Japão - Grupo F

Japão, o vendaval que vira torneio em roteiro: quando a eliminatória parece treino, mas cobra verdade

🇯🇵🔥 Japão, o vendaval que vira torneio em roteiro: quando a eliminatória parece treino, mas cobra verdade

Um Japão de placares largos e defesa quase impenetrável chega ao Mundial com a faca no dente e um detalhe para resolver: transformar domínio em pragmatismo quando o jogo pede paciência.

Introdução

Há seleções que caminham pelas Eliminatórias com o barulho de quem vai se testando, tropeçando, ajustando a engrenagem. E há aquelas que atravessam o percurso como quem puxa o ar e solta um vendaval: o Japão, nesta campanha, teve mais noites de “controle total” do que de sobrevivência. Não foi só ganhar; foi ganhar com cara de superioridade, com números que se repetem como um refrão — gols cedo, vantagem ampliada, e um rival que passa a jogar o segundo tempo pensando mais no apito final do que na virada.

O roteiro tem cenas que parecem pequenas histórias fechadas em si. Suita, 16 de novembro de 2023: 5 a 0 em Mianmar, com Ueda em noite de artilheiro serial e Kamada e Dōan ajudando a dar acabamento ao massacre. Poucos dias depois, em 21 de novembro de 2023, o mesmo 5 a 0 aparece no placar, agora em Yeda, contra a Síria, como se a seleção japonesa tivesse colocado a Eliminatória no modo repetição: Kubo, Ueda, Sugawara, Hosoya — nomes diferentes, sensação idêntica de jogo resolvido cedo.

A travessia também teve suas passagens mais “administrativas”, que ajudam a contar como o caminho foi peculiar em certos momentos. Em 26 de março de 2024, havia um jogo marcado em Pyongyang contra a Coreia do Norte — ele acabou cancelado e a vitória foi atribuída por decisão da FIFA. E isso, mesmo sem bola rolando, entra como um dado narrativo: a campanha do Japão foi tão forte que até os capítulos fora de campo não alteraram o tom geral do enredo.

Quando a Eliminatória apertou um pouco mais — com adversários de outra prateleira dentro da AFC — o Japão manteve a assinatura: placares largos, poucos sustos e uma defesa que, por longos trechos, parecia viver de dias limpos. Na Terceira Ronda do Grupo C, o cartão de visitas foi um 7 a 0 sobre a China em 5 de setembro de 2024. Um resultado assim não é “um jogo bom”: é uma mensagem. E na sequência vieram goleadas fora de casa, como o 5 a 0 no Bahrein (10 de setembro de 2024), e vitórias de controle, como o 2 a 0 sobre a Arábia Saudita em 10 de outubro de 2024.

Os números aterrissam essa sensação de domínio. Na Segunda Ronda, o Japão terminou em 1º no Grupo B com 18 pontos em 6 jogos, 24 gols marcados e 0 sofridos: campanha perfeita, saldo de +24. Na Terceira Ronda, também fechou em 1º no Grupo C com 23 pontos em 10 jogos, 30 gols feitos e apenas 3 sofridos, saldo de +27. Ou seja: duas fases, dois primeiros lugares, e uma combinação raríssima de ataque em avalanche e defesa quase hermética.

Mas é justamente quando tudo parece fácil que aparecem as pistas do que ainda precisa ser lapidado. Houve jogos de “parede”, e não de “corrida”. Em 25 de março de 2025, por exemplo, o Japão empatou 0 a 0 com a Arábia Saudita em Saitama: noite em que o placar ficou travado, um lembrete de que nem sempre o rival abre o corredor para a transição. E em 5 de junho de 2025, veio a derrota por 1 a 0 para a Austrália em Perth, com gol aos 90 minutos: a cicatriz pequena no resultado, mas grande como lição de concentração.

