Países Baixos - Grupo F
Países Baixos 🇳🇱🔥 rumo ao Mundial com vento a favor e gols no bolso
Uma campanha de eliminatórias com números de elite, vitórias largas e um grupo de Copa que pede cabeça fria e regularidade.
Introdução
Há seleções que chegam ao Mundial como quem atravessa um túnel: com ruído, tropeços e luz intermitente. E há as que caminham por uma avenida aberta, sem perder o compasso, com o placar quase sempre como aliado e a bola parecendo obedecer. Os Países Baixos, nesta história, entram na segunda categoria: uma classificação construída com autoridade, e não apenas com a matemática.
A narrativa começa longe de casa, em Helsinque. No Estádio Olímpico, em 7 de junho de 2025, a equipe foi pragmática e cortante: 2 a 0 sobre a Finlândia, com Depay aos 6 e Dumfries aos 23. Nada de espetáculo antes da hora; foi jogo de quem quer mandar recado sem precisar gritar. Três dias depois, em Groninga, aí sim o grito veio: 8 a 0 em Malta, um placar que não é só goleada, é fotografia de um dia em que tudo encaixa.
No meio do caminho, apareceram os testes que tiram a maquiagem. Contra a Polônia, dois empates por 1 a 1 — primeiro em Roterdã, em 4 de setembro de 2025, depois em Varsóvia, em 14 de novembro de 2025. Em ambos, a Oranje saiu na frente e viu o adversário achar o empate mais tarde no relógio. São resultados que não ferem uma campanha, mas servem como aviso: nem sempre o jogo se resolve no primeiro golpe.
Quando a campanha fechou, ela não fechou em silêncio. Em 17 de novembro de 2025, na Johan Cruyff Arena, 4 a 0 sobre a Lituânia: Reijnders abriu cedo, e o segundo tempo virou rodovia com pênalti de Gakpo, mais Simons e Malen em sequência. A impressão final foi de equipe que não relaxa ao chegar na linha de chegada — ela acelera.
O aterrissar dos números confirma o que o olho já suspeitava. Os Países Baixos terminaram em 1º do Grupo G, com 20 pontos em 8 jogos, invictos: 6 vitórias, 2 empates, 0 derrotas. O saldo é de time grande: 27 gols marcados, 4 sofridos, diferença de +23. Uma campanha que, além de eficiente, foi limpa: pouco sofrimento, muita produção e uma margem ampla entre dominar e apenas sobreviver.
E, quando se procura momentos-bisagra — aqueles que viram a chave da campanha — três partidas saltam como pregos bem batidos na madeira. A estreia fora contra a Finlândia, em 7 de junho de 2025 (0 a 2), que dá serenidade. A goleada de 10 de junho de 2025 (8 a 0), que dá musculatura e saldo. E o empate de 4 de setembro de 2025 (1 a 1 com a Polônia), que lembra que a estrada para o Mundial, mesmo quando pavimentada, ainda tem curvas.
O caminho pelas Eliminatórias
A caminhada europeia para o Mundial costuma ser implacável porque quase nunca permite dias de preguiça: grupos curtos, poucos jogos, e cada empate pode virar pedra no sapato. Para os Países Baixos, a eliminatória foi disputada no Grupo G, com oito partidas registradas e tabela final fechada com todos os adversários diretos já enfrentados duas vezes.
A leitura da tabela é direta e pesada. Os Países Baixos lideraram com 20 pontos (8 jogos), enquanto a Polônia foi a perseguidora mais próxima com 17. A distância de três pontos, somada ao invicto, diz duas coisas ao mesmo tempo: houve consistência, mas também houve partidas em que o líder não “matou” a disputa com antecedência. Ainda assim, o que realmente separa os dois não é só a pontuação, e sim o tamanho das vitórias: 27 gols a favor contra 14 da Polônia, e apenas 4 gols sofridos contra 7. O líder foi mais agressivo e mais estável.
