca a Jordânia no Grupo J, com um roteiro que mistura o desafio de encarar um favorito global e a obrigação de competir com nervos firmes contra rivais que não permitem distração.
O calendário já dá um tom particular: dois dos três jogos serão no Levi’s Stadium, em San Francisco, o que cria uma rotina mais estável de deslocamento e adaptação. Em grupos curtos, isso pode não garantir nada, mas ajuda a reduzir ruído. O encerramento será no AT&T Stadium, em Dallas, e aí o jogo final costuma carregar a tensão própria de contas de classificação — mesmo quando a tabela não diz isso, o campo costuma dizer.
Tabela de jogos da Jordânia no Grupo J
| Data | Estádio | Cidade | Rival |
|---|---|---|---|
| 16 de junho de 2026 | Levi's Stadium | San Francisco | Áustria |
| 22 de junho de 2026 | Levi's Stadium | San Francisco | Argélia |
| 27 de junho de 2026 | AT&T Stadium | Dallas | Argentina |
O primeiro jogo, contra a Áustria, já é o tipo de estreia que define o que o grupo “vai ser”. A Jordânia chega com currículo recente de partidas fechadas e de empates sustentados, então o plano mais coerente, olhando apenas seus próprios números, é começar protegendo o jogo: evitar sofrer cedo, não transformar a estreia em troca aberta de golpes e, se o jogo ficar longo, buscar o momento. Prognóstico em linguagem simples: empate.
O segundo duelo, contra a Argélia, tem cara de “jogo de margem”: a Jordânia precisará escolher bem quando acelerar. Ela mostrou que sabe construir placar quando encontra espaços — Palestina (3 a 1), Omã (4 a 0 em casa e 3 a 0 fora), Tajiquistão (3 a 0). Mas também mostrou que, se não for cirúrgica, pode ficar presa em jogos que se resolvem em um lance. Aqui o peso estará em não deixar o relógio virar inimigo. Prognóstico: empate.
O terceiro jogo é contra a Argentina, e é impossível esconder o tamanho do obstáculo. Para a Jordânia, a chave é não confundir coragem com desorganização. Em eliminatórias, quando precisou sobreviver, sobreviveu; quando precisou competir fora, competiu. Contra um rival desse porte, a Jordânia tende a precisar de um jogo de baixíssimo erro e de aproveitar qualquer bola parada, qualquer transição, qualquer falha que apareça. Prognóstico: ganha Argentina.
O interessante é que, mesmo com a dificuldade óbvia do grupo, a Jordânia tem argumentos internos para crer em pontuação. Ela não é uma seleção que se entrega fora de casa: empatou em Suwon com a Coreia do Sul (1 a 1), empatou com o Iraque fora (0 a 0) e buscou empate no fim contra o Tajiquistão (1 a 1). Esse “não morrer” é o tipo de virtude que, em fase de grupos, vale tanto quanto uma tarde iluminada.
Chaves para buscar classificação no Grupo J
- Começar o torneio sem sofrer gol cedo: a Jordânia se alimenta de jogos que ficam vivos até o fim.
- Transformar o controle em segundo gol quando sai na frente: os tropeços em Amã vieram quando o jogo ficou aberto para um lance final.
- Pontuar nos dois jogos do Levi’s Stadium: a logística mais estável pode ajudar a reduzir desgaste.
- Manter disciplina emocional em jogo grande: a Jordânia cresce quando não precisa correr atrás do placar por desespero.
- Aproveitar momentos de bola parada e transições: foi assim que vários jogos mudaram de lado na campanha.
Opinião editorial
A Jordânia chega ao Mundial com a cara de quem aprendeu a ser adulta jogando partidas que não perdoam ingenuidade. Seus números não contam uma história de milagre; contam uma história de método: sofrer pouco, competir sempre, e escolher os momentos de atacar. Isso não garante nada num grupo com Argentina, mas cria um chão competitivo real — e, em torneio curto, ter chão é metade do caminho para não cair no primeiro tropeço.
O perigo, porém, mora no detalhe que já apareceu em Amã: quando o jogo pede maturidade para matar e a Jordânia não mata, o adversário ganha direito a um último lance. O 1 a 1 com Kuwait, sofrendo pênalti aos 90+2, e o 0 a 1 para o Iraque com gol aos 77 são avisos do mesmo tipo: dominar não é controlar, e controlar não é vencer.
E é por isso que a memória mais útil para levar na mala não é a do 7 a 0 no Paquistão, por mais sedutora que seja. É a do 10 de junho de 2025, contra o Iraque: um jogo decidido por um único golpe, tarde, e que cobra pedágio alto de quem não transforma minutos em vantagem. No Mundial, a Jordânia vai precisar ser a mesma seleção que empata aos 90+3 — mas também a seleção que não deixa o jogo chegar a esse ponto quando tem condições de fechá-lo antes.