Brasil - Grupo C

Brasil, o peso da camisa e a conta dos detalhes

🇧🇷🔥 Brasil, o peso da camisa e a conta dos detalhes

Uma campanha com picos de brilho e vales de ruído competitivo coloca a Seleção no Mundial com perguntas claras e respostas que precisam aparecer cedo.

Introdução

Belém abriu a história com barulho de arquibancada e placar de videogame. O 5:1 na Bolívia em 8 de setembro de 2023 foi daqueles jogos que deixam a impressão de que a Eliminatória seria uma avenida: bola correndo leve, gols em sequência, nome grande no placar e um final com assinatura de estrela. Só que a estrada sul-americana nunca é reta — e o Brasil atravessou esse caminho como quem alterna marcha alta e freio de mão.

A campanha, olhando de longe, parece sólida o suficiente para um país que respira Copa do Mundo. Mas, olhando de perto, ela é um mosaico: vitórias com autoridade em casa, tropeços que doeram fora, e uma sequência de partidas “de margem mínima” que expõem o que separa controle de sufoco. A Eliminatória virou um teste de paciência e precisão, e o Brasil nem sempre passou com nota limpa.

Os números fecham um retrato honesto: 5º lugar, 28 pontos em 18 jogos, com 8 vitórias, 4 empates e 6 derrotas. Fez 24 gols e sofreu 17, saldo de +7. É um time que marcou mais do que sofreu, sim — mas que ficou longe de dominar o ambiente como sua tradição costuma sugerir. O dado que salta aos olhos é a quantidade de derrotas: seis. Em CONMEBOL, isso costuma significar que a camisa não resolve sozinha.

Três momentos funcionam como dobradiças emocionais e competitivas. Primeiro, a derrota no Centenário: Uruguai 2:0 Brasil em 17 de outubro de 2023, um choque de realidade logo no início. Depois, a queda no Maracanã: Brasil 0:1 Argentina em 21 de novembro de 2023, jogo que pesa mais pelo cenário do que pelo placar. E, por fim, a noite dura em Buenos Aires: Argentina 4:1 Brasil em 25 de março de 2025, que escancara como um jogo pode fugir do roteiro quando o adversário acerta a primeira pressão e o Brasil não encontra o “plano B” a tempo.

Nem tudo foi turbulência. Houve sinais fortes de resposta, como o 4:0 no Peru em 15 de outubro de 2024 e o 3:0 no Chile em 4 de setembro de 2025 — partidas em que a Seleção transformou superioridade em gols sem deixar a defesa viver no limite. O desafio, no entanto, não é provar que o Brasil sabe golear; é provar que consegue ser constante quando o jogo pede maturidade e economia de erros.

O caminho pelas Eliminatórias

A Eliminatória sul-americana é uma maratona em que ninguém se esconde: todos contra todos, ida e volta, 18 rodadas. O Brasil atravessou esse formato com um traço bem definido: quase sempre competitivo, nem sempre dominante. E esse “nem sempre” aparece justamente nos lugares onde a CONMEBOL morde mais: fora de casa, em jogos de ambiente quente e placar curto.

A leitura da tabela ajuda a colocar as coisas em perspectiva. O Brasil terminou com 28 pontos, empatado em pontos com Colômbia, Uruguai e Paraguai, mas em 5º nos critérios do recorte apresentado. Acima, Argentina disparou (38). Na briga direta, o Brasil fez 24 gols — mais do que Equador (14) e Paraguai (14), por exemplo —, porém sofreu 17, bem mais que Equador (5) e Uruguai (12). Em outras palavras: houve ataque suficiente para pontuar, mas a estabilidade defensiva e emocional não foi de elite.

O início foi promissor em resultado: duas vitórias nas duas primeiras rodadas. Brasil 5:1 Bolívia (8 de setembro de 2023) e Peru 0:1 Brasil (12 de setembro de 2023). Um 6/6 que costuma construir paz. Só que a sequência imediata trouxe a primeira rachadura: Brasil 1:1 Venezuela (12 de outubro de 2023). Não foi um desastre; foi um aviso. Em Eliminatória, empate em casa pesa mais do que parece, porque ele altera a forma como o time entra nos jogos seguintes: passa a jogar “com obrigação”.

