África do Sul - Grupo A
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Uma campanha de resistência, ajustes e golpes certeiros que colocou a África do Sul no topo do Grupo C e a leva a encarar o Grupo A com pragmatismo e ambição medida.
Introdução
Há seleções que se classificam com pompa, empilhando goleadas e capas de jornal. E há as que fazem o caminho com cara de estrada longa: uma mala de aprendizados, um punhado de jogos apertados e a sensação de que cada ponto foi arrancado com as unhas. A África do Sul desta Eliminatória africana pertenceu a esse segundo tipo. O roteiro não foi liso, mas foi sólido: tropeçou cedo, sentiu o peso de jogar fora, e depois aprendeu a controlar o próprio destino.
O primeiro capítulo foi quase cinematográfico: em Durban, 18 de novembro de 2023, 2 a 1 no Benin, com Tau abrindo o placar aos 2 minutos e Mudau ampliando nos acréscimos do primeiro tempo. Aquele jogo já mostrou duas marcas que voltariam a aparecer: entrada forte, gol cedo, e capacidade de segurar a onda quando o rival volta a respirar. Mas quatro dias depois, em Butare, veio o choque de realidade: 0 a 2 contra Ruanda, um placar que esfriou o entusiasmo e obrigou o time a recalcular a rota.
O ponto de virada, porém, não foi uma goleada. Foi uma afirmação. Em 7 de junho de 2024, em Uyo, 1 a 1 com a Nigéria: a África do Sul saiu na frente com Zwane aos 29, sofreu o empate logo após o intervalo, e saiu com algo ainda mais valioso que o placar — a prova de que podia competir de igual para igual com o gigante do grupo sem se desorganizar. Dias depois, 11 de junho de 2024, 3 a 1 sobre o Zimbábue em Bloemfontein: Rayners fez com 1 minuto, o rival respondeu no minuto seguinte, e a África do Sul voltou a colocar ordem na casa com Morena, duas vezes, no segundo tempo.
Houve também um momento bisagra que não se explica apenas com bola rolando: 21 de março de 2025, 0 a 3 contra Lesoto em Polokwane, com a observação de que o marcador original foi alterado e o resultado terminou atribuído a Lesoto. A fotografia do jogo é dura: uma derrota larga, em casa, num caminho que exigia regularidade. Mas a resposta veio como time grande em campanha curta: quatro dias depois, 25 de março de 2025, 2 a 0 fora contra o Benin, com Foster e Adams, e a Eliminatória retomou o eixo.
Os números, no fim, contam uma história de maturidade competitiva. A África do Sul terminou em 1º no Grupo C com 18 pontos em 10 jogos, somando 5 vitórias, 3 empates e 2 derrotas, com 15 gols marcados e 9 sofridos. Não foi a melhor diferença de gols do grupo, mas foi o melhor pacote: pontuação alta, defesa relativamente estável e uma sequência final sem pânico — incluindo um 3 a 0 sobre Ruanda no fechamento, em 14 de outubro de 2025, com Mbatha, Appollis e Makgopa carimbando o desfecho.
O caminho pelas Eliminatórias
O formato das Eliminatórias da CAF para a Copa de 2026 trouxe uma novidade central: grupos maiores e um caminho mais longo. A fase principal foi organizada em nove grupos de seis seleções, em turno e returno. O objetivo era direto e cruel: o líder de cada grupo fica com vaga direta no Mundial. O segundo lugar não garante nada automaticamente: entra numa disputa entre os melhores vice-líderes, que leva a um play-off interno e, depois, a um repechagem intercontinental. Em outras palavras, no futebol africano desta edição, “ficar perto” não é prêmio; o topo é o lugar seguro.
