Noruega - Grupo I
🇳🇴⚔️🌪️ Noruega, a tempestade nórdica que chegou à Copa do Mundo com a porta fechada e a área rival em chamas.
Uma classificação com cara de manifesto: oito jogos, oito vitórias e um recado barulhento ao mundo.
Introdução
Há campanhas que se contam com calma, jogo a jogo, como quem mede passos numa trilha longa. E há campanhas que entram arrombando a porta, deixando o som do placar ecoando nos corredores. A Noruega fez a segunda. Não pediu licença no Grupo I: tomou o volante desde o primeiro minuto e, quando alguém tentou erguer a cabeça, já estava olhando o painel com a diferença de gols subindo como conta de luz em inverno nórdico.
O roteiro dessa eliminatória tem imagens fortes e fáceis de lembrar: uma estreia fora de casa com cinco golpes certeiros, uma visita a um campo “neutro” que virou palco de virada e confirmação, e um capítulo de peso específico contra um gigante tradicional que terminou com um 3:0 em Oslo, sem adjetivos necessários. A Noruega não só ganhou: organizou uma coleção de vitórias com a frieza de quem sabe exatamente o que quer.
Aterrissando nos números, a história fica ainda mais simples e mais brutal. Primeiro lugar do Grupo I, 24 pontos em 8 partidas, campanha perfeita: 8 vitórias, nenhum empate, nenhuma derrota. Ataque com 37 gols, defesa com 5 sofridos, saldo de +32. Não é só eficiência; é controle. E, no detalhe mais decisivo para uma seleção, é repetição: a Noruega conseguiu vencer de maneiras diferentes, mas quase sempre com a mesma sensação de superioridade.
Três momentos de virada ajudam a entender por que essa trajetória não foi apenas uma sequência feliz. Em 22 de março de 2025, na visita à Moldávia, o 5:0 abriu o grupo com um impacto psicológico imediato. Em 25 de março de 2025, contra Israel, veio um 4:2 fora de casa que mostrou poder de resposta e maturidade para administrar um jogo com idas e vindas. E em 6 de junho de 2025, o 3:0 sobre a Itália em Oslo funcionou como carimbo: a Noruega não estava “aproveitando um bom momento”; estava construindo um padrão.
A partir daí, a campanha deixou de ser apenas uma corrida por pontos e virou uma declaração de identidade. O 11:1 sobre a Moldávia em 9 de setembro de 2025, por exemplo, não foi só um resultado fora da curva: foi o tipo de placar que muda a forma como os adversários entram em campo na rodada seguinte. E quando a Noruega fechou o ciclo com um 4:1 sobre a Estônia (13 de novembro de 2025) e um 4:1 em Milão contra a Itália (16 de novembro de 2025), a narrativa ficou completa: não houve “queda de tensão”, não houve noite de dúvida. Houve método.
O caminho pelas Eliminatórias
O Grupo I foi o tabuleiro onde a Noruega montou seu dominó: cada peça derrubada puxou a próxima com naturalidade. E, dentro do que os próprios dados mostram, a leitura é direta: não se tratou de um grupo decidido por detalhes, e sim por distância. A Noruega terminou com seis pontos de vantagem sobre a Itália, doze sobre Israel, e deixou a luta do meio da tabela sem qualquer chance de se transformar em ameaça real.
A tabela final do grupo ajuda a dimensionar o feito sem recorrer a palavras grandes. A Noruega fez 24 pontos; a Itália, 18. É uma margem que, em eliminatórias europeias, costuma nascer de dois tropeços do rival e, mais importante, de nenhum tropeço seu. Não houve empates “arrancados”, nem vitórias apertadas acumuladas por acaso: a campanha perfeita é, por definição, um teto alto. E a diferença de gols deixa claro que não foi uma perfeição de 1:0 e sofrimento; foi uma perfeição com apetite.
No ataque, 37 gols em 8 jogos dá uma média superior a 4,6 por partida. Na defesa, 5 gols sofridos é menos de 0,7 por jogo. Quando essas duas linhas andam juntas, o time tende a decidir cedo e administrar melhor. Isso aparece no contraste com a Itália: os italianos fizeram 21 gols e sofreram 12. Não é uma campanha fraca, mas é uma campanha humana — e, contra uma Noruega “fora do normal” no recorte, a humanidade pesa.