E então veio a sequência que mudou o tom do filme: Uruguai 2:0 Brasil (17 de outubro de 2023), Colômbia 2:1 Brasil (16 de novembro de 2023) e Brasil 0:1 Argentina (21 de novembro de 2023). Três jogos grandes, três tropeços, duas derrotas fora e uma em casa. O Brasil, que costuma impor respeito pela simples presença, foi obrigado a encarar um cenário menos romântico: na América do Sul, respeito se confirma a cada bola dividida.

A retomada não veio em forma de avalanche, mas em pequenos ajustes e vitórias de margem curta. Brasil 1:0 Equador (6 de setembro de 2024) foi um exemplo: jogo de paciência, gol único, e a sensação de que pontuar também é saber sofrer pouco. O problema é que, logo depois, a Seleção voltou a cair fora de casa: Paraguai 1:0 Brasil (10 de setembro de 2024). Esse vai e vem tornou a campanha irregular e exigiu pontos em casa como se fossem oxigênio.

Quando a Seleção engrenou, a diferença apareceu com clareza. Chile 1:2 Brasil (10 de outubro de 2024) e Brasil 4:0 Peru (15 de outubro de 2024) mostram um time capaz de virar narrativa dentro do mesmo jogo: sofrer cedo, reagir, e matar quando o adversário cansa. Em paralelo, os empates com Venezuela (1:1 fora em 14 de novembro de 2024) e Uruguai (1:1 em 19 de novembro de 2024) reforçam uma característica repetida: o Brasil raramente é “amassado” por longos períodos, mas em vários jogos não conseguiu empilhar vantagem.

O fechamento da Eliminatória teve tudo o que define essa campanha: um jogo heroico em casa e um golpe duro fora. Em 20 de março de 2025, Brasil 2:1 Colômbia, com gol aos 90+9', é o tipo de vitória que constrói crença — e também mascara problemas, porque vitórias no último suspiro não são plano estratégico. Já em 25 de março de 2025, Argentina 4:1 Brasil foi o extremo oposto: um jogo que escapa cedo, vira perseguição, e termina deixando marcas no saldo emocional.

A reta final trouxe duas imagens contrastantes. O 0:0 contra o Equador em Guayaquil (5 de junho de 2025) foi o “jogo de não perder” bem executado: defesa atenta, placar controlado, ponto fora. E o 3:0 sobre o Chile no Maracanã (4 de setembro de 2025) foi a lembrança de que, quando o Brasil encontra a medida do jogo, ele define com gols e sem drama. Só que o último registro é indigesto: Bolívia 1:0 Brasil em El Alto (9 de setembro de 2025), com gol de pênalti aos 45+4'. Um jogo decidido num detalhe — e a Seleção pagando por isso.

Abaixo, os dados em ordem, para que o caminho não fique preso ao “parece” e se apoie no “foi”.