Nesse cenário, a África do Sul tratou o Grupo C como um campeonato de paciência. O início deu sinais mistos: venceu o Benin por 2 a 1 em casa e perdeu para Ruanda por 0 a 2 fora. Duas rodadas, três pontos, e a sensação de que o grupo seria um corredor estreito — sem margem para sequência de erros, especialmente com a Nigéria no caminho. A partir daí, o time buscou estabilizar desempenho: o empate em 1 a 1 com a Nigéria fora, em junho de 2024, foi uma espécie de certificado de competitividade.
A leitura da tabela final ajuda a entender por que cada detalhe importou. A África do Sul terminou com 18 pontos, apenas um acima de Nigéria e Benin, ambos com 17. E aí mora a síntese: não houve folga. Um empate virava ouro; uma vitória fora tinha peso duplo; um tropeço como o 0 a 3 contra Lesoto podia virar sentença. O grupo foi decidido no fio: o primeiro lugar precisou de constância e, sobretudo, de saber empatar sem se sentir derrotado.
O recorte de “jogos grandes” também é revelador. Contra a Nigéria, a África do Sul somou 2 pontos em 2 partidas: 1 a 1 fora e 1 a 1 em casa. Não ganhou, mas também não perdeu. Em um grupo em que Nigéria sofreu apenas uma derrota, arrancar dois empates foi um movimento estratégico: não dar ao rival direto o combustível emocional e matemático que uma vitória traria.
Outro recorte é o dos jogos fora. A África do Sul viveu extremos: perdeu por 0 a 2 em Ruanda e empatou 1 a 1 na Nigéria; depois venceu o Benin por 2 a 0 e conseguiu um 0 a 0 com o Zimbábue em um jogo com sede em Durban. Não foi um time “de viagem” por essência, mas foi um time que aprendeu a não se desmanchar longe de casa. E isso, em Eliminatórias africanas, costuma ser meio caminho.
Há também a cronologia emocional da campanha. O time venceu com autoridade em momentos-chave: 3 a 1 no Zimbábue e 3 a 0 sobre Ruanda na reta final. E, quando a campanha sofreu um tranco — o 0 a 3 contra Lesoto — respondeu com uma vitória fora no Benin e mais um triunfo elástico sobre Lesoto (3 a 0) no “jogo de volta”, ainda que em Bloemfontein. Essa capacidade de “responder no jogo seguinte” é um indicador de maturidade coletiva: a tabela não perdoa ressaca.
A última linha da narrativa é quase um retrato de estilo. A África do Sul fechou as 10 rodadas com 15 gols marcados e 9 sofridos: média de 1,5 gol feito e 0,9 sofrido por partida. Não é uma equipe de caos ofensivo; é uma equipe que prefere construir vantagem e administrar. E quando não consegue construir, aceita o empate como ferramenta — vide os cinco empates do Zimbábue, mas também os três empates sul-africanos que, em grupo curto de pontuação, viram tijolos do primeiro lugar.
Tabela 1 — Partidas da África do Sul nas Eliminatórias CAF
| Data | Grupo | Jornada | Adversário | Condição | Resultado | Artilheiros | Sede |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 18 de novembro de 2023 | C | 1 | Benin | Casa | 2:1 | Tau (2'), Mudau (45+2'); Mounié (70') | Estádio Moses Mabhida, Durban |
| 21 de novembro de 2023 | C | 2 | Ruanda | Fora | 2:0 | Nshuti (12'), Mugisha (28') | Estádio Huye, Butare |
| 7 de junho de 2024 | C | 3 | Nigéria | Fora | 1:1 | Dele-Bashiru (46'); Zwane (29') | Estádio Internacional Godswill Akpabio, Uyo |
