Alemanha - Grupo E
🇩🇪⚽ Alemanha, um trem de gols rumo a 2026 🚆🔥
Do tropeço em Bratislava ao espetáculo em Leipzig, a seleção alemã fechou as Eliminatórias com números de favorita e a sensação de que voltou a mandar na própria história.
Introdução
A Alemanha entrou nas Eliminatórias como quem abre a porta de casa: sem pedir licença, mas com um cuidado extra para não escorregar no tapete. O início, porém, teve cara de susto — e susto de verdade. Em Bratislava, a noite terminou com o placar marcando 2:0 para a Eslováquia e uma mensagem simples para quem achava que tudo seria automático: em jogo de seleção, o roteiro não respeita reputação.
A reação veio com aquela marca registrada que mistura pragmatismo e aceleração. Primeiro, o 3:1 sobre a Irlanda do Norte em Colônia, com gol cedo e resposta clara ao primeiro golpe do rival. Depois, o 4:0 contra Luxemburgo em Sinsheim, que não foi só goleada: foi uma partida de controle total, com placar largo e pouco espaço para dúvida sobre quem ditava o ritmo.
E então chegou o capítulo que muda o tom de uma campanha inteira: 17 de novembro de 2025, Leipzig, 6:0 na Eslováquia. Não é um resultado qualquer. É uma fotografia nítida de superioridade — seis gols, elenco variado na lista de artilheiros e uma defesa que não deixou nem margem para “quase”. É ali que a Eliminatória deixa de ser “missão cumprida” e passa a parecer ensaio geral.
Quando a poeira assentou, a tabela também falou alto: Alemanha em 1º no Grupo A, com 15 pontos em 6 jogos, cinco vitórias e uma derrota. O saldo é de time grande: 16 gols marcados, 3 sofridos, diferença de +13. Não houve empates, o que por si só diz muito sobre a personalidade competitiva dessa campanha: ou a Alemanha resolvia, ou o jogo fugia — e fugiu uma única vez, justamente na estreia.
Os momentos de virada ficam bem desenhados por data e placar. Em 4 de setembro de 2025, a derrota por 2:0 para a Eslováquia foi o alerta. Em 7 de setembro de 2025, o 3:1 sobre a Irlanda do Norte funcionou como resposta imediata. E em 17 de novembro de 2025, o 6:0 em Leipzig fechou o círculo: do tropeço ao domínio total, passando por uma curva de crescimento que aparece no detalhe dos resultados.
No fim, a campanha parece uma frase curta, mas completa: a Alemanha se classificou com ataque em alta, defesa firme e um segundo turno de grupo que virou desfile de eficiência. O tipo de caminhada que não só garante vaga, como também molda o humor e a confiança para o que vem a seguir.
O caminho pelas Eliminatórias
A leitura do Grupo A é direta e sem maquiagem: a Alemanha terminou na liderança com 15 pontos, deixando a Eslováquia com 12, a Irlanda do Norte com 9 e Luxemburgo zerado. Seis rodadas, nenhuma sobra de calendário: todos jogaram seis vezes, e o critério do campeonato foi o mais clássico — ganhar, somar e confirmar. A Alemanha ganhou cinco e perdeu uma. Isso, em um grupo curto, equivale a controlar o próprio destino sem depender de matemática alheia.
O recorte da tabela mostra uma diferença que vai além dos pontos. Em gols, a Alemanha fez 16 e sofreu 3. A Eslováquia, segunda colocada, marcou 6 e sofreu 8: diferença de 14 gols a menos no saldo em relação ao líder. A Irlanda do Norte, terceira, até fechou com saldo positivo (+1), mas longe da capacidade alemã de transformar jogos em placares tranquilos. Luxemburgo, por sua vez, foi engolido: 1 gol feito e 13 sofridos.
O curioso é que o caminho não foi uma linha reta. A Alemanha começa fora, contra o adversário que terminaria como principal perseguidor, e perde por 2:0 em 4 de setembro de 2025. Esse tipo de derrota, logo no primeiro passo, costuma puxar o time para dois extremos: ou vira ansiedade e ruído, ou vira ajuste e reação. A Alemanha escolheu a segunda trilha — e escolheu rápido.
A segunda rodada, em 7 de setembro de 2025, foi quase um manifesto. A Alemanha fez 3:1 na Irlanda do Norte em Colônia, com Gnabry abrindo cedo, Price empatando, e a resposta vindo na parte final: Amiri e Wirtz mataram o jogo em três minutos de intervalo (69’ e 72’). O placar conta uma história de maturidade: sofreu o gol, não se desorganizou, e decidiu quando encontrou o momento.