O caminho pelas Eliminatórias

Na AFC, a caminhada do Japão aparece nos dados em duas etapas claras: uma Segunda Ronda em grupo e uma Terceira Ronda também em grupo. O desenho exato de vagas e regras detalhadas não está descrito nos JSON, então o que dá para afirmar com precisão aqui é o que o próprio desempenho evidencia: o Japão navegou primeiro pelo Grupo B na Segunda Ronda e depois pelo Grupo C na Terceira, sempre na liderança e com números de classificação de quem não precisou fazer conta.

A Segunda Ronda foi um retrato de campanha sem rachaduras. Seis jogos, seis vitórias, 18 pontos, 24 gols a favor e nenhum contra. Isso não é só eficiência; é um tipo de campanha que muda o ambiente do grupo: enquanto os rivais brigam por saldo e detalhes, o líder joga para impor padrão. E o padrão apareceu logo: 5 a 0 em Mianmar em 16 de novembro de 2023 e 5 a 0 sobre a Síria em 21 de novembro de 2023. Depois, vitórias mais curtas contra a Coreia do Norte (1 a 0 em 21 de março de 2024) e a vitória atribuída após cancelamento do jogo em Pyongyang (26 de março de 2024), antes de voltar às goleadas: 5 a 0 em Mianmar (6 de junho de 2024) e 5 a 0 sobre a Síria (11 de junho de 2024).

A tabela confirma o abismo. No Grupo B, a Coreia do Norte foi a 2ª com 9 pontos; a Síria, 3ª com 7; Mianmar, 4º com 1. A diferença de gols do Japão foi +24; o segundo colocado teve +4. Isso conta uma história: o Japão não só venceu; ele venceu sem permitir que o grupo virasse um “torneio de detalhes”. Foi um grupo decidido no volume e na contundência.

A Terceira Ronda, por sua vez, teve outra textura. Continuou havendo goleadas, mas surgiram jogos de maior atrito e, sobretudo, uma concorrência direta com a Austrália que atravessou a fase como um duelo silencioso por consistência. O Japão fechou líder do Grupo C com 23 pontos em 10 jogos, enquanto a Austrália terminou em 19. Quatro pontos se constroem em margens pequenas: um empate aqui, uma vitória fora ali, e principalmente o modo como se evita “doar” jogos.

E o Japão evitou quase sempre. A sequência inicial foi devastadora: 7 a 0 na China (5 de setembro de 2024), 5 a 0 no Bahrein (10 de setembro de 2024), 2 a 0 na Arábia Saudita (10 de outubro de 2024). Houve o 1 a 1 com a Austrália em Saitama (15 de outubro de 2024), num jogo de gols contra que, por si só, já sugere tensão e bola viva: o placar foi feito por desvios e acidentes, como costuma acontecer quando as duas equipes se respeitam demais para se expor.

Depois, novamente, o Japão apertou o passo fora de casa: 4 a 0 na Indonésia (15 de novembro de 2024) e 3 a 1 na China (19 de novembro de 2024). Em 20 de março de 2025, venceu o Bahrein por 2 a 0; cinco dias depois, empatou 0 a 0 com a Arábia Saudita. E aí veio o ponto fora da curva: 1 a 0 para a Austrália em 5 de junho de 2025, gol aos 90 minutos. O fecho foi categórico: 6 a 0 sobre a Indonésia em 10 de junho de 2025, como resposta que não deixa espaço para ressaca.

A leitura da tabela do Grupo C ajuda a enquadrar a campanha dentro do ecossistema do grupo. O Japão terminou com 30 gols marcados e 3 sofridos; a Austrália, com 16 marcados e 7 sofridos. A Arábia Saudita fez 7 e sofreu 8; Indonésia e China sofreram 20 cada; o Bahrein sofreu 16. É o tipo de distribuição que mostra duas coisas: a) o Japão foi o grande motor ofensivo do grupo; b) foi também o grande freio defensivo, já que sofrer 3 gols em 10 jogos dá uma margem enorme para vencer mesmo quando o ataque não explode.