| 11 de junho de 2024 | C | 4 | Zimbábue | Casa | 3:1 | Rayners (1'), Morena (55', 76'); Chirewa (2') | Estádio Free State, Bloemfontein |
| 21 de março de 2025 | C | 5 | Lesoto | Casa | 0:3 | Mofokeng (60'), Adams (64') Marcador original 2:0 otorgado a Lesoto | Estádio Peter Mokaba, Polokwane |
| 25 de março de 2025 | C | 6 | Benin | Fora | 0:2 | Foster (53'), Adams (84') | Estádio Houphouët-Boigny, Abiyán (Costa de Marfil) |
| 5 de setembro de 2025 | C | 7 | Lesoto | Fora | 0:3 | Nkota (15'), Foster (63'), Appollis (67') | Estádio Free State, Bloemfontein (Sudáfrica) |
| 9 de setembro de 2025 | C | 8 | Nigéria | Casa | 1:1 | Troost-Ekong (25' a.g.); Bassey (44') | Estádio Free State, Bloemfontein |
| 10 de outubro de 2025 | C | 9 | Zimbábue | Fora | 0:0 | Estádio Moses Mabhida, Durban (Sudáfrica) | |
| 14 de outubro de 2025 | C | 10 | Ruanda | Casa | 3:0 | Mbatha (5'), Appollis (26'), Makgopa (72') | Estádio Mbombela, Mbombela |
Tabela 2 — Classificação Grupo C
| Pos. | Equipe | Pts. | PJ | G | E | P | GF | GC | Dif. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Sudáfrica | 18 | 10 | 5 | 3 | 2 | 15 | 9 | +6 |
| 2 | Nigéria | 17 | 10 | 4 | 5 | 1 | 15 | 8 | +7 |
| 3 | Benin | 17 | 10 | 5 | 2 | 3 | 12 | 11 | +1 |
| 4 | Lesoto | 12 | 10 | 3 | 3 | 4 | 9 | 12 | −3 |
| 5 | Ruanda | 11 | 10 | 3 | 2 | 5 | 5 | 9 | −4 |
| 6 | Zimbábue | 5 | 10 | 0 | 5 | 5 | 5 | 12 | −7 |
E dá para “quebrar” esses 18 pontos em pequenos blocos que explicam o título do grupo. Em casa, foram 4 vitórias (Benin, Zimbábue, Ruanda e um jogo com placar alterado contra Lesoto que terminou como derrota), mais um empate com a Nigéria. Fora, duas vitórias (Benin e Lesoto), dois empates (Nigéria e Zimbábue) e uma derrota (Ruanda). O saldo final não nasce de uma invencibilidade; nasce de um padrão: perder pouco e, quando cair, levantar rápido.
Nos jogos decididos por um gol, a África do Sul teve pelo menos dois exemplos simbólicos: o 2 a 1 no Benin e o 3 a 1 no Zimbábue que foi, por contexto do gol sofrido aos 2 minutos, um jogo de nervo e recontrole. Também houve jogos de margem ampla: 3 a 0 em Lesoto e 3 a 0 em Ruanda, que funcionam como “vitórias de tabela”, aquelas que limpam o caminho e pressionam os rivais diretos.
E há o capítulo dos empates — os empates que “não parecem” empates. O 1 a 1 na Nigéria não foi uma desistência: foi um jogo em que a África do Sul marcou primeiro e sustentou o plano. O 1 a 1 em casa contra a mesma Nigéria teve gol contra e resposta ainda no primeiro tempo: foi um empate de reação, não de medo. E o 0 a 0 com o Zimbábue fechou uma janela de controle, onde o resultado curto valeu tanto quanto um triunfo pelo contexto de tabela.
Como jogam
A África do Sul que liderou o Grupo C não foi uma seleção de volume absurdo; foi uma seleção de eficiência calculada. Os 15 gols em 10 jogos mostram um ataque capaz de produzir, mas sem a “explosão” de quem vive só de avalanche. Ao mesmo tempo, os 9 gols sofridos indicam uma defesa que, embora não impenetrável, manteve o time dentro dos jogos. A fotografia geral é clara: média de 2,4 gols por partida nos jogos sul-africanos, com tendência a placares curtos e controláveis.