A campanha também se explica pela diferença entre enfrentar os de baixo e negociar com o rival mais próximo. Contra Malta e Lituânia, os Países Baixos foram de placares largos: 8 a 0 e 4 a 0 sobre Malta, 4 a 0 sobre a Lituânia, além de um 3 a 2 fora em Kaunas. Contra a Finlândia, duas vitórias sem sofrer (2 a 0 fora, 4 a 0 em casa). Contra a Polônia, dois empates por 1 a 1. Em outras palavras: dominou os jogos “obrigatórios” e não perdeu os jogos “de termômetro”.
Há um detalhe que aparece como linha de costura: o time marcou cedo com frequência. Depay aos 6 contra a Finlândia; Malen aos 8 e van Dijk aos 17 contra a Finlândia em Amsterdã; Depay aos 11 na Lituânia; Reijnders aos 16 contra a Lituânia em casa. Esse padrão muda o roteiro: quando você abre o placar rápido, joga com o adversário correndo atrás — e com o seu próprio plano respirando.
Mas nem tudo foi passeio. O 3 a 2 na Lituânia, em 7 de setembro de 2025, é o jogo que dá material ao analista de rendimento: vantagem e reação do rival ainda no primeiro tempo (gols lituanos aos 36 e 43), necessidade de responder, e Depay resolvendo novamente com o gol aos 63. Já os empates com a Polônia revelam um tipo específico de incômodo: a equipe fez 1 a 0 (Dumfries aos 28 em Roterdã; Depay aos 47 em Varsóvia) e cedeu o 1 a 1 com o relógio avançado (Cash aos 80; Kamiński aos 43 no outro jogo, mas com empate ainda no primeiro tempo e um segundo tempo de gestão). São sinais de que a margem de segurança, às vezes, precisa ser maior.
O retrato final da eliminatória é de time que se classifica por volume e por controle. Volume porque marcou 27 gols em 8 partidas, média alta. Controle porque sofreu só 4 — e, quando sofreu, ainda assim venceu (caso do 3 a 2). A diferença de +23 é mais do que estética: ela conta histórias de jogos resolvidos cedo e de defesas que raramente entram em pânico.
Tabela 1 — Partidas dos Países Baixos nas Eliminatórias
| Data | Grupo | Adversário | Condição | Resultado | Artilheiros | Estádio |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 7 de junho de 2025 | Grupo G | Finlândia | Visitante | 0:2 | Depay 6', Dumfries 23' | Estádio Olímpico, Helsinki |
| 10 de junho de 2025 | Grupo G | Malta | Mandante | 8:0 | Depay 9' (pen.), 16', V. van Dijk 20', Simons 61', Malen 74', 80', Lang 78', M. van de Ven 90+2' | Euroborg, Groninga |
| 4 de setembro de 2025 | Grupo G | Polônia | Mandante | 1:1 | Dumfries 28' | Stadion Feijenoord, Róterdam |
| 7 de setembro de 2025 | Grupo G | Lituânia | Visitante | 2:3 | Depay 11', 63', Q. Timber 33' | Estádio Darius y Girėnas, Kaunas |
| 9 de outubro de 2025 | Grupo G | Malta | Visitante | 0:4 | Gakpo 12' (pen.), 49' (pen.), Reijnders 57', Depay 90+3' | Estádio Nacional, Ta' Qali |
| 12 de outubro de 2025 | Grupo G | Finlândia | Mandante | 4:0 | Malen 8', van Dijk 17', Depay 38' (pen.), Gakpo 84' | Johan Cruyff Arena, Ámsterdam |
| 14 de novembro de 2025 | Grupo G | Polônia | Visitante | 1:1 | Depay 47' | Estádio Nacional, Varsóvia |
| 17 de novembro de 2025 | Grupo G | Lituânia | Mandante | 4:0 | Reijnders 16', Gakpo 58' (pen.), Simons 60', Malen 62' | Johan Cruyff Arena, Ámsterdam |
Agora, a tabela de posições. Neste caso, os dados trazem uma única tabela completa do Grupo G, o que permite ligar cada linha ao filme das partidas sem precisar escolher entre cenários.