Israel terminou em terceiro com 12 pontos, com saldo negativo. A Estônia, com 4, e a Moldávia, com 1, completam o quadro de um grupo em que a Noruega foi uma espécie de tempestade constante: para quem estava abaixo, cada partida virou um teste de sobrevivência; para quem estava acima, uma prova de fogo que terminou em queimadura. O símbolo disso foi o 11:1: um placar que, em eliminatórias, costuma ser mais lembrado do que muitos títulos.
Há também um elemento de narrativa esportiva que os resultados escancaram: a Noruega venceu fora e venceu em casa com a mesma convicção. Em Chisináu, fez 5:0; em Debrecen, fez 4:2; em Tallín, fez 1:0; em Milão, fez 4:1. E, em Oslo, construiu goleadas e vitórias com cara de controle, como o 3:0 na Itália e o 5:0 em Israel. Isso importa porque seleções costumam oscilar mais fora de casa — e aqui a oscilação foi mínima.
Os jogos contra a Itália foram o eixo competitivo do grupo e, ao mesmo tempo, a prova de consistência. Em 6 de junho de 2025, em Oslo, a Noruega fez 3:0 com gols de Sørloth (14’), Nusa (34’) e Haaland (42’). O recado ali foi duplo: capacidade de ferir cedo e de ampliar ainda no primeiro tempo, tirando do rival o direito de “crescer” no jogo. E em 16 de novembro de 2025, em Milão, a Noruega não se intimidou: sofreu um gol cedo (F. Esposito aos 11’) e respondeu com 4 gols a partir da segunda metade, com Nusa (63’), Haaland (78’ e 79’) e Strand Larsen (90+3’). É o tipo de virada de contexto que não acontece por acaso: exige resistência mental, banco que responde e capacidade de manter o plano.
Em paralelo, a Noruega também teve a marca das partidas “de dever”: aquelas em que o grupo espera que você vença, mas em que muitos se complicam. Contra a Estônia fora, em 9 de junho de 2025, foi 1:0, gol de Haaland aos 62’. Um jogo com placar curto no papel — e, justamente por isso, um jogo que costuma ser armadilha. A Noruega saiu dele com os três pontos e sem concessões. Já em casa, contra a mesma Estônia, fez 4:1 (13 de novembro de 2025), com dois gols de Sørloth em sequência e dois de Haaland. A diferença entre o 1:0 e o 4:1 sugere algo útil para análise de rendimento: o time sabe jogar o jogo que a partida pede, sem perder o foco do resultado.
A seguir, os números ganham corpo com as tabelas — porque, em eliminatórias, a história só fica completa quando se coloca a sequência inteira na mesa.
Tabela 1: Partidas da Noruega no Grupo I
| Data | Grupo | Adversário | Condição | Resultado | Artilheiros | Estádio |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 22 de março de 2025 | Grupo I | Moldávia | Visitante | 5:0 | Ryerson 5', Haaland 23', Aasgaard 38', Sørloth 43', Dønnum 69' | Estádio Zimbru, Chisináu |
| 25 de março de 2025 | Grupo I | Israel | Visitante | 4:2 | Israel: Abu Fani 55', Turgeman 90+3'; Noruega: Møller Wolfe 39', Sørloth 59', Ajer 65', Haaland 83' | Estádio Nagyerdei, Debrecen (Hungria) |
| 6 de junho de 2025 | Grupo I | Itália | Mandante | 3:0 | Sørloth 14', Nusa 34', Haaland 42' | Ullevaal Stadion, Oslo |
| 9 de junho de 2025 | Grupo I | Estônia | Visitante | 1:0 | Haaland 62' | Lilleküla Stadium, Tallín |
| 9 de setembro de 2025 | Grupo I | Moldávia | Mandante | 11:1 | Noruega: Myhre 6', Haaland 11', 36', 43', 52', 83', Ødegaard 45+1', Aasgaard 67', 76', 79' pen., 90+1'; Moldávia: Østigård 74' a.g. | Ullevaal Stadion, Oslo |
| 11 de outubro de 2025 | Grupo I | Israel | Mandante | 5:0 | Khalaily 18' a.g., Haaland 27', 63', 72', Nachmias 28' a.g. | Ullevaal Stadion, Oslo |
| 13 de novembro de 2025 | Grupo I | Estônia | Mandante | 4:1 | Noruega: Sørloth 50', 52', Haaland 56', 62'; Estônia: Saarma 64' | Ullevaal Stadion, Oslo |
| 16 de novembro de 2025 | Grupo I | Itália | Visitante | 4:1 | Itália: F. Esposito 11'; Noruega: Nusa 63', Haaland 78', 79', Strand Larsen 90+3' | Estádio Giuseppe Meazza, Milão |
Tabela 2: Classificação final do Grupo I
| Pos. | Equipe | Pts. | PJ | G | E | P | GF | GC | Dif. | Situação |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Noruega | 24 | 8 | 8 | 0 | 0 | 37 | 5 | +32 | Mundial 2026 |
| 2 | Itália | 18 | 8 | 6 | 0 | 2 | 21 | 12 | +9 | play-offs |
| 3 | Israel | 12 | 8 | 4 | 0 | 4 | 18 | 20 | −2 | Não classificado |
| 4 | Estônia | 4 | 8 | 1 | 1 | 6 | 8 | 21 | −13 | Não classificado |
| 5 | Moldávia | 1 | 8 | 0 | 1 | 7 | 5 | 31 | −26 | Não classificado |
Da tabela, dá para extrair recortes objetivos que dizem muito sobre rendimento. Primeiro: a Noruega não “administrou” o grupo; ela o encerrou. O segundo colocado fez 75% dos pontos do líder (18 contra 24). Segundo: o grupo teve apenas um empate na parte baixa (a Moldávia somou 1 ponto), e mesmo assim a Noruega não deixou brecha alguma para que a disputa virasse dramática.