O primeiro traço é a entrada em jogo. A campanha tem gols muito cedo: Tau aos 2 minutos contra o Benin, Rayners com 1 minuto contra o Zimbábue, Mbatha aos 5 contra Ruanda, Nkota aos 15 contra Lesoto. Isso sugere um time que busca impor o início, seja por pressão alta, seja por bola parada bem trabalhada, seja por agressividade na primeira meia hora. Sem inventar “tática”, dá para afirmar o comportamento: a África do Sul valorizou o primeiro golpe. E quando conseguiu, o jogo virou terreno mais confortável.
O segundo traço é o repertório de vitórias com margem. Há três exemplos marcantes: 3 a 1 no Zimbábue, 3 a 0 em Lesoto e 3 a 0 sobre Ruanda. Em todos, a equipe passou de “jogo aberto” para “jogo resolvido” com alguma naturalidade. Isso é importante: times instáveis fazem 2 a 0 e tremem; times maduros fazem 2 a 0 e procuram o terceiro. A África do Sul, no conjunto, ficou mais próxima do segundo perfil.
O terceiro traço é a convivência com o empate sem desespero. Foram 3 empates em 10 partidas, e dois deles contra a Nigéria. O curioso é que, nesses empates, a África do Sul não virou refém da inércia: em Uyo marcou primeiro; em Bloemfontein saiu na frente (ainda que por gol contra do rival) e mesmo sofrendo o empate respondeu antes do intervalo. Isso aponta para uma equipe que não joga “para não perder”, mas sabe quando “não perder” é parte do plano.
O quarto traço é o tipo de vulnerabilidade. Os 9 gols sofridos não se espalham de forma inocente: há um 2 a 0 sofrido em Ruanda e um 3 a 0 contra Lesoto com a nota do placar atribuído ao adversário. Ou seja, quando a África do Sul perde, tende a perder feio — não por frequência, mas por concentração. Esse padrão é perigoso em torneio curto: uma noite desconectada vira rombo na classificação. A boa notícia, para quem veste verde e amarelo, é que houve antídoto: depois dessas quedas, vieram respostas com vitórias e jogos sem sofrer gols (0 a 0 no Zimbábue e 3 a 0 em Ruanda, por exemplo).
Também chama atenção a distribuição de nomes nos gols, mesmo sem um ranking de artilharia completo. Há gols de Tau, Mudau, Zwane, Rayners, Morena (duas vezes no mesmo jogo), Foster (duas vezes em jogos distintos), Adams, Nkota, Appollis (duas vezes na campanha, uma delas em goleada e outra no fechamento), Mbatha e Makgopa. Isso é um bom sinal: não parece uma seleção dependente de um único finalizador. Quando o gol circula, o time costuma sobreviver melhor às partidas amarradas — e também cresce em confiança nos mata-matas.
Em resumo, a África do Sul foi mais “equipe” do que “evento”. Ganhou o grupo porque somou melhor, não porque brilhou mais. E isso, num Mundial, pode ser uma virtude: times que não precisam do espetáculo para pontuar costumam ser incômodos.
O grupo no Mundial
O Mundial começa com um choque de contexto: sai o mapa africano das Eliminatórias, entra o palco de sedes e viagens, estádios cheios e adversários de estilos diferentes. No Grupo A, a África do Sul terá três partidas com características distintas: uma estreia contra anfitrião, um duelo contra rival europeu por definir via play-off, e um fechamento contra uma seleção asiática com tradição de disciplina competitiva.
O calendário do grupo oferece uma narrativa pronta: estreia em 11 de junho de 2026 contra o México, no Estádio Azteca, na Cidade do México. É um jogo que costuma cobrar preço emocional: pressão do ambiente, ritmo alto nos primeiros minutos e pouco espaço para respirar. Para a África do Sul, que mostrou capacidade de marcar cedo, o desafio é duplo: tentar impor presença sem se expor ao contra-golpe do contexto. Não é partida para correr atrás do placar por ansiedade; é partida para entrar com cabeça fria e aceitar que a sobrevivência também é um jeito de competir.