Tabela 1 — Jogos do Brasil nas Eliminatórias CONMEBOL

Data Jornada Rival Condição Resultado Artilheiros Sede
8 de setembro de 2023 1 Bolívia Casa Brasil 5:1 Bolívia Rodrygo 24', 53'; Raphinha 47'; Neymar 61', 90+3'; Ábrego 78' Estádio Mangueirão, Belém
12 de setembro de 2023 2 Peru Fora Peru 0:1 Brasil Marquinhos 90' Estádio Nacional, Lima
12 de outubro de 2023 3 Venezuela Casa Brasil 1:1 Venezuela Gabriel 50'; Bello 85' Arena Pantanal, Cuiabá
17 de outubro de 2023 4 Uruguai Fora Uruguai 2:0 Brasil Núñez 42', N. de la Cruz 77' Estádio Centenario, Montevideo
16 de novembro de 2023 5 Colômbia Fora Colômbia 2:1 Brasil Martinelli 4'; Díaz 75', 79' Estádio Metropolitano, Barranquilla
21 de novembro de 2023 6 Argentina Casa Brasil 0:1 Argentina Otamendi 63' Estádio Maracaná, Río de Janeiro
6 de setembro de 2024 7 Equador Casa Brasil 1:0 Equador Rodrygo 30' Estádio Couto Pereira, Curitiba
10 de setembro de 2024 8 Paraguai Fora Paraguai 1:0 Brasil D. Gómez 20' Estádio Defensores del Chaco, Asunción
10 de outubro de 2024 9 Chile Fora Chile 1:2 Brasil Vargas 2'; Igor Jesus 45+1', Luiz Henrique 89' Estádio Nacional, Santiago
15 de outubro de 2024 10 Peru Casa Brasil 4:0 Peru Raphinha 38' (pen.), 54' (pen.), Andreas Pereira 71', Luiz Henrique 74' Estádio Mané Garrincha, Brasilia
14 de novembro de 2024 11 Venezuela Fora Venezuela 1:1 Brasil Segovia 46'; Raphinha 43' Estádio Monumental, Maturín
19 de novembro de 2024 12 Uruguai Casa Brasil 1:1 Uruguai Gerson 62'; Valverde 55' Arena Fonte Nova, Salvador
20 de março de 2025 13 Colômbia Casa Brasil 2:1 Colômbia Raphinha 6' (pen.), Vinícius Júnior 90+9'; Díaz 41' Estádio Mané Garrincha, Brasilia
25 de março de 2025 14 Argentina Fora Argentina 4:1 Brasil Matheus Cunha 26'; Álvarez 4', Fernández 12', Mac Allister 37', Simeone 71' Estádio Monumental, Buenos Aires
5 de junho de 2025 15 Equador Fora Equador 0:0 Brasil Estádio Monumental, Guayaquil
10 de junho de 2025 16 Paraguai Casa Brasil 1:0 Paraguai Vinícius Júnior 44' Neo Química Arena, São Paulo
4 de setembro de 2025 17 Chile Casa Brasil 3:0 Chile Estêvão 38', Lucas Paquetá 72', Bruno Guimarães 76' Estádio Maracaná, Río de Janeiro
9 de setembro de 2025 18 Bolívia Fora Bolívia 1:0 Brasil Terceros 45+4' (pen.) Estádio Municipal, El Alto

O quadro geral da CONMEBOL — completo, sem recortes — mostra bem como uma campanha “boa” pode ter sabor agridoce quando o entorno é tão competitivo.

Tabela de posições

Pos. Seleção Pts. PJ PG PE PP GF GC Dif.
1 Argentina 38 18 12 2 4 31 10 21
2 Equador 29 18 8 8 2 14 5 9
3 Colômbia 28 18 7 7 4 28 18 10
4 Uruguai 28 18 7 7 4 22 12 10
5 Brasil 28 18 8 4 6 24 17 7
6 Paraguai 28 18 7 7 4 14 10 4
7 Bolívia 20 18 6 2 10 17 35 -18
8 Venezuela 18 18 4 6 8 18 28 -10
9 Peru 12 18 2 6 10 6 21 -15
10 Chile 11 18 2 5 11 9 27 -18

No recorte Brasil-campanha, há três segmentações que ajudam a “ler” o time sem inventar tática.

Primeiro: a diferença casa-fora. Em casa, o Brasil colecionou vitórias importantes (Bolívia, Equador, Peru, Colômbia, Paraguai, Chile) e ainda empatou com Venezuela e Uruguai, perdendo apenas para a Argentina. Fora, os tropeços são mais frequentes: derrotas para Uruguai, Colômbia, Paraguai e Bolívia, além do 4:1 para a Argentina. Os resultados sugerem que o Brasil, quando não controla o ambiente, perde eficiência — e isso é mais sobre gestão de jogo do que sobre “qualidade técnica”.

Segundo: os jogos decididos por um gol. Eles aparecem como padrão: Peru 0:1, Brasil 1:0 Equador, Brasil 0:1 Argentina, Paraguai 1:0, Chile 1:2, Brasil 2:1 Colômbia, Brasil 1:0 Paraguai, Bolívia 1:0. Em várias dessas partidas, a margem foi mínima e os detalhes — um gol no fim, um pênalti no último lance do primeiro tempo, uma bola parada — decidiram o rumo. Em Copa, isso pode ser virtude; em Eliminatória, foi instabilidade.

Terceiro: a distribuição temporal de impactos. O Brasil marcou gols decisivos em minutos-chave: Marquinhos aos 90' em Lima, Vinícius Júnior aos 90+9' contra a Colômbia, Neymar aos 90+3' contra a Bolívia. Isso conta duas histórias ao mesmo tempo: o time tem repertório emocional para buscar resultado, mas também se coloca, em alguns jogos, numa posição de necessidade que poderia ser evitada com mais controle.