Terceiro: o saldo de +32 é, ao mesmo tempo, uma arma e um indicador de mentalidade. Para fazer +32 em 8 jogos, não basta atacar bem: é preciso manter concentração com vantagem, não aceitar gols “de cansaço”, e continuar produzindo mesmo quando o jogo já está resolvido. O 11:1 e o 5:0 são o retrato disso. E, por contraste, a Itália terminou com +9: um saldo respeitável, mas distante do patamar norueguês.
E há um último detalhe que costuma passar batido: a Noruega sofreu 5 gols em 8 jogos e, mesmo assim, teve uma partida em que saiu atrás no placar e virou com autoridade em Milão. Isso sugere um time que não depende da “bolha” da invencibilidade para jogar bem; consegue se reorganizar durante a partida e encontrar o caminho do gol quando o roteiro muda. Para uma seleção pensando em Copa do Mundo, isso pesa quase tanto quanto a média de gols.
Como joga
Os números contam uma história de seleção que joga para marcar e para repetir a marcação. A Noruega foi, na prática, uma equipe de placar alto, mas não uma equipe descontrolada. O contraste entre 37 gols feitos e apenas 5 sofridos indica uma lógica: vencer com margem, mas sem se expor ao acaso. Isso não descreve um sistema tático específico — e nem precisa. Descreve uma prioridade de rendimento: transformar superioridade em diferença.
Um primeiro traço evidente é a capacidade de decidir partidas com volume de gol em sequência. No 11:1 sobre a Moldávia, a Noruega marcou cedo (Myhre aos 6’, Haaland aos 11’) e não parou. No 5:0 sobre Israel, novamente houve gol cedo (18’ contra) e o jogo virou um corredor para Haaland acelerar e transformar a tarde em estatística. E contra a Itália em Oslo, três gols antes do intervalo (14’, 34’, 42’) esvaziaram qualquer plano de reação. Isso sugere um time que, quando encontra o primeiro gol, cresce em confiança e amplia com rapidez — algo que normalmente está ligado a boa pressão pós-gol e a capacidade de manter o rival longe do seu gol.
O segundo traço é a presença de “jogos de profissão”, quando o brilho dá lugar ao pragmatismo. O 1:0 contra a Estônia fora de casa é a prova mais limpa: um gol aos 62’, e o resto é gestão. Em eliminatórias, essa é uma habilidade rara: não se desesperar se o gol não sai cedo, não se partir ao meio, e manter o plano até o momento certo. A campanha perfeita costuma ser construída mais por esses 1:0 e 2:1 do que por goleadas; a Noruega teve os dois, e isso amplia o repertório.
O terceiro ponto é a concentração de gols em nomes que aparecem repetidamente, com um centro gravitacional muito claro. Haaland está em praticamente todos os jogos, com sequência de gols e até uma partida com múltiplos gols (contra a Moldávia em Oslo, marcou em 11’, 36’, 43’, 52’ e 83’; contra Israel em Oslo, marcou três vezes). Sørloth aparece como segundo grande polo, com gols em momentos de abertura e também em sequência (dois gols em três minutos contra a Estônia em Oslo). Nusa surge em jogos grandes, como contra a Itália, com gols que mudam o contexto: um aos 34’ em Oslo e outro aos 63’ em Milão, justamente quando a Noruega precisava virar o roteiro. E Ødegaard aparece como peça de contribuição ofensiva, com gol no 11:1. Isso desenha um time com estrelas definidas e coadjuvantes capazes de aparecer no capítulo certo.