O segundo jogo, em 18 de junho de 2026, traz a particularidade do “rival por definirse”. A tabela indica A4 como adversário — e aqui o nome precisa ser dito do jeito certo, sem códigos: Rival por definirse, saldrá del play-off UEFA Ruta D: República Checa, Irlanda, Dinamarca ou Macedonia do Norte. O cenário é no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. Não dá para adivinhar “força” porque o adversário ainda não está fixado, mas dá para enxergar o tipo de jogo: confronto que tende a ser de detalhes, onde a África do Sul precisará transformar sua eficiência em pontos.
O terceiro jogo, em 24 de junho de 2026, fecha a fase de grupos contra a Coreia do Sul, no Estádio BBVA, em Monterrey. E aqui a questão costuma ser o ritmo: partidas contra seleções com organização e intensidade pedem clareza de plano e controle de transição. Se a África do Sul chegar viva até aqui, esse jogo pode virar uma final de grupo — ou, no mínimo, um teste de maturidade para não se perder na correria.
Tabela — Jogos da África do Sul no Grupo A
| Data | Estádio | Cidade | Rival |
|---|---|---|---|
| 11 de junho de 2026 | Estádio Azteca | Ciudad de México | México |
| 18 de junho de 2026 | Mercedes-Benz Stadium | Atlanta | Rival por definirse, saldrá del play-off UEFA Ruta D: República Checa, Irlanda, Dinamarca ou Macedonia do Norte. |
| 24 de junho de 2026 | Estádio BBVA | Monterrey | Coreia do Sul |
Partida por partida, o guião provável se desenha mais pelo que a África do Sul mostrou do que por suposições sobre o outro lado.
México vs África do Sul: jogo para não oferecer o início. A África do Sul mostrou que sabe começar forte, mas também sabe que um gol sofrido cedo muda o humor do estádio. Prognóstico: empate.
Rival por definirse, saldrá del play-off UEFA Ruta D: República Checa, Irlanda, Dinamarca ou Macedonia do Norte vs África do Sul: partida para impor condições com pragmatismo. A África do Sul viveu bem em jogos de margem curta e pode levar isso para um confronto de detalhes. Prognóstico: empate.
África do Sul vs Coreia do Sul: jogo com cara de ajuste fino. Se a África do Sul conseguir controlar os momentos e não transformar o jogo em troca aberta, tem condições de buscar resultado. Prognóstico: ganha Sudáfrica.
Chaves para buscar classificação
- Evitar apagões: nas duas derrotas da campanha, o placar foi largo; no Mundial, um dia ruim custa caro na tabela.
- Aproveitar o primeiro golpe: gols cedo apareceram várias vezes; se repetir, muda o roteiro emocional do grupo.
- Transformar empates em alavanca: empatar com a Nigéria foi estratégico; no grupo, pontuar nos jogos “duros” pode ser a base.
- Fechar jogos quando abre vantagem: as goleadas mostraram que a equipe sabe matar partidas; isso economiza energia e nervo.
Opinião editorial
A África do Sul chega ao Mundial com um cartão de visita pouco glamouroso e, justamente por isso, perigoso. Não é uma seleção que promete show; é uma seleção que sabe somar. Em um grupo de pontuação apertada, esse tipo de equipe costuma aparecer na última rodada com chances reais, porque aprendeu a viver no jogo curto, no empate que não humilha, na vitória que não precisa virar epopeia.
O aviso está no próprio caminho: quando a África do Sul perdeu o chão, perdeu de maneira barulhenta — 0 a 2 em Ruanda e 0 a 3 contra Lesoto. O Mundial não dá tempo para “explicar” uma noite assim. Se quiser escrever uma história de passagem de fase, terá de proteger a concentração como se fosse o bem mais caro do elenco. E se houver um jogo para usar como lembrete colado na parede do vestiário, é esse 21 de março de 2025: porque a classificação foi construída apesar dele, mas o torneio grande não costuma perdoar quando ele se repete.