Como joga

O Brasil desta campanha se define menos por um desenho fixo e mais por um comportamento de placar. Quando sai na frente cedo — como contra a Colômbia em 16 de novembro de 2023 (gol do Martinelli aos 4') ou contra a própria Colômbia em 20 de março de 2025 (pênalti aos 6') — ele não transforma automaticamente isso em domínio. No primeiro caso, perdeu por 2:1; no segundo, precisou do 90+9' para vencer. Isso sugere um time que cria vantagem, mas nem sempre administra a partida para “matar” o jogo no momento certo.

Há, ao mesmo tempo, sinais de capacidade de recuperação e ajuste durante os 90 minutos. No Chile 1:2 Brasil (10 de outubro de 2024), sofrer um gol aos 2' e ainda assim virar fora de casa é um indicador de resiliência competitiva. O mesmo vale, em tom mais dramático, para o Brasil 2:1 Colômbia com gol no último lance. Em Copa do Mundo, esse tipo de dureza mental é ouro — desde que não vire vício de se colocar no limite.

O termômetro mais objetivo está nos gols: 24 feitos e 17 sofridos em 18 jogos. É uma média de 1,33 gol marcado por partida e 0,94 sofrido. Não é um time “vulnerável” no sentido de ser vazado em excesso, mas também não é um time que transforma sua superioridade em avalanche constante. As goleadas existem (5:1, 4:0, 3:0), porém aparecem em janelas específicas, quase sempre em casa, quase sempre com o jogo abrindo. Quando o jogo fica travado, o Brasil recorre ao gol único — e aí a margem de erro vira estreita.

O repertório de Artilheiros, pelos registros disponíveis, é relativamente variado: Rodrygo (com dois gols num jogo), Raphinha (com gols, inclusive de pênalti), Neymar, Marquinhos, Martinelli, Gerson, Vinícius Júnior, Matheus Cunha, Igor Jesus, Luiz Henrique, Andreas Pereira, Estêvão, Lucas Paquetá, Bruno Guimarães. Isso é um ponto a favor: não parece um time refém de um único nome para marcar. Só que o peso de pênaltis em alguns jogos (Raphinha duas vezes contra o Peru, e também um pênalti cedo contra a Colômbia) indica que parte da produção ofensiva também passou por situações especiais, não apenas por fluidez contínua.

As vulnerabilidades aparecem mais por “tipo de derrota” do que por volume de derrotas. O 2:0 no Uruguai e o 1:0 no Paraguai são jogos que sugerem dificuldade para furar blocos e reverter desvantagem sem se expor. Já o 4:1 para a Argentina aponta outra dor: quando o adversário encaixa golpes cedo e empilha confiança, o Brasil pode perder o eixo e transformar um jogo grande em um jogo longo demais para sobreviver. E o 1:0 na Bolívia, decidido num pênalti aos 45+4', reforça que o Brasil, em ambientes hostis, precisa ser cirúrgico na disciplina: uma falta, um detalhe, um lance “bobo” — e a partida vira montanha.

No fim, o estilo que os números descrevem é este: Brasil competitivo, capaz de vitórias grandes, mas mais confortável quando impõe o roteiro. Quando o roteiro é imposto pelo adversário — seja por ambiente, por intensidade, por golpe cedo — a Seleção oscilou entre resistir e ceder.

O grupo no Mundial

O Mundial apresenta um novo capítulo com um detalhe simbólico: o Brasil abre sua caminhada no Grupo C em 13 de junho de 2026, no MetLife Stadium, em Nova York / Nova Jersey, contra o Marrocos. É uma estreia com cara de teste imediato, porque estreia não é só pontuar: é estabelecer tom, tirar ansiedade do corpo e evitar que a pressão vire companheira de quarto.

O segundo jogo, em 19 de junho de 2026, é diante do Haiti, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia. Em fase de grupos, o jogo do meio costuma ser o mais traiçoeiro quando a equipe entra com um “se ganhar, resolve”. E o Brasil, pela Eliminatória, mostrou que às vezes se irrita quando o adversário fecha espaços e deixa o relógio trabalhar. A missão aqui não é “ganhar fácil”; é ganhar com método.