E aí entra o detalhe de performance que mais interessa: como esse Japão somou pontos. Pelos resultados disponíveis, a equipe teve vários jogos decididos por goleada (7 a 0, 6 a 0, 5 a 0, 4 a 0), mas também enfrentou partidas de margem mínima (1 a 0 na Coreia do Norte; 1 a 0 contra a Austrália, mas do lado oposto, como derrota; e um 0 a 0 travado). Isso sugere um time capaz de dominar quando encontra espaço, mas que precisa manter a mesma clareza quando o rival fecha linhas e tenta transformar o jogo em uma coleção de duelos e bolas paradas.

A seguir, a campanha fica organizada em tabelas: primeiro, todos os jogos do Japão listados nos dados; depois, as tabelas completas de posições, exatamente como aparecem, porque aqui a história não é só do Japão — é também do contexto que ele esmagou.

Tabela 1

Data Ronda ou Jornada Rival Condição Resultado Artilheiros Sede
16 de novembro de 2023 Segunda Ronda Grupo B Birmania Casa Japão 5-0 Birmania Japão: Ueda 11', 45+4', 50', Kamada 28', Dōan 86'. Estádio Panasonic Suita, Suita
21 de novembro de 2023 Segunda Ronda Grupo B Síria Fora Síria 0-5 Japão Japão: Kubo 32', Ueda 37', 40', Sugawara 47', Hosoya 82'. Estádio Príncipe Abdullah al-Faisal, Yeda
21 de março de 2024 Segunda Ronda Grupo B Coreia do Norte Casa Japão 1-0 Coreia do Norte Japão: Tanaka 2'. Estádio Nacional, Tokio
26 de março de 2024 Segunda Ronda Grupo B Coreia do Norte Fora Coreia do Norte 0-3 Japão Japão: Vitória outorgada por decisão de FIFA após cancelamento Pionyang
6 de junho de 2024 Segunda Ronda Grupo B Birmania Fora Birmania 0-5 Japão Japão: Nakamura 17', 90+3', Dōan 37', Ogawa 75', 83'. Estádio Thuwunna, Rangún
11 de junho de 2024 Segunda Ronda Grupo B Síria Casa Japão 5-0 Síria Japão: Ueda 13', Dōan 19', Krouma 21' (contra), Sōma 73' (pên.), Minamino 85'. Edion Peace Wing Hiroshima, Hiroshima
5 de setembro de 2024 Terceira Ronda Grupo C China Casa Japão 7-0 China Japão: Endō 12', Mitoma 45+2', Minamino 52', 58', Ito 77', Maeda 87', Kubo 90+5' Estádio Saitama 2002, Saitama
10 de setembro de 2024 Terceira Ronda Grupo C Baréin Fora Baréin 0-5 Japão Japão: Ueda 37' (pên.), 47', Morita 61', 64', Ogawa 81' Estádio Nacional, Riffa
10 de outubro de 2024 Terceira Ronda Grupo C Arábia Saudita Fora Arábia Saudita 0-2 Japão Japão: Kamada 14', Ogawa 81' Cidade Deportiva do Rei Abdalá, Yeda
15 de outubro de 2024 Terceira Ronda Grupo C Austrália Casa Japão 1-1 Austrália Japão: Burgess 76' (contra); Austrália: Taniguchi 58' (contra) Estádio Saitama 2002, Saitama
15 de novembro de 2024 Terceira Ronda Grupo C Indonésia Fora Indonésia 0-4 Japão Japão: Hubner 35' (contra), Minamino 40', Morita 49', Sugawara 69' Estádio Gelora Bung Karno, Yakarta
19 de novembro de 2024 Terceira Ronda Grupo C China Fora China 1-3 Japão China: Lin Liangming 48'; Japão: Ogawa 39', 54', Itakura 45+6' Estádio Xiamen Egret, Xiamen
20 de março de 2025 Terceira Ronda Grupo C Baréin Casa Japão 2-0 Baréin Japão: Kamada 66', Kubo 87' Estádio Saitama 2002, Saitama
25 de março de 2025 Terceira Ronda Grupo C Arábia Saudita Casa Japão 0-0 Arábia Saudita Estádio Saitama 2002, Saitama
5 de junho de 2025 Terceira Ronda Grupo C Austrália Fora Austrália 1-0 Japão Austrália: Behich 90' Estádio de Perth, Perth
10 de junho de 2025 Terceira Ronda Grupo C Indonésia Casa Japão 6-0 Indonésia Japão: Kamada 15', 45+6', Kubo 19', Morishita 55', Machino 58', Hosoya 80' Estádio Panasonic Suita, Suita