Tabela 2 — Tabela de posições do Grupo G
| Pos. | Equipe | Pts. | PJ | G | E | P | GF | GC | Dif. | Classificação |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Países Baixos | 20 | 8 | 6 | 2 | 0 | 27 | 4 | +23 | Mundial 2026 |
| 2 | Polônia | 17 | 8 | 5 | 2 | 1 | 14 | 7 | +7 | play-offs |
| 3 | Finlândia | 10 | 8 | 3 | 1 | 4 | 8 | 14 | −6 | Não classificado |
| 4 | Malta | 5 | 8 | 1 | 2 | 5 | 4 | 19 | −15 | Não classificado |
| 5 | Lituânia | 3 | 8 | 0 | 3 | 5 | 6 | 13 | −7 | Não classificado |
Um recorte útil de desempenho é separar mandante e visitante. Em casa, os Países Baixos fizeram quatro jogos: 8 a 0 (Malta), 1 a 1 (Polônia), 4 a 0 (Finlândia), 4 a 0 (Lituânia). São 17 gols marcados e 1 sofrido: saldo de +16 no próprio território. Fora, foram quatro jogos: 2 a 0 (Finlândia), 3 a 2 (Lituânia), 4 a 0 (Malta), 1 a 1 (Polônia). Total de 10 gols a favor e 3 contra: saldo de +7. O quadro é claro: fora de casa também rende, mas com um pouco mais de ruído defensivo — e com o empate em Varsóvia como lembrança de que o “jogo resolvido” pode escorrer.
Outro recorte é o do “jogo curto”. Apenas três partidas terminaram com diferença de um gol ou empate: 1 a 1 com a Polônia em casa, 3 a 2 na Lituânia, 1 a 1 com a Polônia fora. Todo o resto foi vitória por dois ou mais gols. Isso sugere uma equipe que, quando encaixa vantagem, transforma o jogo em território confortável — e, quando não consegue, entra num tipo de partida que exige maturidade de gestão de resultado.
Também vale notar a regularidade de gols sofridos: apenas quatro em oito jogos. E eles se concentram em três partidas (um gol em Roterdã, dois em Kaunas, um em Varsóvia). Ou seja, houve cinco jogos com a baliza intacta. O time, na maior parte do percurso, foi uma equipe de “defender atacando”: mantendo o rival longe, reduzindo a quantidade de situações de emergência.
Como joga
Os números contam que os Países Baixos jogaram como equipe que não negocia volume ofensivo: 27 gols em 8 partidas é produção de quem entra para marcar antes de controlar. E o detalhe mais revelador é a amplitude de placares. Houve 8 a 0, 4 a 0, 4 a 0, 4 a 0, 4 a 0 e 2 a 0 — cinco vitórias sem sofrer e quatro vitórias com quatro gols ou mais. É o tipo de campanha que não depende de um único “dia bom”: ela repete padrões.
O time também mostra uma assinatura de eficácia: transformar pênaltis em parte do repertório de gols. Depay marcou de pênalti contra Malta (aos 9) e contra a Finlândia (aos 38). Gakpo marcou dois pênaltis em Ta’ Qali (aos 12 e 49) e outro contra a Lituânia (aos 58). Essa recorrência tem duas leituras. A primeira: capacidade de entrar na área e forçar faltas ou lances de bola na mão, empurrando o adversário para recuos e decisões apressadas. A segunda: frieza para converter e evitar que jogos “travados” se arrastem.
O reparto de gols é outro indicador de saúde coletiva. Depay aparece como eixo: marcou em seis dos oito jogos e assinou múltiplos gols em partidas como Malta (dois), Lituânia fora (dois) e ainda anotou no fim em Malta fora (90+3). Mas não foi um monólogo. Malen tem peso (dois gols no 8 a 0 e mais um no 4 a 0 sobre a Lituânia, além do gol aos 8 contra a Finlândia). Gakpo aparece com sequência e pênaltis. Simons marcou em duas goleadas (8 a 0 e 4 a 0). Reijnders marcou em dois jogos (Malta fora e Lituânia em casa). Até a bola parada ou a presença de zagueiros no ataque entrou no quadro: van Dijk fez gols em 8 a 0 e em 4 a 0 contra a Finlândia; van de Ven marcou aos 90+2 no massacre em Groninga. Quando zagueiros entram na lista, geralmente é sinal de time instalado no campo adversário.