O encerramento da fase de grupos, em 24 de junho de 2026, leva a Seleção a Miami: Escócia x Brasil no Hard Rock Stadium. Jogo de terceira rodada tem sempre cara de conta: ou é para confirmar classificação, ou é para ajustar saldo, ou é para não depender de ninguém. E, olhando para a campanha nas Eliminatórias, o Brasil sabe bem como uma partida pode ficar agarrada por detalhes. Se entrar nessa rodada precisando de um ponto, terá de jogar com cabeça fria.

A tabela dos jogos do grupo, organizada de forma direta:

Data Estádio Cidade Rival
13 de junho de 2026 MetLife Stadium Nova York / Nova Jersey Marrocos
19 de junho de 2026 Lincoln Financial Field Filadélfia Haiti
24 de junho de 2026 Hard Rock Stadium Miami Escócia

Partido a partido, o roteiro provável do Brasil pode ser lido com base no que a Eliminatória mostrou sobre placar e controle.

Contra o Marrocos, a chave é não transformar o jogo em disputa de nervos. O Brasil oscilou quando sofreu primeiro (como no Chile aos 2') e quando precisou perseguir o placar em jogos grandes (como no 4:1). A estreia pede um Brasil simples: intensidade sem pressa, vantagem construída sem se expor. Prognóstico: empate.

Contra o Haiti, o desafio é fazer o jogo “andar” cedo. Na Eliminatória, quando abriu o placar e manteve o ritmo, goleou; quando demorou a destravar, precisou de margem mínima. A prioridade é empurrar o adversário para perto da área e evitar contra-ataques que levem o jogo para o modo “um gol decide”. Prognóstico: ganha Brasil.

Contra a Escócia, a partida tende a ser de mais contato, mais bola longa e mais disputa de segunda bola — e isso costuma reduzir a quantidade de chances claras. O Brasil precisa aceitar que nem sempre dá para ser brilhante; às vezes é ser pragmático. Se estiver classificado, é jogo de controle. Se não estiver, é jogo de nervo. Prognóstico: ganha Brasil.

Para fechar, as chaves de classificação do Brasil no Grupo C, em linguagem simples:

  • Marcar primeiro: na campanha, a Seleção nem sempre transformou vantagem em tranquilidade, mas jogar atrás no placar aumentou o risco.
  • Evitar jogos de margem mínima por necessidade: quando o Brasil deixa o jogo ficar “um lance decide”, a variância aumenta.
  • Reduzir concessões em bolas paradas e lances de área: derrotas e empates importantes nasceram de detalhes.
  • Ser eficiente fora do “conforto” emocional: a Eliminatória mostrou que o Brasil cresce quando impõe o ambiente; no Mundial, o ambiente é neutro, e isso muda tudo.

Opinião editorial

O Brasil chega ao Mundial com a camisa mais pesada do planeta e com uma Eliminatória que funcionou como espelho: quando a Seleção foi dona do jogo, venceu com autoridade; quando a partida virou uma negociação de centímetros, ela oscilou. O 5º lugar não é sentença, é sinal. Sinal de que talento existe, mas não basta. Em Copa do Mundo, o adversário não precisa ser melhor por 90 minutos: basta ser melhor por 10.

A boa notícia é que os números contam uma Seleção com várias fontes de gol e capacidade de reagir em momentos-limite — como no 2:1 contra a Colômbia decidido aos 90+9'. A má notícia é que o Brasil também colecionou derrotas em jogos de alta temperatura competitiva, e algumas foram do tipo que mexe com o imaginário, como o 4:1 para a Argentina. Se a Copa for uma sequência de jogos curtos, o Brasil precisa ser um time de decisões rápidas.

E fica uma advertência concreta, com data e endereço: o jogo em El Alto, em 9 de setembro de 2025, quando um pênalti aos 45+4' decidiu um 1:0 para a Bolívia, é o lembrete perfeito do que a Copa costuma cobrar. Não é sobre “jogar bonito” ou “jogar feio”. É sobre não oferecer o lance que muda a noite. Porque, quando a margem é mínima, o Mundial não perdoa — ele só registra.