Tabela 2

Ronda Grupo Pos. Equipe Pts. PJ G E P GF GC Dif.
Segunda B 1 Japão 18 6 6 0 0 24 0 +24
Segunda B 2 Coreia do Norte 9 6 3 0 3 11 7 +4
Segunda B 3 Síria 7 6 2 1 3 9 12 -3
Segunda B 4 Birmania 1 6 0 1 5 3 28 -25

Tabela 3

Ronda Grupo Pos. Equipe Pts. PJ G E P GF GC Dif.
Terceira C 1 Japão 23 10 7 2 1 30 3 +27
Terceira C 2 Austrália 19 10 5 4 1 16 7 +9
Terceira C 3 Arábia Saudita 13 10 3 4 3 7 8 -1
Terceira C 4 Indonésia 12 10 3 3 4 9 20 -11
Terceira C 5 China 9 10 3 0 7 7 20 -13
Terceira C 6 Baréin 6 10 1 3 6 5 16 -11

Em termos de segmentação de desempenho, os próprios placares contam muito. O Japão terminou a Terceira Ronda com 10 jogos e só um deles teve derrota — justamente fora de casa, contra a Austrália, e com gol aos 90. Isso fala de consistência, mas também fala de concentração: quando o jogo se aproxima do final em vantagem parcial ou em empate, o detalhe vira lei.

Também chama atenção a relação casa-fora na memória afetiva dos resultados. Fora de casa, o Japão foi à Síria e fez 5 a 0, foi ao Bahrein e fez 5 a 0, foi à Indonésia e fez 4 a 0, foi à China e fez 3 a 1, foi à Arábia Saudita e venceu 2 a 0. Ou seja: o Japão não dependeu de conforto. A grande cicatriz fora foi a Austrália. É um retrato típico de campanha grande: você viaja e impõe; só o adversário mais direto consegue te ferir.

E existe um dado de “tipo de jogo” que não passa despercebido: a quantidade de partidas com marcador zerado contra. Na Segunda Ronda, foi 24 a 0 em gols. Na Terceira, foram 7 jogos sem sofrer gols em 10 (pelo total de 3 gols sofridos no grupo, distribuídos nos jogos em que houve 1 a 1, 3 a 1 e 1 a 0 contra). Uma defesa assim não é apenas organização: é também a capacidade de não se perder emocionalmente quando o jogo pede paciência.

Como joga

O Japão desta campanha parece construído para uma frase simples: quando encontra a primeira vantagem, o jogo tende a virar uma ladeira. Os placares elásticos não surgiram em um ou dois picos; eles se repetiram em diferentes fases e em diferentes contextos de mando. 7 a 0 na China, 6 a 0 na Indonésia, 5 a 0 em série na Segunda Ronda, 5 a 0 no Bahrein — isso sugere que, quando o rival dá um sinal de fragilidade, o Japão tem volume e variedade para transformar rachadura em fenda.

A eficiência de início também aparece como traço recorrente. Há gol aos 2 minutos contra a Coreia do Norte (Tanaka), gol aos 12 contra a China (Endō), gol aos 14 contra a Arábia Saudita (Kamada), gol aos 15 contra a Indonésia (Kamada), gol aos 11 contra Mianmar (Ueda), gol aos 13 contra a Síria (Ueda). Isso não prova “plano tático” por si só, mas prova hábito: entrar com o jogo na mão, tomar o campo e tentar resolver antes que o adversário se sinta confortável.

No ritmo dos jogos, dá para dividir o Japão em dois modos. Modo A: aberto, de avalanche, quando o placar destrava — aí entram as goleadas e a contagem de gols vira quase uma métrica de quantas vezes a equipe consegue bater na mesma porta. Modo B: travado, quando o rival consegue reduzir o espaço e o Japão precisa ganhar em paciência. Nessa categoria estão o 0 a 0 com a Arábia Saudita (25 de março de 2025) e, em outro registro, o 1 a 0 contra a Coreia do Norte (21 de março de 2024). Nesses jogos, o Japão não perde o controle, mas perde a naturalidade do placar largo.