No controle defensivo, o dado mais forte é o total de 4 gols sofridos. Mas a distribuição revela o ponto de atenção: quando o adversário consegue mudar a temperatura do jogo, a proteção pode oscilar. A Lituânia fez dois gols em sete minutos (36 e 43) num jogo em que os Países Baixos já tinham aberto 1 a 0 e ampliado para 2 a 0 com Q. Timber aos 33. É o tipo de sequência que diz: em transições, em momentos de desconcentração, o jogo pode virar uma pequena tempestade. E, em Copa do Mundo, tempestades curtas às vezes definem grupos.
Os empates com a Polônia sugerem outra vulnerabilidade mais sutil: a dificuldade em transformar domínio em segundo gol quando o adversário fecha o corredor do 1 a 0. Em Roterdã, Dumfries fez aos 28 e o empate veio aos 80. Em Varsóvia, o empate já estava desenhado no intervalo (1 a 1), e o segundo tempo ficou sem ruptura. Não é um “problema”, mas é uma pergunta. Se a equipe não consegue descolar no placar, ela precisa ser excelente na administração do risco — e os Países Baixos foram, em geral, mas com alguns sinais de alerta.
No ritmo de jogo, a campanha alternou duas versões. A versão “martelo”: goleadas, gols em sequência, adversário afundado. E a versão “relógio”: jogos em que um gol muda a responsabilidade, e cada minuto traz uma decisão de gestão. É justamente essa alternância que pode ser útil no Mundial — desde que a equipe não se acostume demais à primeira e se incomode com a segunda.
O grupo no Mundial
O roteiro da Copa do Mundo coloca os Países Baixos no Grupo F, com três partidas já definidas em datas e sedes: duas em Dallas e uma em Houston. É um detalhe logístico que importa: menor deslocamento relativo entre jogos pode ajudar a manter rotina de treino e recuperação, especialmente para um time que mostrou intensidade alta nas goleadas e controle de jogo em momentos longos.
Os adversários do grupo trazem perfis distintos no papel do calendário: Japão, uma seleção tradicionalmente organizada e de ritmo competitivo; Tunísia, que tende a fazer jogos de leitura e disputa; e um rival europeu a ser definido via play-off, que chega com a casca de quem passou por mata-mata de sobrevivência. Mas, aqui, a análise precisa manter um foco claro: como o grupo “cai” para os Países Baixos a partir do que a própria campanha mostrou — força de ataque, baixíssima concessão e um alerta em jogos de placar curto.
A segunda rodada tem um ponto-chave: o oponente ainda não está nomeado, mas o caminho está delimitado. Em vez de tratar isso como mistério, dá para tratar como planejamento: os Países Baixos precisarão de um plano de jogo “adaptável”, porque o adversário pode vir com estilos diferentes — e o que muda menos é o que a Oranje já faz bem: entrar forte, marcar cedo, e empurrar o jogo para onde o rival tem de defender perto da área.
A estreia, em Dallas, contra o Japão, parece desenhada para medir a temperatura emocional. Estreias pedem paciência, e a campanha das eliminatórias oferece um recado: quando o time abre cedo, ele voa; quando não abre, precisa trabalhar o segundo gol com calma para não dar espaço à reação. É um jogo que, pelo cenário, pede controle e concentração para não transformar um detalhe em um empate que depois pesa.
A terceira partida, também em Dallas, contra a Tunísia, pode ser o tipo de jogo em que a diferença está em não permitir que o adversário encontre confiança. Como os Países Baixos mostraram capacidade de vitórias sem sofrer e de goleadas com múltiplos marcadores, a meta lógica é: impor volume sem se desorganizar, e não oferecer o “gol que convida” o rival a entrar no jogo. A equipe sofreu só quatro gols na eliminatória, mas quando sofreu, o adversário ganhou minutos de vida.
E há um aspecto de Copa que as eliminatórias não simulam por completo: a urgência. No grupo, cada jogo tem peso direto, e o empate pode ser bom ou ruim dependendo da rodada. A boa notícia, olhando os números do caminho: os Países Baixos já demonstraram que não perdem a cabeça quando não vencem — empataram duas vezes com a Polônia e seguiram líderes, com saldo gigante. A lição é transportar essa frieza para um cenário em que a tabela muda a cada noite.