Mas toda equipe com esse perfil carrega uma vulnerabilidade potencial: quando o jogo não vira goleada e o adversário resiste, a margem de erro cai. A Noruega não empatou nenhuma vez; isso é excelente. Ao mesmo tempo, o 4:2 contra Israel fora e o 4:1 em Milão começaram com ruído defensivo: houve gol sofrido no segundo tempo em Debrecen (Israel marcou aos 55’ e ainda fez aos 90+3’), e houve gol sofrido cedo contra a Itália (11’). Em ambos os casos, a Noruega respondeu com gols e manteve o comando do placar. A pergunta de rendimento para o próximo nível é simples: em jogos de mata-mata ou de grupo contra rivais de elite, a resposta ofensiva continuará sendo tão disponível quando a primeira linha for testada?
Há também um detalhe simbólico, quase psicológico: os gols contra (Khalaily e Nachmias contra Israel; Østigård contra a Moldávia) mostram que a Noruega forçou erros. Isso pode ser pressão, pode ser volume de cruzamentos e presença na área, pode ser o adversário se desorganizando — mas, no fim, é um dado objetivo de que a equipe cria situações de estresse defensivo do outro lado. E esse tipo de estresse costuma viajar bem para uma Copa: nem sempre o seu melhor jogo aparece, mas o erro do rival pode aparecer.
Em resumo, a Noruega chega com uma identidade que se lê no placar: um ataque que não precisa de permissão para marcar, e uma defesa que, na maior parte do tempo, fecha a porta cedo. A grande virtude é a capacidade de manter o nível tanto nos jogos grandes quanto nos jogos “de obrigação”. A grande cautela é lembrar que, quando o adversário tem mais qualidade para transformar meia chance em gol, os 10 minutos iniciais de cada partida podem ganhar um peso enorme.
O grupo no Mundial
O Grupo I da Copa do Mundo coloca a Noruega num cenário de contrastes claros de ambiente e de calendário. Dois jogos em Boston, no Gillette Stadium, e um em Nova York/Nova Jersey, no MetLife Stadium. A geografia é objetiva; o futebol, nem tanto. A Noruega abre sua campanha contra um rival por definirse vindo de um repechaje internacional; depois encara Senegal; e fecha a fase de grupos contra a França. Uma sequência que começa pedindo foco e termina pedindo coragem.
A estreia tem um componente típico de Copa: o adversário não está carimbado por nome. E aqui a regra é simples: nada de tratar esse rival como “fraco” ou “forte” por imaginação. O que se pode dizer, a partir do que a Noruega mostrou nas eliminatórias, é que esse é um jogo para impor condições desde o início: ritmo alto, paciência se o gol não sair cedo, e atenção para não transformar um jogo “para somar” numa noite de ansiedade. A Noruega teve, na campanha, exemplos de paciência vencedora (1:0 fora) e exemplos de atropelo; o ideal é não precisar do segundo para ganhar o primeiro jogo, mas estar pronto para acelerar se o jogo pedir.
O segundo jogo, contra Senegal, tem cara de partida que mede a Noruega no confronto físico e no detalhe. E, sem inventar características do rival, dá para afirmar algo simples: seleções que chegam à Copa costumam punir desconcentrações. A Noruega sofreu poucos gols, mas quando sofreu, foi em momentos específicos: um gol cedo em Milão, um gol no fim do jogo contra Israel. Senegal, como qualquer rival de Copa, vai exigir 90 minutos “inteiros”. Para a Noruega, isso aponta para um plano de partida com menos concessões e com a mesma disciplina que apareceu na defesa ao longo do grupo.
O fechamento contra a França, de novo em Boston, é aquele tipo de jogo que pode ser decisivo em qualquer direção: para garantir classificação com tranquilidade, para buscar liderança, ou para escapar de um cálculo perigoso. O que os dados das eliminatórias sugerem é que a Noruega não costuma se acanhar em cenário grande: o 3:0 e o 4:1 sobre a Itália são os dois carimbos mais fortes desse recorte. O desafio, naturalmente, é que a França representa um nível de exigência que muda a altura do sarrafo. E aí a Noruega precisa levar para o jogo aquilo que foi seu melhor: eficiência no ataque e capacidade de controlar o placar sem se desorganizar.