O reparto do gol é outro indicador precioso, porque ajuda a entender se a equipe depende de um só “termômetro” ofensivo. Aqui, os nomes se revezam: Ueda explode em noites de hat-trick (contra Mianmar e contra a Síria), Kubo aparece em jogos grandes e em fechamentos (marca contra a Síria, participa de goleadas e faz gol nos acréscimos contra a China), Kamada surge como referência em jogos de maior exigência (marca contra a Arábia Saudita, decide contra o Bahrein e abre caminho no 6 a 0 sobre a Indonésia), Minamino marca em goleadas e jogos fora, Morita também aparece com dobradinha no Bahrein. Ou seja: o Japão tem múltiplos caminhos para o gol, e isso reduz o risco de “apagão” quando um nome é bem marcado.

Mas nem uma campanha com 54 gols marcados somando as duas fases exibidas (24 na Segunda Ronda e 30 na Terceira) escapa de vulnerabilidades narrativas. A mais clara é psicológica e situacional: a derrota para a Austrália em Perth, com gol aos 90 minutos, é um recado sobre o custo de uma desconcentração tardia em jogo de nível alto. E existe uma vulnerabilidade de estilo sugerida pelo 0 a 0 com a Arábia Saudita: quando o rival fecha, o Japão pode até acumular domínio, mas precisa traduzir isso em gol com mais frequência — porque no Mundial, jogos travados costumam se decidir por um detalhe, não por uma sequência de chances.

Em resumo de performance: o Japão mostrou um teto altíssimo (goleadas e consistência defensiva) e um piso confortável (raramente sofre, raramente perde). O desafio é converter essa superioridade em dois registros igualmente fortes: o da goleada, que ele domina; e o do “1 a 0 com maturidade”, que ainda tem um capítulo de aprendizado — e esse capítulo, curiosamente, está escrito justamente no jogo em que perdeu no último lance.

O grupo no Mundial

O Grupo F do Mundial reserva ao Japão um começo de narrativa com cara de teste imediato. O primeiro jogo já coloca o termômetro em cima da mesa: Países Baixos vs. Japão, em 14 de junho de 2026, no AT&T Stadium, em Dallas. É o tipo de estreia que não permite entrar lento, porque o adversário costuma empurrar o jogo para um território de decisões rápidas. Para o Japão, que frequentemente abre o placar cedo, é uma chance de impor seu hábito. Para o Japão, que também teve um empate travado e uma derrota tardia na Eliminatória, é um lembrete de que detalhe não é nota de rodapé.

A segunda rodada muda o cenário emocional: Tunísia vs. Japão, em 20 de junho de 2026, no Estádio BBVA, em Monterrey. Em fase de grupos, esse segundo jogo frequentemente carrega a matemática invisível: o resultado da estreia muda o peso do encontro seguinte. E como este texto não se apoia em suposições sobre o estado dos rivais, o foco é o Japão: é um jogo em que a equipe precisará escolher entre controlar com paciência ou buscar vantagem cedo para depois administrar, como fez tantas vezes.

A terceira rodada traz um elemento especial: Japão vs. Rival por definirse, saldrá del play-off UEFA Ruta B: Ucrania, Suecia, Polonia o Albania., em 25 de junho de 2026, no Arrowhead Stadium, em Kansas City. A descrição do adversário já muda a conversa: é um rival que vem de um caminho de play-off, e isso costuma significar dois ingredientes ao mesmo tempo — tensão competitiva e perfil variado. Sem classificar o adversário como forte ou fraco, o Japão deve tratar como jogo para impor condições e não oferecer início de partida.