Tabela — Jogos dos Países Baixos no Grupo F
| Data | Estádio | Cidade | Rival |
|---|---|---|---|
| 14 de junho de 2026 | AT&T Stadium | Dallas | Japão |
| 20 de junho de 2026 | NRG Stadium | Houston | Rival por definirse, saldrá del play-off UEFA Ruta B: Ucrania, Suecia, Polonia o Albania. |
| 25 de junho de 2026 | AT&T Stadium | Dallas | Tunísia |
Partida por partida, com um guião provável e um palpite em linguagem direta:
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Países Baixos vs Japão — 14 de junho de 2026, Dallas Giro de jogo esperado: início de estudo, com os Países Baixos tentando acelerar pelos lados e buscar vantagem cedo, porque seus melhores jogos nas eliminatórias nasceram de gols rápidos. O Japão tende a castigar desconcentração; portanto, a chave holandesa é manter a baliza “limpa” por 25 minutos e, a partir daí, aumentar a pressão. Prognóstico: empate.
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Países Baixos vs Rival por definirse, saldrá del play-off UEFA Ruta B: Ucrania, Suecia, Polonia o Albania. — 20 de junho de 2026, Houston Giro de jogo esperado: jogo de imposição. O adversário chega de um caminho de tensão, e isso costuma gerar um plano mais conservador. Para os Países Baixos, é partida para ocupar campo rival e transformar volume em vantagem — sem dar o contra-ataque barato que, nas eliminatórias, apareceu como risco no 3 a 2 da Lituânia. Prognóstico: ganha Países Baixos.
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Tunísia vs Países Baixos — 25 de junho de 2026, Dallas Giro de jogo esperado: jogo que pode ter cara de “conta de padaria” de grupo, dependendo da tabela, mas que exige seriedade. A Tunísia pode tentar travar e levar o jogo para o detalhe. Se os Países Baixos estiverem em cenário de necessidade, a paciência para buscar o primeiro gol vale ouro; se estiverem confortáveis, o controle de risco vira prioridade. Prognóstico: ganha Países Baixos.
Chaves de classificação para os Países Baixos no Grupo F
- Marcar primeiro: nas eliminatórias, os jogos mais tranquilos começaram cedo e terminaram largos.
- Evitar sequência de concessões: o 3 a 2 na Lituânia mostrou que dois gols em poucos minutos mudam tudo.
- Transformar domínio em segundo gol: os dois 1 a 1 com a Polônia são o lembrete mais nítido.
- Manter a diversidade de finalizadores: quando Depay, Gakpo, Malen e companhia aparecem juntos no placar, o rival perde referência de marcação.
- Gerir o relógio nos finais: Roterdã ensinou que o minuto 80 também é área de perigo.
Opinião editorial
Os Países Baixos chegam com números que não pedem desculpas: 27 gols em 8 jogos, só 4 sofridos, cinco partidas sem levar gol. Isso não é só “boa campanha”, é um modo de se apresentar. Mas a Copa do Mundo não premia apenas quem é mais forte; ela costuma premiar quem é mais constante no detalhe. E o detalhe, aqui, tem nome e sobrenome: transformar o 1 a 0 em 2 a 0 quando o jogo começa a ficar pegajoso.
A tentação será buscar o atalho da goleada, porque ela existiu e se repetiu. Só que o Mundial não promete Malta nem Lituânia toda semana. O que ele promete é um conjunto de jogos em que, às vezes, o gol não sai aos 6 minutos. A seleção que souber continuar jogando com a mesma convicção quando o placar estiver fechado terá uma vantagem real — e os Países Baixos têm ferramentas para isso, desde que aceitem o desconforto sem perder a identidade.
O fechamento dessa história pede uma advertência concreta, ancorada em um jogo que já aconteceu e, por isso mesmo, é lição pronta. O 1 a 1 contra a Polônia em 4 de setembro de 2025, em Roterdã, não feriu a classificação — mas mostrou o risco de administrar o placar como se o jogo estivesse resolvido. Em Mundial, o empate tardio não é apenas um gol; é um capítulo que muda o grupo. Se a Oranje levar para 2026 a fome das goleadas e a atenção dos minutos finais, aí sim o vento fica realmente a favor — não como metáfora, mas como vantagem competitiva.