Daí em diante, a campanha ganha traços de máquina ajustada. O 4:0 sobre Luxemburgo em 10 de outubro de 2025, em Sinsheim, foi a primeira goleada grande — e não parou aí. Em 13 de outubro de 2025, venceu fora a Irlanda do Norte por 1:0, placar curto, típico de jogo onde o mais importante é não dar vida ao rival. Em 14 de novembro de 2025, novo 2:0 fora contra Luxemburgo. E em 17 de novembro de 2025, o 6:0 final sobre a Eslováquia, como se a estreia tivesse sido só um erro de pontaria no começo de temporada.
A tabela final também oferece um ângulo competitivo: a Eslováquia terminou com 12 pontos, ou seja, ganhou quatro jogos e perdeu dois. Um desses dois tombos foi justamente o 6:0 em Leipzig — resultado que não apenas tira pontos, mas também pesa no psicológico e no saldo. A Irlanda do Norte, com 9, ganhou três e perdeu três: uma campanha de oscilações, sem empates, que confirma como o grupo foi resolvido na base de vitória e derrota, sem zona cinzenta.
A Alemanha, nesse ambiente, foi a equipe mais “decisiva”. Não empatou nenhuma. Isso é um dado de identidade: quando controlou, venceu; quando perdeu o controle, caiu. Só que essa queda foi pontual e seguida por cinco vitórias seguidas — uma sequência que, por si só, explica a liderança.
Tabela 1
| Data | Grupo | Rival | Condição | Resultado | Artilheiros | Sede |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 4 de setembro de 2025 | A | Eslováquia | Fora | Eslováquia 2:0 Alemanha | Hancko 42', Strelec 55' | Bratislava, Tehelné pole |
| 7 de setembro de 2025 | A | Irlanda do Norte | Casa | Alemanha 3:1 Irlanda do Norte | Gnabry 7', Amiri 69', Wirtz 72' | Colonia, RheinEnergieStadion |
| 10 de outubro de 2025 | A | Luxemburgo | Casa | Alemanha 4:0 Luxemburgo | Raum 12', Kimmich 21' pen., 50', Gnabry 48' | Sinsheim, Rhein-Neckar-Arena |
| 13 de outubro de 2025 | A | Irlanda do Norte | Fora | Irlanda do Norte 0:1 Alemanha | Woltemade 31' | Belfast, Windsor Park |
| 14 de novembro de 2025 | A | Luxemburgo | Fora | Luxemburgo 0:2 Alemanha | Woltemade 49', 69' | Luxemburgo, Estádio de Luxemburgo |
| 17 de novembro de 2025 | A | Eslováquia | Casa | Alemanha 6:0 Eslováquia | Woltemade 18', Gnabry 29', Sané 36', 41', Baku 67', Ouédraogo 79' | Leipzig, Red Bull Arena |
Tabela 2
| Pos. | Equipe | Pts. | PJ | G | E | P | GF | GC | Dif. | Classificação |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Alemanha | 15 | 6 | 5 | 0 | 1 | 16 | 3 | +13 | Mundial 2026 |
| 2 | Eslováquia | 12 | 6 | 4 | 0 | 2 | 6 | 8 | −2 | play-offs |
| 3 | Irlanda do Norte | 9 | 6 | 3 | 0 | 3 | 7 | 6 | +1 | play-offs via Liga de Nacoes |
| 4 | Luxemburgo | 0 | 6 | 0 | 0 | 6 | 1 | 13 | −12 | No clasificado |
A segmentação dos resultados ajuda a entender o “como” por trás do “quanto”. Em casa, foram três jogos e três vitórias, com 13 gols marcados e apenas 1 sofrido: 3:1, 4:0, 6:0. Fora, foram três jogos, duas vitórias e uma derrota, com 3 gols marcados e 2 sofridos: 0:2, 1:0, 2:0. É um contraste gritante. Longe de casa, a Alemanha jogou com o placar curto, venceu dois por margem mínima ou controlada. Em casa, foi esmagadora: média superior a quatro gols por partida.
Outra leitura útil é a dos “jogos de um gol”. A Alemanha teve um: o 1:0 em Belfast, contra a Irlanda do Norte. Ali, a margem de erro diminui, e o time passa no teste. Já os jogos de “placar aberto” foram três goleadas sem sofrer gol: 4:0, 2:0 e 6:0. Esse padrão — goleada limpa — normalmente aponta para domínio territorial e capacidade de manter concentração mesmo depois de abrir vantagem.
Por fim, o ponto de inflexão mais claro é o duelo com a Eslováquia. A campanha começa com 0:2 fora e termina com 6:0 em casa. Somando os dois jogos: 6 gols a 2. Mais importante que a soma é a curva: no primeiro encontro, a Alemanha ficou em branco; no segundo, fez seis. Essa diferença costuma ser o retrato de ajustes — e também de leitura emocional de competição: o time que não esquece o que aconteceu na estreia, mas responde com bola.