O trio de partidas, visto em conjunto, sugere uma fase em que o Japão precisará alternar modos sem perder identidade. Se a Eliminatória foi dominada pela capacidade de empilhar gols e limpar a própria área, o Grupo F será um teste de conversão: converter domínio em pontos. E isso passa por duas chaves muito concretas que a campanha já mostrou: a defesa é uma fortaleza (3 gols sofridos em 10 jogos na Terceira Ronda), mas um único gol sofrido no fim pode custar caro (Austrália 1 a 0, gol aos 90). No Mundial, esse custo costuma ser multiplicado.

Tabela dos jogos do Japão no Grupo F

Data Estádio Cidade Rival
14 de junho de 2026 AT&T Stadium Dallas Países Baixos
20 de junho de 2026 Estádio BBVA Monterrey Tunísia
25 de junho de 2026 Arrowhead Stadium Kansas City Rival por definirse, saldrá del play-off UEFA Ruta B: Ucrania, Suecia, Polonia o Albania.

Partido a partido, o guião provável — com prudência e foco no que os números do Japão permitem dizer — pode ser lido assim:

  1. Países Baixos vs. Japão O Japão tem mostrado apetite por começar forte. Se repetir o padrão de gols cedo, transforma o jogo em território favorável: administrar, acelerar quando necessário, e sobretudo não permitir que a partida vire “um final de jogo” com o placar em aberto. Prognóstico: empate.

  2. Tunísia vs. Japão Aqui a palavra que os dados sugerem é maturidade. O Japão alternou goleadas com jogos travados; este tende a pedir mais do segundo. Não é jogo para ansiedade: é jogo para ocupar campo, insistir sem se desorganizar e proteger o próprio controle defensivo, que foi a grande base da campanha. Prognóstico: ganha Japão.

  3. Japão vs. Rival por definirse, saldrá del play-off UEFA Ruta B: Ucrania, Suecia, Polonia o Albania. Quando o rival vem “por definirse”, a armadilha é mental: gastar energia imaginando o adversário em vez de executar o próprio plano. A Eliminatória do Japão mostra que, quando ele impõe o ritmo, o placar abre. Este é um jogo para não regalar o início e para procurar vantagem que reduza o perigo dos minutos finais. Prognóstico: ganha Japão.

Chaves para classificar no Grupo F

  • Manter a defesa no padrão da Terceira Ronda: sofrer pouco é meio caminho andado para somar pontos em jogos travados.
  • Evitar finais abertos: a derrota para a Austrália com gol aos 90 é um alerta concreto sobre concentração até o último lance.
  • Converter domínio em vantagem cedo quando possível: os gols rápidos foram uma marca que simplificou partidas.
  • Usar a variedade de artilheiros como ferramenta: quando o jogo pede uma solução diferente, o Japão mostrou ter mais de um nome para decidir.

Opinião editorial

O Japão chega ao Mundial com uma campanha que não deixa margem para subestimação: números de seleção grande, com goleadas que viram hábito e uma defesa que, por longos trechos, pareceu viver em silêncio. O ponto mais sedutor dessa equipe é a naturalidade com que resolve jogos quando encontra uma brecha. E isso, em Copa, é ouro: há partidas que pedem “um gol e acabou”, e o Japão mostrou ter repertório para criar esse gol com gente diferente.

Mas o Mundial cobra outra moeda além do brilho: cobra rigor. E rigor, aqui, significa fechar o jogo quando ele pede fechamento. O 0 a 0 contra a Arábia Saudita em 25 de março de 2025 e, sobretudo, a derrota por 1 a 0 para a Austrália em 5 de junho de 2025, com gol aos 90 minutos, são os dois lembretes mais valiosos da campanha: nem sempre vai haver goleada, e nem sempre o relógio vai ser amigo. A diferença entre um grupo confortável e um grupo perigoso costuma morar exatamente nesse minuto 90.

Se o Japão quiser transformar o vendaval das Eliminatórias em roteiro de Copa, precisa tratar o jogo como se cada minuto carregasse um pequeno plebiscito de concentração. A advertência já está escrita em tinta clara: Perth, 5 de junho de 2025, Austrália 1 a 0 Japão, gol aos 90. Um detalhe. Em Copa, detalhe vira destino.