A seguir, a tabela do grupo com os três jogos, com os rivais descritos de forma amigável quando ainda estão por definirse.
| Data | Estádio | Cidade | Rival |
|---|---|---|---|
| 16 de junho de 2026 | Gillette Stadium | Boston | Rival por definirse, saldrá del repechaje internacional Llave B: Bolivia, Surinam ou Iraque. |
| 22 de junho de 2026 | MetLife Stadium | Nova York / Nova Jersey | Senegal |
| 26 de junho de 2026 | Gillette Stadium | Boston | França |
Jogo 1: Rival por definirse, saldrá del repechaje internacional Llave B: Bolivia, Surinam ou Iraque. Guia provável: partida de controle emocional. A Noruega, pelos números, entra com a obrigação prática de mandar no placar e no ritmo. A chave é não confundir domínio com pressa: se o gol não sair cedo, a campanha mostra que existe repertório para seguir martelando até o minuto 60 e além. Se sair cedo, a Noruega costuma transformar a vantagem em avalanche. Prognóstico: ganha Noruega.
Jogo 2: Senegal. Guia provável: jogo mais “duro” de leitura, em que um gol pode mudar o roteiro e em que a Noruega não pode se permitir um início desligado. O 4:2 contra Israel mostra que, mesmo vencendo, a equipe pode sofrer no fim se relaxar. A lição para uma Copa é direta: administrar não é recuar sem bola; é manter o rival longe do seu gol. Prognóstico: empate.
Jogo 3: França. Guia provável: partida que pede coragem e precisão. Contra a Itália, a Noruega mostrou que pode fazer jogos grandes sem recuar para sobreviver. Mas também mostrou, em Milão, que pode sofrer primeiro. Contra um rival desse tamanho, sofrer primeiro custa mais. O plano ideal é entrar com intensidade e, sobretudo, transformar as poucas chances em gol — porque nem sempre haverá cinco ou seis oportunidades claras. Prognóstico: ganha França.
Claves para classificar
- Entrar com seriedade total na estreia e evitar que o nervosismo vire um jogo travado.
- Manter a defesa “limpa” nos primeiros 15 minutos, especialmente contra Senegal e França.
- Converter a superioridade em gol cedo quando o jogo oferecer; a campanha mostra que a Noruega cresce muito depois do primeiro.
- Controlar o fim dos jogos: houve gol sofrido nos minutos finais contra Israel, um alerta simples para partidas mais equilibradas.
- Levar o peso do grupo das eliminatórias como confiança, não como garantia: repetir o padrão, não a expectativa.
Opinião editorial
A Noruega chega com um tipo de credencial que o futebol respeita sem discutir: oito jogos, oito vitórias, e uma diferença de gols que não cabe em eufemismo. Isso não é apenas “boa fase”; é um trabalho de eliminatória com assinatura. E, quando uma seleção consegue vencer dentro e fora com a mesma naturalidade — 5:0 em Chisináu, 4:1 em Milão, 3:0 contra a Itália em Oslo — ela deixa de ser promessa e vira pergunta para os outros: “vocês aguentam 90 minutos do nosso ritmo?”
Ao mesmo tempo, a Copa costuma punir a distração que a eliminatória perdoa. A Noruega sofreu pouco, mas sofreu em momentos que doem: levou gol no início contra a Itália em Milão e ainda tomou um aos 90+3’ contra Israel em Debrecen mesmo vencendo. Em um grupo de Mundial, esses instantes viram linha de corte. O recado interno é claro: a Noruega não precisa jogar “perfeita”, mas precisa jogar “inteira”, do apito inicial ao último corte.
O final da história, por enquanto, é bonito: a Noruega transformou a eliminatória numa narrativa de força, com Haaland como martelo recorrente, Sørloth como segundo golpe, e uma seleção que parece ter entendido a diferença entre vencer e convencer. Mas o futebol adora uma pegadinha simples: quando você se acostuma a ganhar cedo, pode esquecer que haverá jogos que não te darão esse presente.
Se há uma advertência concreta para levar na mala, ela está naquele 25 de março de 2025: Israel fez 4:2 parecer “tranquilo” apenas no papel, porque marcou aos 90+3’ e lembrou que o jogo só termina quando termina. Em Copa do Mundo, esse minuto final não é detalhe; é o minuto que muda um grupo inteiro. A Noruega tem números para sonhar alto. Agora precisa ter também o hábito mais difícil: não oferecer ao adversário nem um único minuto de esperança grátis.