Como jogam
Pelos números e pela distribuição dos placares, a Alemanha desta Eliminatória buscou uma ideia simples: transformar superioridade em gol cedo e, a partir daí, controlar o jogo sem permitir retorno do adversário. O 3:1 sobre a Irlanda do Norte em 7 de setembro de 2025 começa com gol aos 7 minutos. O 4:0 sobre Luxemburgo em 10 de outubro tem gol aos 12. O 6:0 sobre a Eslováquia em 17 de novembro tem gol aos 18. Não é coincidência: o padrão aponta para entradas fortes, com capacidade de impor ritmo e criar vantagem antes do jogo ficar desconfortável.
Quando o jogo pede paciência, a Alemanha também mostrou capacidade de esperar a brecha. Contra a Irlanda do Norte em casa, sofreu o 1:1 aos 34 e não entrou em desespero: resolveu aos 69 e 72. Isso sugere uma equipe que não depende só de “atropelo” — ela também sabe trabalhar o jogo até o momento em que o adversário cede. E esse momento veio, com dois gols em sequência, como quem dá um nó na partida.
Defensivamente, os dados são ainda mais reveladores. Em seis jogos, sofreu apenas três gols. E dois desses três aparecem em partidas específicas: um no 3:1 (o gol de Price) e dois no 0:2 da estreia. Ou seja: nas outras quatro partidas, a Alemanha passou ilesa. Quatro jogos sem sofrer em um grupo curto é mais que solidez — é uma rotina de segurança, especialmente quando se observa que duas dessas partidas foram fora (0:1 e 0:2 a favor).
O desenho de “placares limpos” indica um time que, quando sai na frente, não se abre em troca de mais gols a qualquer custo. Mesmo na goleada de 6:0, a leitura não é de desorganização: é de eficiência. A Alemanha marcou em diferentes momentos (18’, 29’, 36’, 41’, 67’, 79’), com um recorte que fala de consistência por tempo: construiu vantagem ainda no primeiro tempo e manteve a fome no segundo, sem perder o controle do que poderia virar um jogo de vaidade.
No ataque, a assinatura é a variedade. Gnabry aparece com peso em jogos-chave (gol na vitória de 3:1 e também no 6:0), e Kimmich contribui com dois gols no mesmo jogo contra Luxemburgo, incluindo pênalti. Sané aparece com dois gols no massacre final. E Woltemade vira um personagem central: decide em Belfast com 1:0, faz dois em Luxemburgo e abre a goleada em Leipzig, além de participar em três partidas seguidas como goleador. Em seis jogos, a Alemanha distribuiu gols por laterais, meio-campistas e atacantes — um sinal de múltiplas rotas para finalizar.
A vulnerabilidade mais clara, a partir do que os placares permitem dizer, está no cenário em que a Alemanha não consegue marcar e o adversário encontra o primeiro golpe. Isso aconteceu em 4 de setembro de 2025: 2:0 para a Eslováquia, com gols no segundo tempo (42’ e 55’). A Alemanha não reagiu no placar e ficou em branco. Não dá para inferir “por quê” sem inventar tática, mas dá para apontar o padrão: a única derrota veio num jogo em que o ataque não encaixou e a defesa foi vazada em sequência.
Em resumo: a Alemanha desta Eliminatória combinou duas faces que costumam definir candidatos em torneios longos. A primeira é o “modo controle” — vitórias fora sem sofrer, placar curto, jogo fechado. A segunda é o “modo avalanche” — em casa, quando encaixa, transforma partidas em goleadas com muitos autores e sem conceder gols. Entre as duas, há um time que não vive de um único tipo de vitória.
O grupo no Mundial
O Mundial colocou a Alemanha no Grupo E, e o caminho da fase de grupos já tem cara de roteiro com três atos bem diferentes: estreia para impor respeito, segundo jogo para confirmar a mão e fechamento contra um adversário sul-americano que, por tradição de estilo e competitividade, costuma exigir cabeça fria.
A estreia será em 14 de junho de 2026: Alemanha vs. Curazao, no Lincoln Financial Field, em Filadélfia. É daqueles jogos em que o relógio conta tanto quanto o adversário: entrar bem, marcar cedo, evitar ansiedade e não oferecer um “jogo vivo” por detalhes. A Alemanha, pelos sinais das Eliminatórias, gosta desse tipo de partida quando consegue encaixar o primeiro golpe nos minutos iniciais.
O segundo duelo, em 20 de junho de 2026, coloca a Alemanha contra a Costa do Marfim, no BMO Field, em Toronto. É um jogo que costuma ser mais físico por natureza, e que pode pedir controle emocional — não porque o rival seja “isso ou aquilo”, mas porque partidas desse tipo frequentemente são decididas em fases do jogo: começo forte, depois estabilização, e por fim o momento de apertar de novo. A Alemanha mostrou, contra a Irlanda do Norte, que tem repertório para resolver mais tarde, não apenas no início.
O fechamento do grupo será em 25 de junho de 2026: Equador vs. Alemanha, no MetLife Stadium, em Nova York / Nova Jersey. Esse é o tipo de última rodada que pode virar jogo de cálculo, dependendo da pontuação, mas também pode virar jogo de imposição. O Equador, como nome de peso regional, tende a oferecer um nível de competitividade alto — e, para a Alemanha, isso combina com a necessidade de manter a defesa tão estável quanto foi fora de casa na Eliminatória.
Tabela dos jogos do Grupo E da Alemanha
| Data | Estádio | Cidade | Rival |
|---|---|---|---|
| 14 de junho de 2026 | Lincoln Financial Field | Filadelfia | Curazao |
| 20 de junho de 2026 | BMO Field | Toronto | Costa do Marfim |
| 25 de junho de 2026 | MetLife Stadium | Nova York / Nova Jersey | Equador |
Partida 1, Alemanha vs. Curazao: o guião mais provável, olhando apenas para o que a Alemanha mostrou, é de domínio com busca por vantagem cedo. A equipe fez gols antes dos 20 minutos em três vitórias importantes do grupo, e quando acelera no início costuma transformar o resto em administração. Prognóstico em linguagem direta: ganha Alemanha.
Partida 2, Alemanha vs. Costa do Marfim: aqui o jogo tende a pedir mais paciência e atenção a “zonas de desconforto”, especialmente se o placar demorar a abrir. A Alemanha já passou por um jogo em que sofreu o empate e resolveu depois, e isso vira um argumento: não precisa vencer sempre com goleada para controlar a partida. Prognóstico: ganha Alemanha, com margem mais curta e cara de jogo trabalhado.
Partida 3, Equador vs. Alemanha: o cenário muda por ser fora do “conforto” do mando, e os dados das Eliminatórias mostram uma Alemanha mais econômica longe de casa: dois gols marcados em três jogos fora, mas também duas vitórias sem sofrer. Em uma última rodada, isso pode ser exatamente o que se precisa: maturidade para sobreviver ao jogo grande sem se desorganizar. Prognóstico: empate, com chance real de a Alemanha aceitar o ponto se ele vier com valor de tabela.
Chaves para avançar no grupo
- Abrir o placar cedo nos dois primeiros jogos para evitar partidas longas e tensas.
- Manter o padrão defensivo que apareceu fora de casa nas Eliminatórias: poucas concessões, jogos “limpos”.
- Preservar a diversidade de Artilheiros: quando o gol vem de muitos lugares, o adversário não consegue apagar uma única peça.
- Tratar a última rodada como jogo de detalhes: controlar emoções e não oferecer transições fáceis, porque é ali que grupos costumam virar.
Opinião editorial
A Alemanha fez uma Eliminatória que mistura duas sensações aparentemente opostas: a de alerta e a de potência. O alerta tem data, local e placar — 4 de setembro de 2025, Bratislava, 2:0 para a Eslováquia. Foi um começo que lembra, sem discurso, que camisa não resolve sozinha. A potência, porém, também tem endereço: Leipzig, 17 de novembro de 2025, 6:0. Entre um e outro, a Alemanha mostrou uma virtude que nem sempre aparece no brilho do talento: capacidade de corrigir o rumo sem perder a identidade competitiva.
O que mais impressiona é o desenho do conjunto: 16 gols a favor e apenas 3 contra em seis jogos, com quatro partidas sem sofrer. Isso é base de torneio grande. Mas existe um detalhe que não pode ser varrido para baixo do tapete: não houve empates. A Alemanha ganhou ou perdeu. Esse “tudo ou nada” pode ser ótimo quando o time impõe seu jogo; pode virar problema quando a partida pede sobrevivência e um ponto inteligente. A boa notícia é que o 1:0 em Belfast mostra que o time sabe jogar no fio; a má é que Bratislava mostra o que acontece quando o gol não sai.
O fechamento, então, é simples e quase jornalístico: a Alemanha chega ao Mundial com cara de protagonista, mas com um lembrete grudado na testa. A advertência concreta está no próprio arquivo da campanha: se o jogo escapa do controle e a vantagem não vem, o risco aparece rápido — como apareceu contra a Eslováquia em 4 de setembro de 2025. O antídoto também já foi mostrado: reação imediata, repertório para decidir no segundo tempo e um ataque que não depende de um só nome. Em Copa, isso vale ouro. Em Copa, isso também precisa ser confirmado a cada 90 minutos.